O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 4 e 5 de novembro sob grande expectativa do mercado. Embora o foco esteja em possíveis mudanças no discurso da autoridade monetária, a Selic deve ser mantida em 15% ao ano, pelo menos até o fim de 2025.
Selic deve começar a cair somente a partir de 2026: entenda por que o Banco Central adiou a redução
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 4 e 5 de novembro sob grande expectativa do mercado. Embora o foco esteja em possíveis
Especialistas afirmam que, mesmo com espaço técnico para um corte, o comitê deve preservar a coerência com o tom adotado em reuniões anteriores. No entanto, há expectativa de que o comunicado oficial traga sinais de flexibilização da política monetária, preparando o terreno para uma eventual redução no próximo ano.
Continue a leitura para entender por que a Selic ainda não deve cair e quais fatores estão pesando na decisão do Banco Central.
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O que impede a queda imediata da Selic

Segundo Pedro Cutolo, estrategista da ONE Wealth Management, “já há condições técnicas para uma redução dos juros”, mas o Copom tende a manter a taxa estável nesta reunião.
“Entendemos que há espaço técnico para um corte da Selic, mas o comitê deve preservar a coerência do discurso”, afirma Cutolo.
Essa estratégia reflete o compromisso do Banco Central com a credibilidade de sua comunicação. Uma mudança brusca poderia gerar interpretações negativas sobre o controle da inflação, que ainda se mantém próxima do teto da meta para 2025.
Sinais de mudança: tom mais brando nas comunicações
Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, destaca que a atenção do mercado estará voltada ao tom do comunicado.
“A principal dúvida não está na decisão, mas no comunicado. Nas últimas atas, o comitê manteve um discurso duro, com juros altos por muito tempo. A expectativa é de uma leve suavização nesse posicionamento”, explica.
De acordo com ele, o Copom deve começar a baixar a guarda, reconhecendo a desaceleração da economia. Mesmo assim, qualquer decisão sobre cortes dependerá dos indicadores futuros, especialmente da inflação e do câmbio.
Inflação e cenário fiscal: o grande entrave
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 3 de novembro, reforça a leitura de estabilidade: a previsão da Selic segue em 15% até o fim de 2025, enquanto a inflação projetada é de 4,55%, praticamente no teto da meta de 4,5%.
Esses dados refletem as incertezas fiscais e a resistência dos preços em cair. A alta dos gastos públicos e as pressões externas — como o conflito no Oriente Médio e a desaceleração da China — também aumentam o risco de novas pressões inflacionárias.
Em um ambiente de incerteza, manter a Selic elevada ainda é visto como uma forma de garantir a estabilidade e preservar a confiança dos investidores.
Quando a Selic pode começar a cair
Apesar da postura cautelosa, economistas avaliam que os primeiros cortes podem ocorrer a partir de meados de 2026, caso os indicadores mostrem inflação controlada e melhora fiscal.
O próprio Banco Central já sinalizou que pretende evitar movimentos precipitados, privilegiando uma trajetória de redução gradual e sustentável.
Essa postura mais conservadora busca evitar o cenário vivido em ciclos anteriores, quando cortes rápidos acabaram sendo revertidos diante de novas pressões inflacionárias.
O que o mercado espera das próximas reuniões do Copom
O mercado financeiro já precifica a manutenção da Selic em 15% nas próximas reuniões, mas espera mudanças graduais na comunicação do Copom.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- A revisão das projeções de inflação para 2025 e 2026;
- O comportamento do real frente ao dólar;
- A evolução do arcabouço fiscal;
- O ritmo de crescimento da economia.
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Se esses fatores se mantiverem sob controle, o Banco Central poderá iniciar um ciclo de cortes já no primeiro semestre de 2026, sinalizando uma nova fase de política monetária.
Entenda o impacto da Selic no dia a dia
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve como referência para todas as outras taxas cobradas por bancos e instituições financeiras. Quando está alta, o crédito fica mais caro, o que desestimula o consumo e o investimento.
Por outro lado, juros elevados ajudam a conter a inflação, pois reduzem a circulação de dinheiro na economia. Essa é a lógica por trás da decisão do Banco Central de manter a Selic elevada por mais tempo.
Para o consumidor, isso significa:
- Financiamentos e empréstimos mais caros;
- Rentabilidade maior em investimentos atrelados à Selic, como Tesouro Selic e CDBs;
- Desaceleração no mercado imobiliário e de crédito pessoal.
Expectativas para 2026 e além

A expectativa é que o ciclo de cortes da Selic comece de forma gradual e prudente, acompanhando a evolução dos indicadores de inflação e atividade econômica.
Se o cenário fiscal permanecer estável e a economia mostrar sinais de desaceleração, os juros podem voltar a um patamar de um dígito até o fim de 2026.
Economistas alertam, contudo, que a política monetária brasileira ainda enfrenta desafios estruturais, como a dependência de commodities e o elevado custo fiscal do país.
Enquanto isso, investidores e consumidores devem se preparar para mais um ano de juros altos, com impactos diretos no crédito e na renda das famílias.
Com informações de: VEJA
