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Restaurantes pressionam iFood para zerar taxas de entregas para estabelecimentos: o que esperar?

Restaurantes pressionam o iFood por redução de taxas; Fhoresp lidera ação enquanto Rappi e 99Food ganham espaço com comissões zeradas.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
iFood

A crescente insatisfação do setor de alimentação com as plataformas de delivery ganhou força nas últimas semanas. A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) deu início a um movimento para pressionar o iFood a reduzir ou até zerar as taxas cobradas dos estabelecimentos.

Segundo a entidade, que representa cerca de 500 mil empreendimentos, o atual modelo de cobrança é insustentável para os negócios e compromete a rentabilidade dos restaurantes.

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A insatisfação do setor com o iFood

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Imagem: Leonidas Santana/ shutterstock.com

De acordo com Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp, as tentativas de negociação com o iFood já se arrastam há anos, sem sucesso. Para ele, a postura da empresa é de inflexibilidade e abuso de poder de mercado.

“As taxas excessivas fazem com que, praticamente, os restaurantes trabalhem para ela. O monopólio não fez bem ao iFood, que estabeleceu uma relação predatória com os parceiros”, afirmou Pinto.

A crítica central é voltada à cobrança de comissões que, segundo empresários do setor, chegam a até 27% do valor dos pedidos. Em um contexto de margens apertadas e custos operacionais em alta, essas tarifas se tornam, para muitos, insuportáveis.

A resposta do iFood: livre mercado e concorrência

O iFood, que domina cerca de 80% do mercado de delivery de comida no Brasil — segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) —, se defende dizendo atuar dentro das regras de mercado e prezar pelo sucesso dos seus parceiros.

Em nota, a empresa afirmou que “defende o livre mercado e a livre concorrência” e destacou os benefícios que oferece aos 400 mil restaurantes cadastrados. Entre os serviços citados estão:

  • Pagamentos online com diferentes opções;
  • Prevenção de fraudes e estornos;
  • Acesso a dados estratégicos e ações de marketing;
  • Suporte logístico com entregadores.

Além disso, o iFood contesta a acusação de monopólio, argumentando que 65% dos pedidos ainda são feitos via WhatsApp, telefone ou apps próprios dos estabelecimentos, o que mostraria um mercado pulverizado.


A ofensiva da concorrência: 99Food e Rappi entram no jogo

Enquanto a Fhoresp pressiona o iFood, outras plataformas aproveitam o momento para expandir sua atuação no país com promessas agressivas. A 99Food, por exemplo, anunciou em abril seu retorno ao Brasil com uma estratégia ousada: taxa zero para os restaurantes.

Poucos dias depois, foi a vez do Rappi entrar em cena com uma proposta ainda mais impactante. A empresa comunicou um investimento bilionário no país e anunciou a isenção de taxas para os estabelecimentos durante três anos. Antes disso, a plataforma cobrava comissões entre 18% e 23%.

Apoio institucional à concorrência

A movimentação da Rappi conquistou o apoio da Abrasel. Em audiência pública realizada em abril na Câmara dos Deputados, o presidente da entidade, Paulo Solmucci Jr., criticou o modelo de cobrança atual das plataformas, alegando que os custos são repassados ao consumidor.

“Taxas menores para bares e restaurantes significariam preços mais baixos. O consumidor gostaria e tem direito, obviamente, de pagar menos do que atualmente”, afirmou Solmucci.

Apesar do apoio à concorrência, a Abrasel não endossa a proposta de boicote ao iFood liderada pela Fhoresp. Para a associação, a melhor saída é o fortalecimento de um ambiente competitivo.

“O caminho para um mercado melhor não é o boicote, mas sim a concorrência”, concluiu Solmucci.


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O que está em jogo: sustentabilidade do setor e acesso ao consumidor

Na imagem, mãos segurando um celular com a tela inicial do iFood aberta.
Imagem: Diego Thomazini / Shuttetstock.com

A questão central por trás da disputa é a sustentabilidade econômica dos pequenos e médios estabelecimentos. Para muitos donos de restaurantes, o delivery representa uma fatia significativa do faturamento, especialmente após a pandemia. No entanto, o alto custo das comissões tem corroído as margens e dificultado a operação.

Além disso, a dependência de plataformas como o iFood, com sua ampla base de usuários e estrutura logística consolidada, limita o poder de negociação dos empresários. Muitos alegam que não podem simplesmente sair da plataforma, pois perderiam visibilidade e vendas.

Pressão dos entregadores também pesa

Outro fator que torna o cenário ainda mais complexo é o posicionamento dos entregadores. Greves organizadas por motoristas e ciclistas de aplicativos nos últimos anos chamaram atenção para a precariedade das condições de trabalho, e os protestos frequentemente apontam o iFood como alvo.

Os restaurantes, por sua vez, se veem entre dois polos: as demandas dos entregadores por melhores condições e o aumento das próprias despesas operacionais. É uma equação difícil de equilibrar.


Perspectivas: possível regulação à vista?

Com o avanço do debate, cresce a expectativa por uma regulação mais clara do setor. Em Brasília, já há movimentações nesse sentido. A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados tem discutido propostas para limitar as taxas cobradas pelas plataformas, estabelecer transparência nos contratos e assegurar direitos tanto para restaurantes quanto para entregadores.

Especialistas em direito econômico veem com bons olhos uma regulação que traga mais equilíbrio às relações comerciais no setor. Para eles, o avanço tecnológico das plataformas não pode ser justificativa para práticas abusivas.

Imagem: Divulgação/Ifood

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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