A Natura &Co, uma das maiores potências do setor de cosméticos da América Latina, anunciou nesta terça-feira (13/5) uma reestruturação agressiva na operação da Avon International. O plano inclui a demissão de cerca de 25% do quadro de funcionários da marca, o que representa cerca de 1,1 mil colaboradores.
Demissões em massa na Avon: veja como a reestruturação da Natura impacta o mercado!
Natura anuncia demissão de 25% da equipe da Avon International em 2025. Entenda os impactos da reestruturação no mercado.
A medida, segundo a própria companhia, é uma resposta direta aos desafios enfrentados pela Avon International, cujos resultados financeiros continuam aquém do esperado, mesmo após anos de integração com a holding brasileira. As demissões já começaram e devem atingir seu auge nos próximos meses de 2025.
Leia Mais:
Alta da Selic: o que muda nos juros do seu financiamento?
Reestruturação da Avon: Uma resposta às dificuldades financeiras

Resultados pressionam reavaliação estratégica
De acordo com o comunicado oficial da Natura, “o fato de as receitas da Avon International ainda estarem abaixo do esperado, somado à persistente volatilidade cambial, desencadeou uma aceleração urgente dos esforços de reestruturação para minimizar a saída de caixa neste ano”.
No primeiro trimestre de 2025, a receita da Avon International foi de R$ 1,39 bilhão — um número considerado abaixo das expectativas. O cenário financeiro adverso intensificou os movimentos de reavaliação estratégica que a Natura vem adotando desde 2024.
Ainda no ano passado, a companhia já havia sinalizado a intenção de simplificar as operações da marca Avon. Entre as opções cogitadas estaria, inclusive, a possibilidade de venda da divisão internacional da empresa.
Impactos imediatos no mercado de trabalho e nas operações
Queda no emprego e incertezas para o setor
Com a confirmação da dispensa de mais de mil funcionários, o impacto no mercado de trabalho é inevitável. A medida gera instabilidade entre os colaboradores remanescentes e levanta dúvidas sobre o futuro da marca dentro do portfólio da Natura &Co.
Além disso, especialistas apontam que a decisão pode influenciar o posicionamento de outras empresas do setor, criando um efeito dominó de reavaliações e possíveis cortes. O movimento também destaca a fragilidade de operações globais que não se adaptaram com rapidez ao novo comportamento do consumidor pós-pandemia.
Resultados mistos: sinais de recuperação na holding
Natura surpreende com desempenho no primeiro trimestre
Apesar das demissões na Avon, a Natura &Co apresentou sinais de recuperação em outras áreas de sua operação. No primeiro trimestre de 2025, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 150,7 milhões — um valor expressivamente menor do que os R$ 938,5 milhões de prejuízo anotados no mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho representa uma redução de 83,9% nas perdas, sinalizando que a estratégia de reestruturação começa a trazer frutos. O Ebitda recorrente da companhia subiu para R$ 789,5 milhões, alta de 30,1% na comparação anual, superando as projeções do mercado.
A receita líquida da Natura no período foi de R$ 6,68 bilhões, e as ações da empresa chegaram a subir mais de 5% na terça-feira após a divulgação dos resultados.
De símbolo de expansão a reestruturação drástica
A trajetória da fusão com a Avon
A fusão entre Natura e Avon foi anunciada em 2019 como um marco histórico para o setor de cosméticos. A operação, concretizada por meio de troca de ações, foi concluída em janeiro de 2020. Juntas, as duas empresas chegaram a alcançar um valor de mercado de US$ 11 bilhões.
Com a fusão, a Natura passou a controlar marcas como The Body Shop, Aesop e Avon. No entanto, as dificuldades de gestão e a sobreposição de estruturas operacionais levaram a companhia a repensar sua estratégia de atuação global.
Em 2023, a Natura vendeu a The Body Shop e a Aesop como parte de um plano de enxugamento e foco em ativos mais rentáveis. Agora, com os cortes na Avon, o grupo parece caminhar para uma operação mais simplificada e voltada ao mercado latino-americano, onde tem presença consolidada.
Reação do mercado e perspectivas para o setor

Reestruturação como tendência
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A reestruturação da Natura reflete um movimento mais amplo que vem sendo observado em diversas empresas do setor de bens de consumo. Com margens pressionadas, consumidores mais cautelosos e custos operacionais elevados, companhias buscam alternativas para manter a competitividade e preservar caixa.
Analistas de mercado avaliam que a Natura está adotando uma estratégia prudente ao reduzir a operação da Avon, embora o impacto humano das demissões seja inegável. Para investidores, a movimentação é vista com otimismo moderado, especialmente diante da recuperação do Ebitda e da valorização das ações.
O que esperar dos próximos capítulos?
Possível venda da Avon e foco em eficiência
A permanência da marca Avon no portfólio da Natura ainda é incerta. A própria companhia confirmou que estuda todas as alternativas possíveis, e uma venda parcial ou total da operação internacional continua no radar.
Internamente, a empresa trabalha para otimizar processos e reduzir sobreposições herdadas da fusão. A ideia é que, com uma estrutura mais leve, a holding consiga melhorar seus resultados e retomar a rota de crescimento sustentável.
O desafio agora será conciliar os ajustes operacionais com a manutenção da imagem institucional e o relacionamento com os consumidores, especialmente em mercados onde a Avon ainda possui grande relevância.
Conclusão
As demissões em massa na Avon são mais um capítulo da reestruturação que a Natura vem conduzindo desde 2023. Embora difíceis, as mudanças parecem já apresentar resultados positivos no desempenho financeiro da companhia. O futuro da Avon dentro da holding segue indefinido, mas o recado do mercado é claro: adaptação e eficiência são imperativos em um setor cada vez mais competitivo.
A sociedade, os investidores e os funcionários aguardam os próximos passos com atenção, enquanto a Natura redesenha sua atuação global e aposta em uma operação mais enxuta para enfrentar os desafios do cenário econômico atual.
Imagem: Reprodução/Canva.com

