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Reforma tributária: entenda os impactos do split payment e os riscos para as empresas

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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A reforma tributária brasileira está promovendo uma das maiores mudanças no sistema de cobrança de impostos sobre o consumo das últimas décadas. A substituição gradual de tributos antigos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) busca simplificar regras, reduzir distorções e tornar a arrecadação mais transparente.

A mudança foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada, principalmente, pela Lei Complementar nº 214/2025. Entre as novidades está o split payment, mecanismo que permite separar o valor dos tributos no momento do pagamento de uma operação comercial e direcioná-lo ao poder público.

Embora a proposta prometa reduzir a sonegação e facilitar a fiscalização, sua implementação também levanta preocupações sobre capital de giro, custos operacionais e adaptação dos sistemas empresariais. Por isso, compreender como o mecanismo funciona é essencial para avaliar seus efeitos sobre negócios de diferentes tamanhos.

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O que é split payment e como funciona?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O split payment, ou pagamento dividido, é um sistema de recolhimento tributário no qual a parcela correspondente aos impostos é separada do valor da venda durante a liquidação financeira da operação.

No modelo tradicional, a empresa recebe o pagamento integral do cliente e recolhe os tributos posteriormente, conforme as regras aplicáveis. Com o novo mecanismo, a parcela destinada ao IBS e à CBS poderá ser encaminhada diretamente ao Fisco, enquanto o fornecedor recebe o valor líquido da operação.

Na prática, imagine uma empresa que venda mercadorias para outra companhia. Quando o pagamento for processado, o sistema identificará a parcela tributária e fará a separação conforme as regras estabelecidas. Dessa forma, o dinheiro correspondente aos impostos não precisará permanecer temporariamente no caixa do vendedor.

O funcionamento dependerá da modalidade utilizada, dos dados disponíveis e da integração entre empresas, instituições financeiras e administrações tributárias.

Quais são as modalidades do split payment?

O modelo prevê procedimentos diferentes conforme a origem das informações utilizadas para calcular o imposto devido.

Na modalidade com consulta aos sistemas fiscais, os dados da operação permitem verificar quanto deve ser recolhido. Se o tributo já tiver sido pago ou houver créditos tributários suficientes, a retenção poderá ser ajustada conforme as regras aplicáveis.

Em outra modalidade, a separação considera informações fornecidas pelo adquirente. Caso seja retido um valor superior ao efetivamente devido, poderá haver restituição do excedente nos prazos definidos pela regulamentação.

Essas diferenças são importantes porque determinam quanto dinheiro ficará disponível para a empresa durante a operação e como eventuais pagamentos excedentes serão tratados.

Quais são as vantagens do split payment?

Uma das principais justificativas para a adoção do mecanismo é combater a sonegação fiscal. Como o recolhimento ocorre associado à liquidação financeira, diminui a possibilidade de uma empresa receber o valor do imposto e deixar de repassá-lo aos cofres públicos.

O sistema também pode reduzir situações de fraude relacionadas a documentos fiscais e créditos tributários indevidos. Na reforma, o aproveitamento de créditos pelo adquirente está vinculado às condições legais de extinção do débito tributário, o que torna os mecanismos de controle especialmente relevantes.

Outra vantagem potencial é a modernização da fiscalização. O cruzamento de informações no momento da transação pode reduzir a necessidade de auditorias demoradas e disputas administrativas posteriores.

A simplificação dos procedimentos também poderá beneficiar empresas que atualmente gastam recursos consideráveis para calcular impostos, cumprir obrigações acessórias e administrar diferentes regras estaduais e federais.

Entretanto, esses resultados dependerão da qualidade da implementação, da segurança dos sistemas e da capacidade de integração entre os participantes.

Como o split payment pode afetar o caixa das empresas?

O principal ponto de atenção é a redução temporária da disponibilidade financeira. Atualmente, dependendo do regime tributário e dos prazos de recolhimento, uma empresa pode receber o pagamento de uma venda antes de quitar os impostos correspondentes.

Esse intervalo funciona como uma disponibilidade temporária de recursos, conhecida no mercado como float tributário. Com o split payment, parte desse benefício financeiro deixa de existir.

O efeito pode ser relevante para negócios que trabalham com margens reduzidas, recebem à vista e precisam pagar fornecedores, funcionários, aluguel e outras despesas antes de receber novas receitas.

Uma pequena distribuidora, por exemplo, pode depender do dinheiro recebido dos clientes para financiar a compra do próximo lote de mercadorias. Se a parcela tributária for separada imediatamente, será necessário reorganizar o fluxo de caixa para manter as operações.

Por outro lado, o impacto não será igual para todas as empresas. O resultado dependerá do volume de créditos tributários, dos prazos de recebimento, das condições de pagamento e da modalidade de recolhimento adotada.

Por isso, o planejamento financeiro e a revisão dos contratos comerciais serão importantes durante a transição.

O fim do split payment pode reduzir os impostos?

A discussão sobre manter ou retirar o mecanismo envolve mais do que a disponibilidade de dinheiro no caixa empresarial. A arrecadação, os custos de fiscalização e o combate à evasão também influenciam o funcionamento do sistema tributário.

A alíquota de referência do IBS e da CBS deverá ser calculada conforme as regras legais para preservar a arrecadação prevista. Assim, mudanças que reduzam a eficiência da cobrança ou ampliem a evasão poderão pressionar a necessidade de arrecadação por outras vias.

Isso não significa que a retirada do split payment provocaria automaticamente um aumento específico de impostos. O efeito dependeria de estudos técnicos, do comportamento dos contribuintes e das demais regras da reforma.

Também é necessário considerar que o recolhimento poderá ocorrer por outros mecanismos previstos na legislação, incluindo o recolhimento pelo adquirente. Nesse cenário, a obrigação tributária não desaparece: muda a forma de pagamento e a distribuição das responsabilidades operacionais.

Por essa razão, qualquer alteração precisa ser acompanhada de estimativas transparentes sobre arrecadação, custos de conformidade e efeitos econômicos.

Quando o split payment começa a funcionar?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A implementação do novo sistema está associada ao cronograma de transição da reforma tributária, que prevê mudanças graduais até 2033. A CBS entra na fase de implantação em 2027, enquanto o IBS avança progressivamente nos anos seguintes.

O funcionamento efetivo do split payment depende da regulamentação, dos sistemas tecnológicos e das regras aplicáveis a cada operação. Por isso, empresas não devem presumir que todas as vendas serão submetidas imediatamente ao mesmo procedimento.

É importante acompanhar as orientações da Receita Federal, do Comitê Gestor do IBS e das instituições responsáveis pela regulamentação e pela operação do sistema.

Antes da adoção, as empresas devem mapear seus recebimentos, identificar os créditos tributários que poderão utilizar e avaliar a necessidade de capital de giro adicional. A revisão dos sistemas de emissão de notas fiscais e de gestão financeira também pode evitar falhas durante a adaptação.

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