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Senador do PL levanta alerta sobre o Drex: “Talvez controle nossas vidas”

Senador Carlos Portinho (PL/RJ) levanta alerta sobre o Drex e diz que sistema pode controlar vidas. Declaração ocorreu no Blockchain Rio 2025.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski5 min de leitura
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O senador Carlos Portinho (PL/RJ), líder da bancada do PL no Senado, protagonizou um momento de tensão política durante a Blockchain Rio, realizada nesta quarta-feira (6). Em seu discurso de abertura, Portinho fez declarações ambíguas sobre o Drex, moeda digital do Banco Central, e abordou a polêmica em torno do voto impresso, revelando divisões dentro de seu próprio partido.

A fala, que contou com elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeado pelo governo Lula, surpreendeu pela tentativa de neutralidade em um tema que tem gerado fortes reações entre os parlamentares da direita, especialmente os alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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“Talvez sim, talvez não”: a fala ambígua sobre o Drex

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Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado

Logo no início de sua participação, Portinho afirmou:

“Vou falar de Drex. Que tabu! Não pode falar disso. Eles vão controlar nossas vidas. Talvez. Talvez não. A gente tem que entender sem tabu nenhum, falar das coisas.”

A declaração, ainda que vaga, sugere um esforço de distanciamento das teses conspiratórias que ligam o Drex a mecanismos de controle populacional — uma crítica frequente no campo conservador.

Apesar disso, o senador não abandonou completamente a retórica ambígua, evitando se posicionar de forma contundente, o que pode ser interpretado como uma tentativa de preservar a coesão dentro do PL, partido que abriga alas conservadoras críticas à iniciativa do Banco Central.

Galípolo é elogiado e PL mostra sinais de racha

Durante o evento, Portinho não poupou elogios a Gabriel Galípolo, que se apresentou logo após sua fala. O gesto foi interpretado como uma sinalização positiva ao governo federal, numa tentativa de aproximar o debate sobre o Drex da pauta da inovação e da modernização financeira, e não do controle social.

Essa abordagem, no entanto, contrasta com iniciativas de outros membros do partido. A deputada Júlia Zanatta (PL/SC), por exemplo, apresentou um projeto de emenda constitucional que visa proibir explicitamente a criação de moedas digitais pelo Estado, como o Drex. A proposta expõe o desconforto de parte do partido com o avanço de tecnologias financeiras ligadas ao governo e ao sistema bancário tradicional.

BC tenta se afastar do termo “moeda digital”

A resposta do Banco Central às críticas conservadoras tem sido evitar o uso da sigla CBDC (Central Bank Digital Currency), preferindo o termo Drex, justamente para reduzir a associação com medidas de controle social.

Ainda assim, o receio entre bolsonaristas permanece forte, principalmente diante da desconfiança em relação à centralização dos dados dos cidadãos e à possibilidade de monitoramento digital das transações financeiras.

Tecnologia eleitoral e blockchain: proposta causa polêmica

Após tratar do Drex, Portinho mudou o foco para o sistema eleitoral brasileiro, trazendo à tona um tema sensível para a base bolsonarista: a urna eletrônica. Para o senador, a tecnologia poderia ser atualizada com o uso de blockchain:

“Por que que a gente não pode fazer a atualização das urnas eletrônicas, inserindo nelas em seu background e tecnologia blockchain? Porque virou um tabu.”

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A fala gerou reações divergentes. Enquanto alguns veem a proposta como um avanço tecnológico, outros a interpretam como uma forma velada de questionar a legitimidade do sistema eleitoral, um tema que ganhou destaque após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022.

Voto impresso volta ao debate político

Ao sugerir que o voto impresso pode ser debatido com o uso de blockchain, Portinho reacendeu uma pauta que havia perdido força desde o fim das eleições. No entanto, ele não apresentou detalhes técnicos sobre como essa integração se daria, nem como garantir a inviolabilidade do voto impresso em conjunto com a blockchain.

A junção de tecnologias para modernizar as urnas não é nova, mas sua utilização como argumento político reforça o caráter ideológico da discussão, especialmente num contexto em que parte do Congresso contesta as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Divisão interna no PL pode enfraquecer projeto do Drex

Drex
Imagem: Freepik e Canva

As posições divergentes dentro do PL sobre o PL 80/2023, que trata da regulamentação do Drex, colocam em risco a tramitação do projeto no Senado. Enquanto Portinho adota um tom conciliador e favorável à inovação, outros parlamentares seguem uma linha mais combativa, vendo na moeda digital uma ameaça à liberdade individual.

Essa divisão ideológica interna reflete não só a complexidade do debate sobre o Drex, mas também a dificuldade do Congresso em construir um consenso sobre temas que envolvem tecnologia, finanças e direitos civis.

Considerações finais

A fala de Carlos Portinho durante a Blockchain Rio revela que o debate sobre o Drex vai além da tecnologia: ele expõe divisões políticas, ideológicas e estratégicas dentro do próprio PL. Ao tentar equilibrar inovação com cautela política, o senador caminha sobre gelo fino, especialmente diante de um eleitorado conservador cada vez mais atento e polarizado.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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