Na quarta-feira (11), o Senado Federal examinou o Projeto de Lei Complementar (PLP 68/2024), que regulamenta a reforma tributária no Brasil. O texto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pode ser levado ao plenário ainda hoje. O relator da proposta, senador Eduardo Braga (MDB-AM), acolheu cerca de 650 emendas entre mais de 2 mil apresentadas, em um esforço para ajustar o texto às demandas de diversos setores da sociedade.
Confira aqui as principais mudanças na reforma tributária
Senado analisou nesta quarta-feira (11) o relatório da reforma tributária (PLP 68/2024), com 650 emendas acolhidas. Entenda!
O relatório é resultado de cinco meses de intensas discussões, incluindo 13 audiências públicas que reuniram aproximadamente 200 especialistas. Segundo o relator, as mudanças visam garantir segurança jurídica, justiça social e simplificação do sistema tributário, fatores essenciais para estimular o crescimento econômico e reduzir desigualdades.
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Principais mudanças no texto da reforma tributária
O relatório apresentado por Eduardo Braga traz diversas alterações em relação ao texto aprovado na Câmara dos Deputados. Entre os destaques, estão as mudanças nos impostos sobre medicamentos, a cesta básica e a criação de mecanismos de devolução de tributos para famílias de baixa renda.
Medicamentos e saúde pública
- A lista de medicamentos com impostos zerados foi eliminada, transferindo ao Executivo a responsabilidade de definir os itens isentos.
- Redução de 60% nos impostos para medicamentos destinados ao tratamento de câncer, Aids, doenças negligenciadas, vacinas e soros.
Cesta básica e produtos essenciais
- Redução de 60% da alíquota para fraldas.
- O óleo de milho foi retirado da lista de itens da cesta básica, mas também terá uma redução de 60% na alíquota.
Setores específicos beneficiados pela proposta
Pequenos produtores e bebidas artesanais
O texto prevê alíquotas reduzidas para pequenos produtores de bebidas artesanais, enquanto a tributação de produtos fumígenos será implementada de forma gradativa.
Internet e acessibilidade
Famílias com renda de até meio salário mínimo por membro terão devolução de 100% da CBS em despesas com internet, promovendo maior inclusão digital.
Motoristas e entregadores
Será cobrada contribuição de IBS e CBS apenas se 25% da renda bruta exceder R$ 40.500 anuais, reduzindo o impacto tributário sobre trabalhadores de aplicativos.
Transporte coletivo e aviação regional
O setor de transporte coletivo rodoviário, ferroviário e hidroviário terá uma redução de 40% na alíquota-padrão, enquanto a aviação regional de carga contará com ampliação do regime específico.
Alívio tributário para bens imóveis e locações
A proposta busca simplificar a tributação sobre bens imóveis, com medidas como:
- Isenção de tributação para vendas e locações realizadas por pessoas físicas com renda anual inferior a R$ 240 mil e até três imóveis distintos.
- Aumento da redução de alíquota de 40% para 50% em operações gerais e de 60% para 70% em locações.
- Elevação do redutor social em operações de locação de R$ 400 para R$ 600.
Mecanismos inovadores: cashback e alíquotas “teste”
Cashback digital
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Um dos destaques do relatório é a criação de um sistema de cashback digital, que permitirá a devolução de tributos a pessoas de baixa renda em despesas de telecomunicação. O modelo prevê devoluções de:
- 100% da CBS.
- 20% do IBS.
Alíquotas “teste” para 2026
A partir de 2026, os novos tributos IBS e CBS serão implementados inicialmente sem recolhimento obrigatório, apenas com o cumprimento de obrigações acessórias. Esse período de transição permitirá ajustes antes da cobrança definitiva.
Impactos para a Zona Franca de Manaus e energia elétrica

A Zona Franca de Manaus manterá vantagens comparativas asseguradas pela Constituição, como a não incidência da CBS em operações comerciais internas. Para o setor de energia elétrica, o recolhimento do imposto será feito apenas pela distribuidora ou adquirente, promovendo maior eficiência no processo tributário.
O próximo passo: votação no plenário
Após a análise na CCJ, a proposta pode ser encaminhada para votação no plenário ainda nesta quarta-feira. A expectativa é que o PLP 68/2024 avance rapidamente, atendendo às demandas do setor produtivo e dos estados.
Com um texto que busca equilibrar interesses diversos, o relator Eduardo Braga espera que a regulamentação da reforma tributária impulsione o crescimento econômico e promova justiça social, ao mesmo tempo em que garante maior previsibilidade e segurança jurídica para investimentos no Brasil.
A aprovação do projeto marca um passo crucial para a modernização do sistema tributário, que há décadas é apontado como um entrave ao desenvolvimento econômico do país.
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