Desde 2007, os consumidores brasileiros têm direito a um pacote de serviços bancários gratuitos, garantido pela Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central do Brasil (Bacen). Mesmo assim, muitos usuários de contas correntes e poupanças desconhecem esse benefício e acabam pagando por tarifas que poderiam ser evitadas.
A seguir, explicamos o que está incluso nesse pacote gratuito, como solicitar a adesão, os limites de uso e o que fazer se o banco se recusar a cumprir a norma. Também discutimos o impacto do Pix nesse cenário e por que essa regra é tão importante para a inclusão financeira no país.
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O que é o pacote de serviços essenciais dos bancos
O pacote de serviços essenciais é um conjunto de operações bancárias básicas que devem ser oferecidas gratuitamente por todas as instituições financeiras que operam com contas de pessoa física. Isso significa que qualquer cidadão com conta corrente ou poupança tem direito a movimentar seu dinheiro sem custo, desde que respeite os limites mensais previstos.
Para contas correntes, o pacote gratuito inclui:
- 4 saques por mês, em guichês, caixas eletrônicos ou agências
- 2 transferências mensais entre contas da mesma instituição
- 2 extratos mensais com movimentações dos últimos 30 dias
- 10 folhas de cheque por mês
- Consultas ilimitadas pela internet ou aplicativo
- Cartão de débito gratuito
- Extrato anual consolidado com todas as tarifas cobradas
- Segunda via do cartão de débito gratuita (exceto por perda, roubo ou danos causados pelo cliente)
Para contas poupança, os direitos são semelhantes:
- 2 saques por mês
- 2 transferências para conta de mesma titularidade
- 2 extratos mensais com as últimas movimentações
- Consultas pela internet e aplicativo sem custo
- Cartão de débito gratuito
Bancos não divulgam esses direitos com clareza
Na prática, poucas instituições oferecem esse pacote de forma espontânea. Muitos bancos priorizam planos tarifados, que incluem mais operações, mas com cobrança mensal.
É comum que clientes sequer saibam da existência do pacote gratuito. Alguns bancos até ocultam a opção em seus aplicativos e sites, forçando o consumidor a entrar em contato diretamente com o gerente ou central de atendimento para solicitar.
Como solicitar o pacote de serviços essenciais gratuitos

O processo de solicitação é simples e deve ser feito pelo aplicativo, internet banking, telefone ou diretamente na agência. Basta informar que deseja migrar para o pacote de serviços essenciais gratuitos, conforme previsto na Resolução nº 3.919/2010 do Banco Central.
Passos recomendados:
- Entre em contato com seu banco pelos canais oficiais
- Solicite a mudança para o pacote gratuito
- Guarde o protocolo de atendimento (caso precise registrar reclamação posterior)
- Acompanhe os extratos dos meses seguintes para verificar se houve cobrança indevida
- Em caso de negativa, registre uma reclamação diretamente no site do Banco Central
O que o cliente deve saber sobre os limites
Embora a gratuidade seja garantida por lei, ela está condicionada a limites mensais de uso. Isso significa que, caso o cliente ultrapasse o número de saques, transferências ou extratos gratuitos, o banco poderá cobrar tarifas adicionais, conforme tabela previamente divulgada pela instituição.
Importante:
Esses serviços gratuitos não incluem produtos de crédito, como cheque especial, cartão de crédito, financiamentos, empréstimos ou câmbio. O pacote essencial é voltado apenas para as movimentações básicas da conta.
Pix e canais digitais tornaram o pacote essencial ainda mais vantajoso
Com a popularização do Pix, lançado em 2020, muitos clientes passaram a depender menos de saques e transferências tradicionais. O Pix é gratuito, ilimitado e instantâneo para pessoas físicas, o que permite realizar pagamentos, transferências e recebimentos sem gerar nenhuma tarifa.
Assim, mesmo com os limites do pacote gratuito, é possível manter a conta sem custo, desde que o cliente adote hábitos digitais.
Veja um exemplo de como usar a conta dentro do pacote gratuito:
- Realizar pagamentos e transferências via Pix
- Fazer consultas e extratos pelo app do banco
- Evitar usar cheque (optar por transferências digitais)
- Usar até quatro saques mensais com planejamento
- Evitar pedir segunda via do cartão por danos ou perda
Direito garantido por lei: bancos devem cumprir
A obrigatoriedade dos serviços essenciais gratuitos está em vigor desde 2008, quando foi criada a Resolução 3.518 do Banco Central. Essa norma foi atualizada em 2010 pela Resolução nº 3.919, que continua válida e vigente.
Segundo nota publicada pelo JusBrasil em 2024, a fiscalização é de responsabilidade do Banco Central, e o descumprimento pode gerar sanções administrativas às instituições.
Por isso, se o banco negar ou dificultar o acesso ao pacote gratuito, o cliente pode abrir reclamação no site oficial do Bacen (https://www.bcb.gov.br).
Inclusão financeira e redução de desigualdade
A criação do pacote de serviços gratuitos tem como objetivo ampliar o acesso da população ao sistema bancário, sobretudo entre pessoas de baixa renda, que não conseguem pagar tarifas mensais elevadas.
Antes da regra, muitos brasileiros optavam por não abrir contas bancárias devido ao alto custo. Com a gratuidade garantida, milhões de pessoas puderam receber salários, pagar contas e movimentar seu dinheiro com segurança.
A medida também estimula a educação financeira, reduz a concentração bancária e aumenta a transparência do setor.
Dados mostram que milhões ainda pagam por serviços gratuitos
Apesar da obrigatoriedade, milhares de clientes ainda pagam mensalidades desnecessárias, seja por falta de informação ou pela ausência de orientação por parte do banco.
Segundo levantamento de 2023 do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), cerca de 40% dos clientes bancários não sabem que podem optar por um pacote gratuito. Entre os que conhecem, menos de 20% efetivamente solicitam a mudança.
O que fazer se o banco se recusar a cumprir a regra

Se a instituição negar a adesão ao pacote essencial, o cliente pode:
- Exigir a regulamentação com base na Resolução 3.919/2010
- Registrar uma queixa nos Procons estaduais ou municipais
- Levar o caso ao Banco Central do Brasil
- Compartilhar a situação em plataformas como Reclame Aqui para dar visibilidade
Imagem: Reprodução
