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Sindicato quer reintegração de funcionários no Itaú

Sindicato dos Bancários de São Paulo vai à Justiça para reverter demissões em massa no Itaú, pede readmissão de mais de mil funcionários. Saiba mais!

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Itaú

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região anunciou que irá protocolar, nesta sexta-feira (12), uma ação coletiva na Justiça contra o Itaú Unibanco, buscando a readmissão de mais de mil funcionários demitidos nesta semana.

A medida é uma reação às dispensas realizadas na última segunda-feira (8), que, segundo a entidade, configuram demissões em massa sem negociação prévia com o movimento sindical.

A presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, classificou a atitude do banco como desleal e ressaltou que a Convenção Coletiva de Trabalho e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) determinam a necessidade de comunicação e negociação prévia com sindicatos em casos de desligamentos em larga escala.

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A ação coletiva e seus objetivos

Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Reintegração dos demitidos

O principal pedido do sindicato será a reintegração imediata dos desligados, sob o argumento de que o Itaú descumpriu regras de proteção ao emprego.

Regulação do monitoramento no home office

Além da readmissão, a ação também terá como foco a regulação das ferramentas de monitoramento utilizadas pelo banco no regime de teletrabalho. De acordo com a entidade, tanto os trabalhadores quanto o sindicato não tiveram acesso às métricas utilizadas para justificar as demissões.

Possível segunda ação por danos morais

A entidade estuda ainda propor uma segunda ação coletiva por danos morais, diante da repercussão pública dos desligamentos e do impacto emocional sofrido pelos trabalhadores.


Contexto das demissões no Itaú

Mais de mil funcionários desligados

Segundo informações fornecidas pelo próprio banco ao sindicato, foram dispensados pouco mais de mil trabalhadores apenas em São Paulo, onde se concentra a maior parte das equipes afetadas.

Reunião com os desligados

Na quinta-feira (11), 387 demitidos se reuniram com a entidade sindical. Eles contestaram a justificativa do Itaú, que alegou “inatividade nas máquinas corporativas”. Para os trabalhadores, a justificativa não se sustenta, já que a produtividade envolve muito mais do que movimentação de mouse e teclado.


A posição do sindicato

Críticas à postura do Itaú

Neiva Ribeiro afirmou que a conduta do Itaú fere direitos básicos:

“O Itaú descumpriu regras básicas de proteção ao emprego e desconsiderou a mesa de negociação coletiva. Um banco que lucra bilhões não pode tratar os trabalhadores como números descartáveis.”

Mobilização da categoria

O sindicato também promoveu protestos com carro de som em frente aos prédios do Itaú em São Paulo e já planeja novas manifestações em parceria com a CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro).


O que diz o Itaú

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Justificativa oficial

Em nota à imprensa, o Itaú afirmou que as dispensas fazem parte de um processo de “gestão responsável”, sem objetivo de reduzir quadro de pessoal, mas de “preservar a cultura e a relação de confiança construída com clientes e colaboradores”.

Sobre o monitoramento do teletrabalho

O banco negou que utilize métricas simplistas, como apenas o uso do mouse ou do teclado, para avaliar a produtividade de seus funcionários.

De acordo com o comunicado, o programa de monitoramento respeita a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e coleta dados de múltiplas atividades digitais, como chamadas de vídeo, uso do pacote Office, mensageria corporativa e cursos a distância.


O aspecto jurídico das demissões em massa

O que diz o STF

O Supremo Tribunal Federal já se manifestou em decisões anteriores de que demissões coletivas devem ser precedidas de negociação com sindicatos, ainda que não seja necessário o consentimento formal da entidade.

Convenção coletiva

A Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária reforça essa exigência, estabelecendo regras específicas para desligamentos em larga escala.

Possíveis desdobramentos

Caso a Justiça reconheça a ilegalidade, o Itaú pode ser obrigado a reintegrar os funcionários ou negociar indenizações adicionais, além de eventuais multas trabalhistas.


Monitoramento no home office: a polêmica

Ferramentas de controle digital

O avanço do trabalho remoto desde a pandemia levou muitas empresas a adotar sistemas de monitoramento digital. No caso do Itaú, a prática levantou dúvidas sobre transparência e limites legais.

Falta de acesso às métricas

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Nem os trabalhadores nem o sindicato tiveram acesso aos indicadores que fundamentaram as demissões, o que levanta questionamentos sobre violação de direitos de privacidade e transparência contratual.

Debate sobre a LGPD

Embora o banco afirme respeitar a LGPD, especialistas em direito trabalhista destacam que a lei exige clareza e consentimento explícito para o tratamento de dados pessoais, algo que, segundo relatos, não teria ocorrido de forma satisfatória.


Repercussões no setor financeiro

Pressão sobre a imagem do Itaú

As demissões em massa repercutem negativamente na imagem do banco, especialmente por ocorrerem em um momento em que a instituição reporta lucros bilionários.

Reações de outras entidades

A CONTRAF e centrais sindicais nacionais devem intensificar as críticas ao banco, ampliando a pressão política e midiática.

Precedente para o setor bancário

A disputa judicial pode criar um precedente importante para o setor financeiro, impactando a forma como outros bancos conduzirão eventuais desligamentos coletivos no futuro.


Próximos passos

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Ação protocolada nesta sexta-feira (12)

O sindicato protocolará a ação na Justiça do Trabalho já nesta sexta, pedindo urgência na análise para suspender os efeitos das demissões.

Reunião com a CONTRAF

Na segunda-feira (15), o sindicato se reunirá com a CONTRAF para definir novas medidas conjuntas, que podem incluir mobilizações nacionais.

Mobilização contínua

Enquanto aguarda a tramitação da ação, a entidade sindical pretende manter a pressão sobre o Itaú com atos públicos, assembleias e protestos em frente às agências e prédios administrativos.


Considerações finais

O embate entre o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Itaú Unibanco em torno das demissões em massa evidencia a tensão entre lucros bilionários das instituições financeiras e a precarização das relações de trabalho.

Com uma ação coletiva já pronta para ser protocolada, a disputa deverá se arrastar na Justiça, colocando em debate questões centrais sobre demissões coletivas, transparência no teletrabalho e proteção de dados pessoais.

Independentemente da decisão judicial, o episódio já gera forte repercussão social e política, reacendendo o debate sobre o equilíbrio entre produtividade, tecnologia e direitos trabalhistas em um setor estratégico para a economia brasileira.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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