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Bolsa Família sobe para R$ 691 após governo anunciar reajuste de 15%

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo pago por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio deve subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777. A nova tabela começa a valer em outubro de 2026, […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
Bolsa Família

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo pago por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio deve subir de aproximadamente R$ 675 para R$ 777.

A nova tabela começa a valer em outubro de 2026, com os primeiros pagamentos previstos a partir de 19 de outubro, conforme o calendário do programa. A correção alcança os benefícios básicos e os adicionais pagos de acordo com a composição familiar.

O reajuste ocorre poucas semanas antes das eleições gerais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e eventual segundo turno para 25 de outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o governo, a atualização corresponde à reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026. A medida também terá impacto significativo nas despesas públicas.

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Quanto o Bolsa Família vai pagar a partir de outubro?

Bolsa Família
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O piso mensal do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691 por família. O benefício médio, que atualmente está na faixa de R$ 675, deverá chegar a cerca de R$ 777 após a atualização.

A diferença entre o valor mínimo e o benefício efetivamente recebido por cada família ocorre porque o programa possui parcelas adicionais vinculadas à composição familiar.

O novo cálculo mantém a lógica de combinar um valor básico com benefícios complementares destinados principalmente a crianças, adolescentes, gestantes e bebês.

Veja os novos valores dos adicionais

Com a atualização anunciada, os principais adicionais passam a ser:

  • R$ 173 por criança de zero a 7 anos incompletos;
  • R$ 58 por gestante;
  • R$ 58 por pessoa de 7 a 18 anos incompletos;
  • R$ 58 por bebê de até 6 meses.

Os valores anteriores eram de R$ 150 para crianças de até 6 anos e R$ 50 para os demais adicionais previstos no programa.

Além disso, o benefício de Renda da Cidadania, que integra a composição do Bolsa Família, também foi atualizado. O valor passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante, conforme as novas regras divulgadas com o reajuste.

Quando começa o pagamento do novo Bolsa Família?

O reajuste será aplicado a partir da folha de outubro de 2026. O calendário oficial do mês começa em 19 de outubro, seguindo a ordem do último dígito do Número de Identificação Social (NIS).

A programação é a seguinte:

Final do NISData de pagamento
119 de outubro
220 de outubro
321 de outubro
422 de outubro
523 de outubro
626 de outubro
727 de outubro
828 de outubro
929 de outubro
030 de outubro

Portanto, o pagamento de setembro não terá o reajuste. A nova tabela será aplicada à folha de outubro.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informa que o calendário segue o dígito final do NIS e que os valores podem ser consultados pelos canais oficiais do programa.

Quem tem direito ao Bolsa Família?

O programa atende famílias em situação de pobreza que cumprem os critérios estabelecidos pelo governo.

Entre as condições está a renda mensal por pessoa de até R$ 218, além da inscrição e manutenção dos dados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), conforme as regras vigentes.

As famílias também precisam cumprir as chamadas condicionalidades do programa nas áreas de saúde e educação.

Isso inclui, por exemplo, acompanhamento pré-natal para gestantes, vacinação e acompanhamento de crianças, além da frequência escolar exigida para crianças e adolescentes.

É preciso fazer um novo cadastro para receber o aumento?

Não. O reajuste é aplicado à folha de pagamentos para as famílias que já são beneficiárias e continuam atendendo às regras do programa.

O beneficiário, porém, deve manter o CadÚnico atualizado e cumprir as condições exigidas. Alterações na composição familiar, endereço, renda ou outras informações cadastrais também devem ser comunicadas conforme os procedimentos do programa.

Quantas famílias recebem o Bolsa Família?

Em agosto, o Bolsa Família alcançou aproximadamente 19,3 milhões de famílias, segundo dados divulgados pelo MDS. Na folha de setembro, o ministério informou média de R$ 678,18 e atendimento a 19,29 milhões de famílias.

O número de famílias atendidas pode variar de uma folha para outra em razão de inclusões, exclusões e revisões cadastrais.

Por isso, o reajuste do valor das parcelas não significa necessariamente que a quantidade de beneficiários permanecerá exatamente a mesma.

Quanto o reajuste vai custar aos cofres públicos?

O governo estima que a atualização terá impacto de aproximadamente R$ 5,8 bilhões nas despesas de 2026, considerando os pagamentos de outubro a dezembro.

Para 2027 e 2028, o impacto anual estimado é de cerca de R$ 22,7 bilhões. Com a mudança, a previsão de gastos do Bolsa Família para 2027 sobe de aproximadamente R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões, segundo as informações divulgadas pelo Ministério do Planejamento.

