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2026 será ano da renda fixa, avalia CEO da B3 em meio a eleições

Presidente da B3 prevê Selic entre 11% e 12% em 2026, com impacto positivo no mercado de capitais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Bolsa de valores Freepik e Canva 2

Com uma visão otimista, porém realista, o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, avalia que o mercado de capitais brasileiro pode finalmente encontrar algum respiro em 2026, à medida que a taxa básica de juros da economia, a Selic, deve encerrar o ano entre 11% e 12%. Essa possível redução, segundo ele, traria mais equilíbrio entre os ativos de renda fixa e renda variável, ainda que a liderança continue com os investimentos mais conservadores.

As declarações foram dadas em meio a um cenário de alta global no preço do ouro, movimentações políticas internas de olho nas eleições de 2026 e o impacto da guerra comercial entre Estados Unidos e China — temas que também foram comentados pelo executivo da bolsa brasileira.

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Imagem: Canva

Juros em queda: janela de oportunidade para renda variável?

Para Finkelsztain, embora a renda fixa deva seguir dominante em 2026, uma Selic entre 11% e 12% ao ano já permite uma recomposição no apetite por risco. Atualmente, com juros ainda elevados, o investimento em ações perde atratividade para aplicações como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e outros papéis conservadores que oferecem juro real superior a 7% ao ano.

“Talvez não seja o suficiente para a gente ver uma retomada muito forte, mas certamente veremos um equilíbrio um pouco maior entre as classes de ativos”, pontuou o CEO da B3.

Em um ambiente onde os juros chegaram a 15%, como ocorreu em anos anteriores, a lógica é clara: investidores preferem o retorno garantido da renda fixa, o que afasta capital da Bolsa de Valores e impacta diretamente a captação de empresas, os IPOs e o próprio funcionamento do mercado.

O ano da renda fixa… ainda

Mesmo com a esperada queda dos juros, Finkelsztain alerta que 2026 ainda deve ser, essencialmente, um ano da renda fixa. Isso ocorre porque o Brasil ainda deve operar com um juro real elevado, estimado em cerca de 7% ao ano, o que mantém os ativos conservadores extremamente atrativos — especialmente para investidores institucionais, fundos de previdência e famílias de alta renda.

Comparativo entre ativos em 2026 (projeções)

Tipo de ativoAtratividade esperadaComentário de Finkelsztain
Renda fixaAlta“Juro real de 7% ao ano”
Renda variávelModerada“Mais equilíbrio”
Commodities (ouro)Alta“Busca por proteção”

Recordes do ouro e temor de bolha no setor de tecnologia

O executivo também analisou a recente disparada do ouro, que bateu recordes históricos em 2025. No dia 17 de outubro, o metal precioso alcançou US$ 4.392 a onça troy, acumulando uma alta de mais de 50% no ano.

Para Finkelsztain, o movimento não é isolado, mas sim um reflexo da crescente volatilidade global e da percepção de risco por parte dos investidores. Ele destaca que, além dos fatores geopolíticos, como a guerra comercial, há um receio real sobre uma possível bolha no setor de tecnologia, especialmente nas bolsas americanas.

“Os múltiplos estão elevados, principalmente no setor de tecnologia. Há um temor da formação de uma bolha, como vimos no início dos anos 2000”, alertou.

Segundo ele, o comportamento defensivo dos investidores é compreensível. Com ações em alta e incertezas políticas e econômicas no radar, o ouro volta a ser visto como porto seguro.

Ouro em alta: o que isso revela?

  • Busca por segurança diante da inflação e juros voláteis;
  • Preocupações com ativos supervalorizados, como ações de big techs;
  • Receio com tensões internacionais, especialmente entre EUA e China.

Esse movimento ajuda a explicar a combinação entre boas performances da bolsa e ao mesmo tempo alta no ouro, algo que pode parecer paradoxal à primeira vista, mas que representa diversificação de estratégias dos investidores globais.

Cenário político: o mercado e as eleições de 2026

Imagem: rafapress / shutterstock.com

Um dos pontos mais sensíveis abordados por Finkelsztain foi o cenário político nacional e seu impacto nas expectativas econômicas. Segundo ele, o mercado não tem um candidato favorito para as eleições de 2026, mas há um consenso claro sobre o que espera de qualquer nome que assuma o Planalto: compromisso com o ajuste fiscal.

“O grande clamor do mercado financeiro é uma agenda fiscalmente responsável, independente do candidato”, afirmou.

O CEO da B3 destacou que para a Selic chegar a 9% ao ano, o que seria o ideal para uma retomada forte do mercado de capitais, seria essencial que o próximo presidente:

  • Assuma compromisso com superávit primário;
  • Adote política de contenção de gastos públicos;
  • Tenha postura fiscal clara e crível.

O que o mercado quer em 2026?

Requisitos desejadosImpacto no mercado
Superávit fiscalRedução de juros
Compromisso com reformasEstímulo ao crédito
Estabilidade institucionalRetorno de IPOs
Responsabilidade orçamentáriaConfiança externa

A mensagem é clara: não importa se o presidente for de esquerda, centro ou direita. Para o mercado financeiro, a responsabilidade fiscal é inegociável.

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Tarifaço de Trump e guerra comercial: o impacto no Brasil

Finkelsztain também comentou sobre a retomada da guerra comercial entre Estados Unidos e China, acentuada com o anúncio do presidente Donald Trump de tarifas de até 150% sobre produtos navais chineses.

Segundo ele, o impacto para o Brasil deve ser limitado, especialmente por conta da atuação diplomática do governo Lula, que conseguiu manter uma posição neutra e negociadora no conflito.

“O governo brasileiro está articulando bem o diálogo. Essas novas taxas no exterior não devem pesar aqui”, declarou.

Efeito “duplo” para o Brasil

A guerra comercial, embora arriscada, pode também criar oportunidades para o Brasil, principalmente nos seguintes segmentos:

  • Exportações agrícolas, que podem substituir a China nos EUA;
  • Insumos industriais, com mudança nas cadeias globais;
  • Tecnologia e infraestrutura, se houver incentivos ao desenvolvimento interno.

O papel da B3 em meio às incertezas

Imagem: Isaac Fontana / Shutterstock

Em meio a todos esses fatores — queda da Selic, ouro recorde, eleições e guerra comercial — a B3 (B3SA3) atua como um dos termômetros da confiança dos investidores. O número de CPFs cadastrados, o volume de negociações de ativos de risco e o desempenho do Ibovespa ajudam a indicar como o mercado está se posicionando.

Finkelsztain reforça que a diversificação de produtos da B3 será essencial nesse novo momento. Com a renda fixa ainda em alta, mas a renda variável ganhando espaço, produtos como:

  • ETFs de ouro e tecnologia;
  • Títulos incentivados de infraestrutura;
  • Fundos imobiliários;
  • Créditos de carbono e ativos ESG

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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