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Bancos projetam início do corte da Selic em março

Bancos projetam início do corte da Selic em março e crédito resiliente em 2026, segundo pesquisa da Febraban com 21 instituições.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana5 min de leitura
Selic

O sistema financeiro brasileiro começa 2026 sob um novo enquadramento de expectativas. Após a reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária, o consenso entre bancos é que o ciclo de flexibilização monetária deve ter início em março, com corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic e repetição desse ritmo nas reuniões seguintes. A leitura é reforçada pela Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos, que ouviu 21 instituições financeiras no início de fevereiro.

A sinalização é relevante por dois motivos. Primeiro, indica que o aperto monetário atingiu seu pico e que o combate à inflação começa a dar espaço para estímulos graduais. Segundo, ajuda a ancorar decisões de crédito, investimento e consumo em um momento de transição, no qual juros ainda elevados convivem com sinais mais claros de desaceleração inflacionária.

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Expectativa de corte da Selic ganha força no mercado

Para 76,2% das instituições ouvidas, a decisão do Copom de manter a Selic inalterada em janeiro foi acertada e funcionou como preparação para o início do afrouxamento monetário. Mais de 60% dos participantes projetam que a taxa básica encerrará dezembro abaixo de 12,25% ao ano, patamar inferior ao indicado atualmente pelo Boletim Focus.

Na prática, isso significa que bancos veem espaço para uma trajetória mais favorável da inflação e, sobretudo, menor risco de desancoragem das expectativas. A leitura contrasta com parte do mercado que ainda trabalha com cautela diante de incertezas fiscais e do cenário internacional, mas aponta uma percepção relativamente mais otimista dentro do setor bancário.

Para empresas e famílias, a antecipação desse movimento importa. Em financiamentos indexados à Selic ou com custo atrelado às curvas futuras de juros, a expectativa de cortes tende a reduzir spreads e melhorar condições de renegociação ao longo do ano.

Crédito mantém fôlego mesmo com juros altos

Apesar do nível ainda restritivo da política monetária, o crédito segue mostrando resiliência. A pesquisa da Febraban revisou para cima a projeção de crescimento da carteira total de crédito em 2026, de 8,2% para 8,4%. O número confirma uma desaceleração gradual após a expansão de 10,2% registrada em 2025, mas ainda aponta ritmo sólido.

Crédito direcionado lidera a expansão

O principal motor do crescimento continua sendo o crédito direcionado, cuja expectativa subiu de 9,4% para 9,6%. Dentro desse segmento, o destaque é a carteira voltada às empresas, com projeção de avanço de 11,1%, ante 9,7% na rodada anterior.

Esse desempenho reflete, em grande medida, programas governamentais de financiamento para micro, pequenas e médias empresas, além de linhas com recursos do BNDES e fundos constitucionais. Na prática, são instrumentos que amortecem o impacto dos juros elevados e sustentam investimentos produtivos.

Famílias e crédito livre mostram moderação

No crédito direcionado às famílias, a projeção recuou levemente, de 9,1% para 9,0%, influenciada pelo dinamismo ainda moderado do crédito rural. Já a carteira livre manteve estimativa estável de crescimento de 7,6%, sinalizando equilíbrio entre demanda e cautela das instituições.

Entre pessoas jurídicas, houve ajuste negativo na carteira livre, de 6,2% para 5,6%, o que indica maior seletividade na concessão fora das linhas incentivadas.

Segundo Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, mesmo com a Selic elevada, o crédito deve manter um bom ritmo de expansão em 2026, ainda que com leve moderação. A revisão positiva concentra-se sobretudo na carteira livre das famílias e nos recursos direcionados às empresas.

PIB mais disperso e leitura menos homogênea

A pesquisa também captou aumento na dispersão das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A fatia de instituições que apostam no crescimento de 1,8%, atual consenso de mercado, caiu de 55% para 38,1%.

Ao mesmo tempo, cresceu tanto o grupo que projeta expansão inferior quanto o que acredita em desempenho superior ao consenso. O dado mais expressivo está neste último grupo: a parcela dos que veem crescimento acima de 1,8% quase dobrou, passando de 15% para 28,6%.

Esse movimento sugere que parte do setor bancário começa a enxergar espaço para uma atividade econômica mais forte, especialmente se o corte de juros se confirmar e houver alguma previsibilidade adicional no campo fiscal.

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Desafio fiscal segue no radar

No front das contas públicas, o cenário permanece exigente. Para 71,4% das instituições ouvidas, o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal deste ano. Entre elas, 47,6% avaliam que o ajuste deve ocorrer pelo lado das despesas, seja via contingenciamento, seja por exclusões pontuais de gastos da meta.

A leitura fiscal continua sendo um dos principais fatores de risco para a trajetória dos juros. Avanços concretos nesse campo tendem a reforçar o espaço para cortes mais consistentes da Selic; frustrações, por outro lado, podem limitar ou interromper o ciclo.

Projeções para 2027 indicam desaceleração controlada

Pela primeira vez, a pesquisa da Febraban incluiu estimativas para 2027. A expectativa é de crescimento de 7,7% da carteira total de crédito, ligeiramente abaixo dos 8,4% projetados para 2026. A composição mostra avanço de 7,4% na carteira livre e de 8,3% na direcionada.

O dado reforça a percepção de um ciclo mais maduro: menos aceleração, mas com expansão consistente, alinhada a um ambiente de juros em queda gradual e crescimento econômico moderado.

Um cenário de transição para decisões financeiras

O conjunto das informações desenha um cenário de transição no Brasil. A Selic ainda está em nível elevado, mas o mercado bancário já precifica o início dos cortes. O crédito desacelera, mas permanece robusto, sustentado por linhas direcionadas e pela demanda das famílias. E o ambiente macroeconômico começa a ganhar contornos de maior previsibilidade, ainda que com desafios fiscais relevantes.

Para consumidores, empresas e investidores, entender essa dinâmica é essencial para tomar decisões mais informadas ao longo de 2026, seja para contratar crédito, investir ou reorganizar o caixa.

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Jessica Cassana

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Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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