O governo afirma que há espaço fiscal para absorver a despesa adicional e que o reforço nos mecanismos de combate a fraudes também contribui para a sustentabilidade financeira da medida.

Por que o governo decidiu reajustar o Bolsa Família agora?

O governo apresenta o reajuste como uma reposição da inflação acumulada desde o relançamento do programa, em 2023.

A correção considera a variação do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. A justificativa é preservar o poder de compra dos valores pagos às famílias diante da alta acumulada dos preços.

O Bolsa Família havia sido relançado em março de 2023, com valor mínimo de R$ 600 por família. Desde então, o piso permanecia nesse patamar.

A legislação do programa permite que os valores sejam corrigidos, mas a atualização não ocorre automaticamente todos os anos. A regra prevê possibilidade de revisão dos valores dentro de determinado intervalo, sem estabelecer reajuste anual obrigatório.

O reajuste tem relação com as eleições de 2026?

A proximidade entre o anúncio e as eleições é um dos pontos que passaram a ser discutidos politicamente.

O reajuste foi anunciado em 17 de setembro, enquanto o primeiro turno das eleições de 2026 ocorrerá em 4 de outubro, apenas 17 dias depois. Eventual segundo turno será realizado em 25 de outubro.

O governo sustenta que a medida representa recomposição inflacionária e afirma que o reajuste não viola a legislação eleitoral. Setores da oposição, por outro lado, anunciaram que pretendem questionar a medida na Justiça Eleitoral, segundo relatos publicados nesta quinta-feira.

Essas são posições distintas sobre a medida e não equivalem, por si só, a uma decisão judicial sobre sua legalidade.

A legislação eleitoral estabelece restrições específicas para a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública durante o período eleitoral, mas também prevê exceções, incluindo programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária. A aplicação dessas regras depende das circunstâncias concretas da medida.

O TSE também estabelece restrições específicas a reajustes de remuneração de servidores públicos acima da recomposição inflacionária durante o ano eleitoral, regra que trata de uma situação diferente da atualização do Bolsa Família.

O reajuste estava previsto no Orçamento de 2027?

Não.

A proposta de Orçamento de 2027 enviada anteriormente pelo governo ao Legislativo não contemplava o reajuste agora anunciado. A mudança, portanto, exigirá adequações nas projeções de despesas do próximo ano.

O governo afirma que o espaço fiscal disponível é suficiente para absorver a nova despesa e que os números detalhados serão apresentados no processo de revisão e consolidação das contas.

A diferença entre a previsão orçamentária anterior e o novo custo é um dos pontos que devem ser acompanhados durante a tramitação do Orçamento de 2027.

Como consultar quanto vou receber?

O beneficiário pode verificar o valor liberado pelos canais oficiais.

O MDS informa que a consulta pode ser feita pelos aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem, além do Portal Cidadão da Caixa. Também é possível obter informações pelo Disque Social 121, do MDS, e pela Central de Atendimento da Caixa, no número 111.

A consulta é especialmente útil para confirmar se a nova parcela já foi processada e qual será o valor efetivamente recebido, já que a quantia varia conforme a composição familiar.

O que o beneficiário deve fazer para receber o novo valor?

Não é necessário solicitar o reajuste separadamente.

O principal cuidado é manter o cadastro atualizado e continuar cumprindo as exigências do programa. Quem mudou de endereço, renda, composição familiar ou teve alguma alteração relevante nas informações do CadÚnico deve procurar os canais responsáveis pelo cadastro para fazer a atualização.

Também é recomendável acompanhar o aplicativo do Bolsa Família ou Caixa Tem a partir da liberação da folha de outubro.

O que muda na prática para as famílias?

Bolsa Família
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Para quem já recebe o benefício e continua dentro dos critérios, a principal mudança será o aumento do valor depositado mensalmente.

Uma família que atualmente recebe apenas o piso de R$ 600, por exemplo, passará a receber R$ 691, considerando apenas o benefício mínimo e sem parcelas adicionais.

Já uma família que recebe adicionais terá uma variação maior, porque os valores destinados a crianças, adolescentes, gestantes e bebês também foram reajustados.

O valor final, portanto, não será necessariamente R$ 691 para todos os beneficiários.

Conclusão

O reajuste começa a valer nos pagamentos de outubro, elevando o benefício mínimo do Bolsa Família para R$ 691 e atualizando os valores adicionais conforme a composição de cada família.

Não é necessário solicitar o aumento. O beneficiário deve apenas manter o Cadastro Único atualizado, cumprir as regras do programa e acompanhar o valor da nova parcela pelos aplicativos Bolsa Família ou Caixa Tem.

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