Depois de um 2025 em que os fundos de maior risco até entregaram retornos acima do CDI, mas ficaram fora do radar da maior parte dos investidores, 2026 tende a marcar uma mudança relevante na alocação de recursos. O cenário de juros reais ainda elevados começa a dar sinais de inflexão, abrindo espaço para uma reavaliação estratégica das carteiras.
Itaú vira o jogo: renda fixa perde espaço no portfólio e outras classes ganham força
Com corte de juros à vista, especialistas indicam migrar parte do pós-fixado para ações, multimercados e crédito em 2026.
A recomendação de especialistas é clara: reduzir gradualmente a concentração excessiva no pós-fixado e buscar mais equilíbrio entre renda fixa, renda variável e estratégias multimercado, respeitando o perfil de risco de cada investidor.
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Fim da “piscina quentinha” do pós-fixado
Segundo Sylvio Castro, head de global solutions e fund of funds do Itaú Unibanco, chegou o momento de iniciar essa transição.
“Está na hora de começar a migrar um pouco da ‘piscina quentinha’ dos juros reais altos do Brasil no pós-fixado e começar a olhar a oportunidade em outras classes, em especial na renda variável”, afirma Castro, em análise divulgada no Wealth Point, programa do NeoFeed.
A expectativa de início do ciclo de cortes de juros a partir de março funciona como um dos principais catalisadores desse movimento. Historicamente, a queda do custo de capital favorece ativos de risco, especialmente ações e crédito.
Bolsa sobe mesmo sem o investidor local
Um dos pontos que mais chamam atenção no atual ciclo é o desempenho da bolsa brasileira. Mesmo com o investidor pessoa física ainda subalocado em renda variável, o mercado acionário vem renovando recordes de valorização.
Esse movimento tem sido sustentado, em grande parte, por fluxos globais direcionados a mercados emergentes. A avaliação é que esse suporte externo deve continuar ao longo de 2026, criando oportunidades relevantes para quem estiver bem posicionado.
Fundos ativos ganham vantagem sobre ETFs
Para capturar esse momento, a recomendação recai sobre fundos de gestão ativa. Embora os ETFs sigam ganhando espaço no Brasil, a avaliação é que gestores ativos tendem a extrair mais valor do ciclo econômico.
“ETFs com certeza têm muito espaço para crescer, mas os gestores irão capturar melhor essa valorização pelo seu viés pró-cíclico”, explica Castro. Segundo ele, esses fundos costumam dar mais peso a ações domésticas sensíveis à queda do custo de capital e a setores que se beneficiam da compressão do prêmio de risco.
Multimercados voltam, mas em novo papel
Os fundos multimercados, que sofreram anos consecutivos de resgates, também devem retornar às carteiras, porém com uma função diferente daquela observada no passado.
Para Castro, essa classe não voltará a ocupar uma fatia desproporcional do portfólio do investidor brasileiro. Ainda assim, seguirá sendo relevante como motor tático e ferramenta de diversificação de fatores de risco.
Importância em ano de incertezas
Em um ano marcado por eventos políticos e geopolíticos, estratégias menos direcionais ganham valor. Multimercados bem estruturados podem ajudar a amortecer volatilidades de curto prazo, os chamados “ziguezagues” do mercado, sem depender exclusivamente de uma única tese macroeconômica.
Renda fixa segue relevante, mas exige ajuste fino
Apesar da recomendação de maior exposição a risco, a renda fixa continua desempenhando papel central nas carteiras. A diferença é que o excesso acumulado nos últimos anos começa a ser calibrado.
A orientação é reduzir um pouco a concentração no pós-fixado e ajustar a alocação entre títulos prefixados e indexados à inflação. Há destaque para estratégias que combinam inflação com crédito, aproveitando juros reais ainda elevados e ganhos de eficiência tributária em determinados instrumentos.
Debêntures incentivadas ainda fazem sentido
No mercado de debêntures incentivadas, a leitura é de que os spreads estão mais apertados do que há um ano, mas ainda oferecem boa relação risco-retorno. A isenção de Imposto de Renda segue sendo um diferencial importante, especialmente em um cenário de juros reais elevados.
Para investidores de perfil moderado, esses ativos continuam sendo uma ponte interessante entre renda fixa tradicional e estratégias mais arriscadas.
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Estratégias internacionais exigem decisões diferentes
Na parcela internacional da carteira, a recomendação varia conforme o acesso do investidor a contas no exterior.
Para quem investe diretamente fora do Brasil
A orientação é montar uma alocação global diversificada, a chamada “pizza completa”, incluindo juros governamentais, crédito, ações por regiões e estilos, além de ativos alternativos. Nesse caso, não há necessidade de hedge cambial, já que a moeda de referência passa a ser a do próprio portfólio internacional.
Para quem diversifica via produtos locais
Já para investidores que acessam ativos internacionais a partir do Brasil, a recomendação é adotar hedge cambial. Essa estratégia reduz a exposição às oscilações do dólar e tende a ser mais eficiente quando a escolha recai sobre renda variável internacional, em vez de renda fixa externa.
2026 exige postura mais ativa do investidor
O consenso entre especialistas é que 2026 será um ano de transição. O conforto proporcionado pelos juros altos começa a diminuir, enquanto as oportunidades em outras classes de ativos ganham relevância.
Mais do que buscar retornos imediatos, o desafio do investidor brasileiro será reequilibrar a carteira com disciplina, diversificação e foco no longo prazo, aproveitando o novo ciclo econômico que começa a se desenhar.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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