A expectativa do mercado financeiro para a taxa básica de juros no fim de 2026 voltou a cair. Segundo o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central do Brasil, a mediana das projeções para a Selic passou de 12,25% para 12,13%, encerrando um período de oito semanas sem alterações.
Selic deve fechar o ano em 12,13%, aponta mercado
Focus mostra leve queda na projeção da Selic para 2026. Copom sinaliza início de cortes a partir de março. Veja o que muda.
O movimento, ainda que marginal, reforça a percepção de que o ciclo de juros elevados começa a se esgotar, abrindo espaço para uma flexibilização gradual da política monetária ao longo dos próximos trimestres.
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O que é o relatório Focus e por que ele importa
O Focus é um dos principais termômetros das expectativas do mercado. O relatório reúne previsões de bancos, corretoras, gestoras e consultorias econômicas para indicadores-chave da economia brasileira, como juros, inflação, câmbio e crescimento.
No caso da Selic, o Focus funciona como uma síntese do consenso do mercado e é acompanhado de perto pelo próprio Banco Central, investidores e formuladores de política econômica.
Detalhe das projeções mais recentes para a Selic
Apesar da queda na mediana geral para 2026, o relatório mostra nuances importantes quando se observa apenas as estimativas mais recentes.
Projeção para 2026
Considerando as 92 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana permaneceu em 12,00%. Isso indica que, embora o consenso total tenha recuado, parte relevante do mercado ainda mantém uma visão mais conservadora para o nível final dos juros.
Projeção para 2027
Para o fim de 2027, a expectativa segue estável em 10,50%. Esse número permanece inalterado há 54 semanas consecutivas, mostrando forte ancoragem das projeções para o médio prazo.
Projeções para 2028 e 2029
O cenário de juros mais baixos continua nos horizontes mais longos. Para 2028, a Selic esperada segue em 10,00% pela quinta semana seguida. Já para 2029, a mediana permanece em 9,50%, repetindo o mesmo valor pela 17ª leitura consecutiva.
Selic hoje: taxa ainda em nível restritivo
Apesar das projeções de queda, a taxa básica segue elevada no curto prazo. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária decidiu manter a Selic em 15% pela quinta reunião consecutiva.
A decisão refletiu a avaliação de que, embora a inflação apresente sinais de desaceleração, ainda é necessário manter uma política monetária restritiva para garantir a convergência das expectativas à meta.
Copom sinaliza início do ciclo de cortes
Mesmo mantendo os juros no maior nível dos últimos anos, o Copom trouxe um sinal relevante em seu comunicado. O comitê indicou que, se o cenário esperado se confirmar, o processo de flexibilização da política monetária deve começar já na próxima reunião, em março.
Segundo o colegiado, o corte será feito com cautela e sem compromisso prévio com um ritmo acelerado. A prioridade segue sendo o controle inflacionário.
O que explica a queda na projeção para 2026
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A redução da expectativa para a Selic no fim de 2026 está associada a alguns fatores principais:
– Melhora gradual nas expectativas de inflação
– Sinalização mais clara do Banco Central sobre o início do ciclo de cortes
– Arrefecimento da atividade econômica em alguns setores
– Menor pressão inflacionária global em relação a períodos anteriores
Esses elementos têm levado analistas a revisar, ainda que de forma tímida, o patamar final dos juros no médio prazo.
Impactos práticos de uma Selic mais baixa
Para empresas e consumidores, a trajetória descendente da Selic tende a aliviar o custo do crédito ao longo do tempo. Financiamentos, empréstimos e investimentos produtivos costumam reagir de forma positiva à redução dos juros.
No mercado financeiro, juros menores também alteram a atratividade relativa entre renda fixa e renda variável, influenciando decisões de investimento, consumo e planejamento financeiro.
O que acompanhar nas próximas semanas
O foco agora se volta para a próxima reunião do Copom, em março, que pode marcar oficialmente o início do ciclo de cortes. Além disso, novos relatórios Focus devem indicar se a queda nas projeções para 2026 será consolidada ou apenas um ajuste pontual.
Dados de inflação, atividade econômica e cenário fiscal seguirão sendo determinantes para o ritmo e a intensidade da flexibilização monetária.
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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
