O Itaú Unibanco divulgou nesta semana um novo relatório macroeconômico que provocou reação imediata no mercado financeiro.
Projeção do Itaú para a Selic agita investidores: veja os números para 2025 e 2026
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De acordo com o documento assinado pelo economista-chefe da instituição, Mário Mesquita, a expectativa é que a taxa básica de juros, a Selic, termine o ano de 2026 em 12,75% ao ano.
A avaliação marca uma mudança importante na perspectiva de trajetória da política monetária no Brasil e reforça o papel estratégico da taxa nos investimentos e no ritmo da economia.
A previsão é considerada conservadora diante do atual patamar da Selic, que está em 15% ao ano, conforme mantido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em sua última reunião.
A próxima decisão do colegiado acontece nos dias 29 e 30 de julho, e já vem sendo aguardada com atenção redobrada por investidores, economistas e analistas do setor.
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Entendendo a função da taxa básica de juros
A Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação e regular a economia.
Por meio dela, o Copom busca influenciar diretamente o crédito, o consumo e o investimento no país. Em momentos de inflação elevada, como tem ocorrido recentemente, a elevação da Selic tende a encarecer o crédito e, com isso, frear o consumo.
Para o investidor, a Selic serve como referência para diversas aplicações financeiras, principalmente títulos públicos, CDBs e fundos de renda fixa. Quando está em níveis altos, como atualmente, a renda fixa se torna mais atrativa, provocando uma migração de capital da renda variável.
O que diz o Itaú: fim do ciclo de alta e corte só em 2025
Perspectiva de estabilidade em 15% no curto prazo
No documento batizado de “Cenário Macro”, o Itaú aponta que o ciclo de alta iniciado pelo Copom foi encerrado na última reunião, ao manter a taxa em 15%. “Dada a incerteza elevada e os efeitos defasados da política monetária, o Copom deve ter encerrado o ciclo de alta na última reunião”, aponta o relatório.
Corte de juros pode demorar mais do que o previsto
Segundo a projeção de Mesquita, o início do corte nos juros deve ocorrer apenas no primeiro trimestre de 2025. No entanto, o economista alerta que há riscos de esse movimento ser ainda mais tardio. “Riscos seguem inclinados para um corte ainda mais tardio, salvo choques desinflacionários relevantes”, afirma.
Impacto da Selic nos investimentos
Renda fixa em alta: um porto seguro para investidores
Com a Selic em dois dígitos, produtos de renda fixa continuam sendo uma excelente opção. CDBs, LCIs, debêntures e Tesouro Direto oferecem retornos reais positivos, ou seja, acima da inflação. O cenário atual favorece especialmente investidores conservadores e de perfil moderado.
Bolsa em compasso de espera
Enquanto isso, o mercado de ações sofre com a aversão ao risco. O custo de capital elevado, provocado pela Selic alta, diminui o apelo por ativos de renda variável. As empresas, por sua vez, têm mais dificuldade para captar recursos e expandir investimentos.
Fatores externos: Trump, tarifas e dólar
Ameaça tarifária de Trump eleva incertezas
Outro ponto abordado no relatório do Itaú diz respeito ao cenário externo. O ex-presidente dos Estados Unidos e atual pré-candidato, Donald Trump, propôs um aumento tarifário de até 50% sobre produtos importados do Brasil, o que impactaria diretamente as exportações e o desempenho da balança comercial.
Essa medida, se concretizada, interromperia o ciclo de queda do dólar observado nos últimos meses. O Itaú alerta que essa possível guinada protecionista de Trump pode exercer pressão inflacionária adicional, o que dificultaria ainda mais o processo de corte dos juros no Brasil.
Efeito sobre o PIB
A escalada tarifária também traria reflexos negativos para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. As exportações são um componente essencial do crescimento econômico, especialmente em um país com forte presença no agronegócio e em commodities.
Com o aumento de barreiras comerciais, o crescimento previsto para 2026 pode ser revisado para baixo, afetando empregos e renda.
Selic e política fiscal: uma relação delicada
Gastos públicos e confiança do mercado
O ritmo da política monetária também depende da disciplina fiscal. Qualquer descontrole nos gastos do governo pode colocar em dúvida o compromisso com o arcabouço fiscal, o que tende a elevar as expectativas de inflação futura.
Isso, por sua vez, retarda os cortes na Selic e eleva o prêmio exigido pelos investidores para financiar a dívida pública.
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Credibilidade do Banco Central
A credibilidade do Banco Central na condução da política monetária também é um fator observado pelo Itaú. Mudanças frequentes na comunicação, ou sinais de interferência política, podem prejudicar a ancoragem das expectativas e dificultar o processo de desinflação.
Perspectivas para 2025 e 2026: cenário base e riscos
Selic em 2025: possível início da trajetória de queda
Segundo o Itaú, o primeiro trimestre de 2025 deve marcar o início de uma trajetória gradual de redução da Selic, desde que a inflação mostre sinais consistentes de desaceleração. O cenário base é de corte lento, com a taxa fechando o ano em cerca de 13,50%.
Selic em 2026: objetivo é chegar a 12,75%
Para o final de 2026, a projeção é de Selic em 12,75%, ainda elevada, mas em trajetória de flexibilização. Essa projeção, no entanto, pode ser revista em caso de surpresas no cenário internacional ou mudanças abruptas na política fiscal.
Como o investidor deve reagir?

Estratégias recomendadas
Com base no atual panorama, especialistas recomendam:
- Manter posição em renda fixa pós-fixada, aproveitando os altos rendimentos.
- Avaliar ativos indexados à inflação, especialmente se os preços voltarem a subir.
- Evitar exposição exagerada à renda variável até que haja clareza sobre os cortes na Selic.
- Monitorar cenários políticos internacionais, como eleições nos EUA e decisões sobre tarifas.
Atenção à próxima reunião do Copom
O encontro do Copom nos dias 29 e 30 de julho deve confirmar a manutenção da Selic em 15%, mas trará atualizações importantes na comunicação do Banco Central. A expectativa do mercado está centrada no tom do comunicado final, que pode indicar quando e como começará o ciclo de cortes.
Conclusão
A projeção do Itaú para a Selic reacende o debate sobre os rumos da política monetária brasileira. A expectativa de que a taxa feche 2026 em 12,75% aponta para um caminho de desinflação mais lento do que o esperado inicialmente, influenciado por fatores internos e externos.
Para investidores, o momento ainda favorece a renda fixa, enquanto o cenário global e as incertezas fiscais exigem cautela nas decisões de alocação.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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