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Saiba como regularizar um imóvel sem matrícula

Descubra como regularizar um imóvel sem matrícula e os passos necessários para legalizar a posse. Saiba mais sobre usucapião e outros processos que garantem o seu direito de propriedade

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins6 min de leitura
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A regularização de um imóvel sem matrícula é um processo que gera diversas dúvidas para aqueles que possuem um bem de forma informal ou que herdaram uma propriedade sem o devido registro. A ausência de matrícula no Cartório de Registro de Imóveis pode dificultar a comprovação de propriedade e trazer insegurança jurídica para o dono. 

Neste artigo, vamos explicar o que é necessário para regularizar um imóvel sem matrícula, os processos legais envolvidos, como a usucapião, e as implicações dessa situação no mercado imobiliário.

Leia mais: Certidão de Matrícula de imóvel: para que serve e como emitir?

O que é um imóvel sem matrícula?

Um imóvel sem matrícula é aquele que não possui um registro formal no Cartório de Registro de Imóveis, o que significa que ele não tem um número único de identificação. A matrícula é fundamental para garantir a titularidade do imóvel e a segurança jurídica tanto para o proprietário quanto para terceiros que venham a negociar o bem.

Existem várias razões para um imóvel estar sem matrícula. Alguns dos motivos mais comuns incluem:

  • Falta de regularização inicial: Imóveis adquiridos ou ocupados de forma informal, sem a devida documentação e registro;
  • Pendências legais ou heranças não resolvidas: O processo de sucessão pode ser uma razão para a falta de matrícula, especialmente em casos de imóveis herdados sem o devido registro;
  • Fraudes e venda irregular: Existem casos em que criminosos tentam vender imóveis sem documentação legal, o que também pode resultar na falta de matrícula.

Embora a falta de matrícula não torne o imóvel inexistente, ela gera uma série de complicações que devem ser resolvidas para garantir a legalidade da posse e a segurança jurídica do proprietário.

Imagem: Reprodução/Shutterstock

Quais são os riscos de ter um imóvel sem matrícula?

Insegurança jurídica

O principal risco de ter um imóvel sem matrícula é a insegurança jurídica. Sem o devido registro, o proprietário não pode comprovar sua posse de maneira formal. Isso pode gerar desconfiança no mercado imobiliário, tornando o imóvel difícil de ser vendido ou até mesmo alugado. A falta de matrícula reduz a confiança de potenciais compradores, o que desvaloriza o bem.

Dificuldade de comercialização

Imóveis sem matrícula enfrentam grandes dificuldades no momento de serem vendidos. O mercado imobiliário exige a matrícula como prova de propriedade para validar qualquer transação. Sem esse documento, o processo de compra e venda fica mais burocrático e pode levar a complicações legais.

Impedimento de financiamentos

Para que um imóvel seja financiado, é imprescindível que ele tenha matrícula no Cartório de Registro de Imóveis. Sem esse documento, a possibilidade de obter um financiamento bancário é praticamente nula, o que limita o número de interessados e compromete a comercialização do imóvel.

Risco de fraudes e litígios

A ausência de matrícula também aumenta o risco de fraudes e litígios. Sem o devido registro, terceiros podem tentar reivindicar a propriedade do imóvel ou até falsificar documentos, o que pode levar a disputas judiciais prolongadas, com altos custos financeiros para o proprietário.

Como regularizar um imóvel sem matrícula? Passo a passo

Existem duas principais formas de regularizar um imóvel sem matrícula: o processo tradicional de regularização no Cartório de Registro de Imóveis e o processo de usucapião. Vamos explicar como cada um deles funciona.

1. Processo tradicional de regularização

A regularização de um imóvel sem matrícula via processo tradicional requer a reunião de diversos documentos e o acompanhamento de um procedimento legal. O passo a passo geralmente envolve os seguintes passos:

Passo 1: Reunir a documentação necessária

O primeiro passo para regularizar o imóvel é reunir os documentos que comprovem a posse e a origem do bem. Isso inclui:

  • Documentos pessoais dos antigos proprietários: A finalidade é rastrear a cadeia de propriedade do imóvel, ou seja, identificar todos os donos anteriores;
  • Contrato de compra e venda: Se houver, este contrato deve ser apresentado para comprovar a posse e a transação do imóvel;
  • Comprovante de pagamento de impostos e taxas: Demonstrar que todos os tributos relacionados ao imóvel estão em dia é crucial para a regularização.

Passo 2: Procurar o Cartório de Registro de Imóveis

Com a documentação reunida, o próximo passo é buscar o Cartório de Registro de Imóveis da região onde o imóvel está localizado. O cartório irá analisar os documentos e, se tudo estiver correto, procederá com o registro do imóvel, gerando a matrícula.

Passo 3: Acompanhamento do processo

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Em alguns casos, o processo pode demorar mais do que o esperado. Por isso, é importante acompanhar o andamento da regularização e estar atento a possíveis pendências ou exigências adicionais.

2. Usucapião: Regularização sem o antigo proprietário

Quando não é possível localizar o antigo proprietário, ou quando a cadeia de propriedade não pode ser comprovada de forma tradicional, é possível regularizar o imóvel por meio do processo de usucapião. O usucapião é um direito que permite a aquisição da propriedade de um bem através da posse contínua e ininterrupta ao longo do tempo.

Existem diferentes modalidades de usucapião, e a escolha da mais adequada depende das circunstâncias do imóvel e do tempo de posse. As principais modalidades são:

Usucapião Ordinária

A usucapião ordinária exige que o possuidor do imóvel tenha a posse do bem por um período mínimo de 10 anos, com a intenção de ser proprietário. Além disso, é necessário que a posse seja mansa, pacífica e sem oposição.

Usucapião Extraordinária

A usucapião extraordinária, por sua vez, não exige que o possuidor tenha o ânimo de ser proprietário, mas sim que tenha a posse do imóvel de forma contínua e ininterrupta por 15 anos. Esse processo é menos rigoroso que a usucapião ordinária.

Como comprovar a posse no processo de usucapião?

Para iniciar um processo de usucapião, é necessário reunir documentos que comprovem a posse do imóvel, como:

  • Declarações de vizinhos que confirmem a posse do imóvel por um longo período;
  • Comprovantes de pagamento de impostos, como o IPTU;
  • Fotografias e outros documentos que mostrem a ocupação constante do imóvel.
corretor de imóveis mostrando a maquete de uma casa
Imagem: Orathai Mayoeh / shutterstock.com

Consultoria jurídica para regularizar imóvel

Embora o processo de regularização de imóveis sem matrícula possa ser feito por qualquer pessoa, é altamente recomendável buscar a orientação de um advogado especializado em direito imobiliário. Um advogado pode fornecer informações detalhadas sobre o processo adequado, ajudar a reunir os documentos necessários e garantir que todos os requisitos legais sejam cumpridos.

Imagem: SaiArLawKa2/Shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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