A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta terça-feira (20) um alerta de segurança voltado a usuários de monitores contínuos de glicose, após relatos de que os alarmes sonoros desses dispositivos não estão sendo ouvidos por pacientes, mesmo em situações críticas de hipoglicemia ou hiperglicemia.
Celulares e relógios podem bloquear alertas de glicose, alerta a Anvisa
Anvisa alerta para falhas em alarmes de monitores contínuos de glicose causadas por configurações em celulares e relógios inteligentes. Veja como evitar riscos.
De acordo com o informe, o problema não está relacionado à precisão das medições feitas pelos sensores, mas sim à falta de emissão ou falha na recepção do alerta sonoro, que deveria avisar os usuários quando os níveis de glicose atingem patamares perigosos.
O motivo, segundo a Anvisa, são configurações específicas dos próprios smartphones ou smartwatches, como modos silenciosos, conexões Bluetooth e economia de bateria, que podem suprimir o som dos avisos automáticos.
Leia mais:
Anvisa ainda não aprova teste da vacina contra gripe aviária em humanos pelo Butantan
Como funcionam os monitores contínuos de glicose

Os monitores contínuos de glicose (CGM, na sigla em inglês) são dispositivos que utilizam sensores aplicados na pele — geralmente no braço ou no abdômen — para medir de forma automática e em tempo real os níveis de glicose no líquido intersticial.
Os dados são transmitidos via Bluetooth para aplicativos instalados em celulares e smartwatches, que alertam o usuário sobre alterações fora dos limites normais.
O principal objetivo desses sistemas é prevenir crises severas de hipoglicemia ou hiperglicemia, garantindo maior segurança para pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2, especialmente crianças, idosos e pacientes com histórico de descompensação glicêmica.
Problema está na emissão de alertas sonoros
O alerta da Anvisa destaca que recursos comuns nos celulares e relógios inteligentes podem impedir a emissão do aviso sonoro nos aplicativos integrados aos sensores de glicose. Entre as configurações que mais interferem estão:
- Modo “Não Perturbe” ou modo silencioso
- Função “soneca” ou “modo repouso”
- Modo economia de bateria
- Conexão com fones de ouvido Bluetooth
- Conexão com sistemas de som automotivos
Em alguns casos, o som do alarme pode ser desviado para fones ou outros dispositivos pareados, fazendo com que o alerta não seja ouvido pelo usuário, mesmo em situações críticas.
Medições continuam sendo realizadas corretamente
A falha nos alarmes não compromete a medição em si, segundo a Anvisa. Os sensores continuam transmitindo os dados normalmente para o aplicativo, mas o problema está na etapa de notificação sonora, o que pode colocar em risco a vida do usuário, especialmente se ele estiver dormindo ou em atividades em que não perceba a tela do celular.
Em nota, a agência reforça que os riscos se intensificam para pacientes que dependem exclusivamente dos alertas para agir rapidamente, como aplicar insulina ou ingerir glicose.
Riscos associados à falha de alarme
Hipoglicemia
A hipoglicemia severa (nível de glicose abaixo de 54 mg/dL) pode provocar:
- Confusão mental
- Perda de consciência
- Convulsões
- Coma e até morte, se não tratada imediatamente
Hiperglicemia
A hiperglicemia prolongada (nível acima de 250 mg/dL) pode evoluir para:
- Cetoacidose diabética
- Dano renal e ocular
- Complicações cardiovasculares
- Coma hiperglicêmico
Ambas as condições exigem intervenção imediata, e a falha no alarme pode atrasar essa resposta.
Recomendações da Anvisa aos usuários

Para evitar falhas na emissão de alertas, a Anvisa orienta os usuários a:
1. Verificar as configurações do dispositivo móvel
- Mantenha o modo “Não Perturbe” desativado;
- Desative o modo economia de bateria;
- Aumente o volume do celular ou smartwatch;
- Evite usar fones Bluetooth durante o sono ou atividades críticas;
- Garanta que o aplicativo tenha permissões para emitir som e notificações.
2. Atualizar aplicativos e sistemas operacionais
- Acompanhe atualizações automáticas de apps e do sistema;
- Verifique se a atualização alterou permissões de funcionamento;
- Reconfigure alertas sempre que houver atualização do sistema.
3. Redobrar atenção aos sintomas
- Em caso de sintomas como tremores, tontura, sudorese ou palpitações, confirme os níveis de glicose manualmente, usando o próprio sensor ou realizando uma glicemia capilar com aparelho convencional.
4. Procurar atendimento médico
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
- Se houver dúvidas ou episódios de descompensação, busque orientação médica imediata;
- Não confie exclusivamente no alarme do aplicativo como único recurso de detecção.
Notificação de falhas é essencial
A Anvisa também reforçou que usuários e profissionais de saúde devem relatar falhas ou eventos adversos com os dispositivos de monitoramento de glicose. Os canais oficiais são:
- Usuários comuns: e-Notivisa
- Profissionais e instituições de saúde: sistema Notivisa
Esses relatos ajudam a Anvisa a monitorar riscos, revisar autorizações de uso e emitir alertas atualizados à população.
Dispositivos mais afetados e fabricantes envolvidos
Embora o alerta da Anvisa não tenha citado nomes de marcas específicas, os principais fabricantes de monitores contínuos de glicose no Brasil incluem:
- Abbott (FreeStyle Libre)
- Dexcom (G6 e G7)
- Medtronic (Guardian Connect)
Esses sistemas são amplamente utilizados em hospitais, clínicas e por pacientes em regime de automonitoramento. Os fabricantes recomendam que os apps vinculados aos sensores estejam sempre atualizados e que os usuários leiam atentamente os manuais de uso e segurança.
O que dizem os especialistas

Profissionais de saúde alertam que, embora os monitores contínuos sejam uma revolução no tratamento do diabetes, não devem substituir completamente a percepção de sintomas e o julgamento clínico.
“Tecnologia é um suporte, não um substituto da atenção. O ideal é combinar os dados dos sensores com hábitos saudáveis e uma rotina regular de verificação manual”, diz Dra. Eliane Rocha, endocrinologista especializada em diabetes tipo 1.
Especialistas também recomendam que familiares e cuidadores estejam atentos aos sinais de alerta, principalmente quando se trata de crianças, idosos ou pacientes com hipoglicemia assintomática.
Considerações finais
O alerta da Anvisa sobre a falha nos alarmes de monitores contínuos de glicose serve como um importante lembrete de que, mesmo com o avanço da tecnologia médica, detalhes operacionais e configurações do celular podem comprometer a segurança de um paciente.
Usuários devem revisar as configurações de seus aparelhos, manter os aplicativos atualizados e combinar o uso dos monitores com práticas clínicas tradicionais, como a medição capilar e atenção aos sintomas físicos.
A vigilância contínua da Anvisa, aliada à colaboração dos usuários via notificações no e-Notivisa, é essencial para aprimorar a regulamentação e garantir que a tecnologia continue sendo uma aliada — e não um risco — para o controle do diabetes no Brasil.
