A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, confirmada em janeiro, consolida um dos ciclos monetários mais restritivos das últimas décadas. Trata-se da quinta reunião consecutiva sem alterações na Selic, que permanece no maior patamar em quase 20 anos — movimento já amplamente antecipado pelo mercado financeiro.
Selic em alta muda o jogo: consórcios ganham força com crédito mais caro no Brasil
Com Selic a 15%, consórcios avançam e viram alternativa ao crédito caro no Brasil. Saiba mais detalhes aqui!
Na prática, juros elevados encarecem financiamentos, aumentam o custo do rotativo do cartão e restringem o acesso ao crédito tradicional. Esse cenário costuma desacelerar o consumo e exigir mais planejamento das famílias brasileiras.
Ao mesmo tempo, um efeito paralelo tem ganhado força: a busca por alternativas que permitam adquirir bens sem o peso dos juros compostos. Entre elas, o consórcio vem se destacando como uma das modalidades que mais crescem no país.
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Mercado de consórcios cresce com força em 2025
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o setor vive um ciclo de expansão relevante. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram comercializadas 5,16 milhões de novas cotas, avanço de 15% em relação ao ano anterior.
O crescimento foi ainda mais expressivo em volume financeiro. As cartas de crédito somaram R$ 500,27 bilhões, alta de 32,1%, evidenciando maior interesse por valores mais elevados — especialmente para aquisição de imóveis.
Outro indicador importante é o número de participantes ativos, que chegou a 12,7 milhões em dezembro de 2025, contra 11,2 milhões no mesmo período de 2024 — crescimento de 13,8%.
Os dados reforçam uma mudança comportamental: mais brasileiros estão priorizando planejamento financeiro em vez de decisões imediatas baseadas em crédito caro.
Por que a Selic alta favorece o consórcio
Quando os juros sobem, financiamentos tradicionais se tornam menos atraentes. Em muitos casos, o valor total pago pode dobrar ao longo dos anos.
O consórcio aparece como alternativa porque:
- Não cobra juros (há taxa de administração);
- Permite planejamento de longo prazo;
- Tem parcelas previsíveis;
- Reduz o risco de endividamento acelerado.
Segundo José Climério Silva Souza, diretor-executivo do Consórcio Nacional Bancorbrás, a modalidade permite acesso ao crédito com maior organização financeira.
“O consórcio oferece previsibilidade nas parcelas e permite ao consorciado se programar para aquisição do bem ou serviço sonhado. Além disso, possibilita comprar imóveis, veículos ou serviços sem depender exclusivamente das linhas tradicionais”, destaca o especialista.
Expansão atinge todas as modalidades
Um ponto relevante do crescimento recente é sua abrangência. Diferentemente de outros ciclos, a alta não se concentra em apenas um tipo de bem.
Consórcios de imóveis
Costumam ganhar força em períodos de juros altos, já que o financiamento imobiliário é um dos mais sensíveis à Selic. Muitos consumidores entram no consórcio para formar patrimônio sem pressa.
Exemplo real: famílias que pagariam parcelas superiores a R$ 3 mil em um financiamento podem optar por um consórcio com prestação menor, ainda que precisem aguardar a contemplação.
Consórcios de veículos
Com o crédito automotivo mais caro, consumidores têm usado o consórcio como estratégia para troca planejada do carro — principalmente quem não tem urgência.
Consórcios de serviços
Incluem viagens, cirurgias, educação e até festas. Essa categoria cresce com a maior valorização do planejamento financeiro.
O consórcio é sempre a melhor escolha?
Apesar das vantagens, especialistas alertam que a modalidade não é indicada para quem precisa do bem imediatamente.
Pontos de atenção
- A contemplação pode demorar;
- É preciso disciplina para manter os pagamentos;
- Há taxa administrativa;
- Lances exigem reserva financeira.
Em contrapartida, para quem consegue se organizar, o consórcio pode funcionar como uma espécie de “poupança forçada”.
O que esperar dos juros nos próximos meses
As decisões do Banco Central dependem principalmente de três fatores:
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- Controle da inflação;
- Expectativas do mercado;
- Situação fiscal do país.
Enquanto houver pressão inflacionária ou incerteza econômica, a tendência é que os juros permaneçam elevados — mantendo o consórcio competitivo.
Instituições financeiras já projetam um período prolongado de crédito seletivo, no qual apenas consumidores com bom perfil conseguem taxas mais vantajosas.
Mudança estrutural no comportamento financeiro
O crescimento do consórcio também revela uma transformação mais profunda: o brasileiro está mais atento ao custo total das dívidas.
Depois de ciclos de superendividamento e inadimplência elevados — frequentemente associados a juros altos — cresce o interesse por modalidades que incentivem organização financeira.
Esse movimento aproxima o país de mercados mais maduros, onde o planejamento costuma prevalecer sobre decisões impulsivas.
Vale entrar em um consórcio agora?
A resposta depende menos do cenário macroeconômico e mais do perfil do consumidor.
O consórcio tende a ser vantajoso para quem:
- Não tem urgência na compra;
- Quer evitar juros;
- Busca previsibilidade;
- Pretende formar patrimônio.
Por outro lado, quem precisa do bem rapidamente deve avaliar outras opções — mesmo que mais caras.
O fato é que, com a Selic em 15%, o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar posição estratégica no planejamento financeiro de milhões de brasileiros.
Se os juros continuarem elevados, a tendência é que essa modalidade siga ganhando protagonismo no sistema de crédito nacional.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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