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Renda fixa ganha força no Brasil com juros altos e expansão dos bancos digitais, diz B3

Número de investidores em renda fixa cresce 18% em 2025, impulsionado pela Selic elevada e pela atuação dos bancos digitais.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Renda fixa dinheiro

O mercado de renda fixa vive um dos momentos mais expressivos da última década no Brasil. Dados da B3 indicam que o número de brasileiros que investiram nesse tipo de produto cresceu 18% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O total de investidores passou de 86,1 milhões em 2024 para 101,4 milhões neste ano, consolidando a renda fixa como a principal porta de entrada para o mercado financeiro.

O avanço reflete uma combinação de fatores, entre eles a taxa básica de juros em patamar elevado, a ampliação da oferta de produtos por bancos digitais e a maior facilidade de acesso a investimentos antes restritos a um público mais especializado.

Crescimento expressivo no número de investidores

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Mais de 100 milhões aplicando em renda fixa

Dos 101,4 milhões de investidores registrados em 2025, cerca de 100,3 milhões aplicaram recursos em CDBs ou RDBs, títulos emitidos por instituições financeiras e considerados de baixo risco. Esses produtos se tornaram populares por oferecerem rentabilidade superior à poupança, com liquidez acessível e proteção do Fundo Garantidor de Créditos dentro dos limites estabelecidos.

Expansão do valor sob custódia

Além do crescimento no número de investidores, o volume financeiro aplicado também avançou de forma significativa. O valor em custódia da renda fixa na B3 aumentou 28% em um ano, passando de R$ 2,3 trilhões em 2024 para R$ 2,9 trilhões em 2025. O dado reforça que não apenas mais pessoas estão investindo, mas também destinando volumes maiores aos produtos conservadores.

O papel da B3 no mercado de renda fixa

Registro, custódia e liquidação das operações

Embora não atue diretamente na venda de ativos de renda fixa, a B3 é responsável pelo registro, custódia e liquidação de grande parte dessas operações no sistema financeiro nacional. Isso significa que títulos adquiridos por meio de bancos ou corretoras ficam registrados na infraestrutura da bolsa, permitindo a consolidação e análise dos dados do mercado.

Nova tecnologia para acompanhar investimentos

Recentemente, a B3 lançou um aplicativo que permite ao investidor visualizar extratos, proventos e a evolução da carteira em um único ambiente, mesmo quando os investimentos estão distribuídos entre diferentes instituições. A iniciativa busca ampliar a transparência e facilitar o acompanhamento dos ativos, contribuindo para a educação financeira.

Bancos digitais impulsionam a popularização da renda fixa

Produtos simplificados atraem novos perfis

A expansão dos bancos digitais teve impacto direto na democratização da renda fixa. Ferramentas como “cofrinhos” e “caixinhas” tornaram o investimento mais intuitivo, permitindo aplicações automáticas e valores iniciais baixos. Esse formato aproximou milhões de brasileiros de produtos como CDBs e RDBs, que passaram a fazer parte da rotina financeira de pequenos investidores.

Inclusão financeira e mudança de comportamento

O acesso facilitado contribuiu para uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a buscar alternativas à poupança tradicional. A possibilidade de investir diretamente pelo celular, com poucos cliques, reduziu barreiras históricas e ampliou o alcance do mercado financeiro.

Selic elevada favorece títulos conservadores

Taxa básica em patamar histórico

A taxa Selic encerrou 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, após o Banco Central manter os juros pela quarta vez consecutiva. Esse cenário torna os investimentos em renda fixa especialmente atrativos, principalmente os títulos pós-fixados e os indexados à inflação.

Destaque para pós-fixados e indexados ao IPCA

Os títulos pós-fixados acompanham diretamente a variação da Selic, garantindo retornos elevados enquanto os juros permanecem altos. Já os papéis atrelados à inflação oferecem proteção do poder de compra, somando a variação do IPCA a uma taxa de juros real.

Prefixados ainda despertam interesse

Mesmo oferecendo taxas inferiores à Selic, os títulos prefixados continuam atrativos quando comparados à média histórica brasileira. Eles ganham relevância sobretudo em cenários de expectativa de queda dos juros no médio prazo.

Tesouro Direto também registra avanço

Mais investidores pessoa física

O Tesouro Direto acompanhou a tendência positiva da renda fixa. O número de investidores cresceu 20% em um ano, passando de 2,7 milhões no terceiro trimestre de 2024 para 3,2 milhões em 2025. O movimento reforça o interesse por títulos públicos, considerados os mais seguros do mercado.

Aumento expressivo do valor investido

O valor em custódia no Tesouro Direto subiu 35% no período, saindo de R$ 136,3 bilhões para R$ 183,6 bilhões. O crescimento reflete tanto a entrada de novos investidores quanto o aumento do volume médio aplicado.

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Renda variável segue estável apesar dos juros altos

Número de investidores pouco alterado

Enquanto a renda fixa avança, a renda variável manteve relativa estabilidade. O número de CPFs com investimentos nesse segmento cresceu 3%, passando de 5,3 milhões em 2024 para 5,4 milhões em 2025.

Valor em custódia apresenta leve alta

O valor total investido em renda variável aumentou 5%, de R$ 576 bilhões para R$ 602 bilhões. No mercado de ações à vista, o número de investidores subiu 5%, enquanto o volume financeiro avançou 11%.

FAQ – Perguntas frequentes

O que impulsionou o crescimento da renda fixa em 2025?

A combinação de Selic elevada, maior oferta de produtos pelos bancos digitais e facilidade de acesso aos investimentos.

Qual foi o crescimento no número de investidores em renda fixa?

O total aumentou 18%, passando de 86,1 milhões para 101,4 milhões de investidores em um ano.

Quais produtos concentram a maior parte dos investidores?

CDBs e RDBs, que reúnem mais de 100 milhões de investidores.

Considerações finais

O crescimento da renda fixa em 2025 evidencia uma mudança estrutural no perfil do investidor brasileiro. Juros elevados, maior educação financeira e o avanço dos bancos digitais criaram um ambiente favorável para a popularização de produtos conservadores. Ao mesmo tempo, a estabilidade da renda variável mostra que a diversificação segue como estratégia central, mesmo em um cenário de Selic alta.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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