O sistema financeiro brasileiro voltou a ser alvo de ataques cibernéticos que colocam em xeque a segurança digital de fintechs e bancos. A Sinqia, empresa que atua como fornecedora de tecnologia para o setor financeiro e conecta instituições ao Pix, sofreu mais uma invasão hacker que paralisou temporariamente seu serviço de QR Code. Diferentemente de outros casos recentes, desta vez não houve desvio de valores nem exposição de dados sensíveis.
Sinqia, fintech que conecta bancos ao Pix, sofre invasão e interrompe sistema
Fintech Sinqia sofre ataque hacker que interrompeu sistema do Pix, mas sem vazamento de dados ou perdas financeiras.
O episódio reforça a necessidade de fortalecer a cibersegurança em um ambiente no qual as transações instantâneas se consolidaram como parte da rotina de milhões de brasileiros.
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O ataque mais recente

Segundo comunicado da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o Banco Central notificou o setor sobre a indisponibilidade do sistema de QR Code Pix da Sinqia.
De acordo com a entidade, o ataque funcionou como uma espécie de sobrecarga: “É como se milhões de pessoas falsas tentassem entrar ao mesmo tempo em uma mesma fila de caixa eletrônico. A fila trava e quem realmente precisa usar não consegue ser atendido”.
O BC, questionado pela imprensa, ainda não forneceu detalhes técnicos sobre a ação. A Sinqia confirmou a paralisação temporária, mas garantiu que não houve prejuízo financeiro para clientes nem roubo de informações pessoais.
Histórico recente de ataques ao sistema financeiro
Este não é um caso isolado. Desde junho, ao menos quatro episódios graves foram registrados contra empresas que operam sistemas de pagamento no Brasil:
- Junho – C&M Software: ataque resultou em prejuízo estimado em R$ 1 bilhão. Investigações da Polícia Civil de São Paulo apontaram envolvimento de um funcionário que teria vendido credenciais de acesso.
- Julho – novo ataque à C&M Software: hackers voltaram a mirar a empresa, reforçando vulnerabilidades na operação.
- Agosto – Sinqia: a fintech já havia registrado um ataque com desvio de cerca de R$ 710 milhões, parte posteriormente recuperada.
- Setembro – Monbank: hackers desviaram R$ 4,9 milhões por meio do sistema de TED. A fintech comunicou o Banco Central e a Polícia Federal, além de ressarcir o valor.
- Setembro – novo ataque à Sinqia: indisponibilidade temporária, mas sem perdas financeiras desta vez.
A sequência de ataques evidencia a sofisticação dos criminosos e pressiona fintechs e bancos a investir ainda mais em infraestrutura de proteção digital.
O que diz a ABFintechs
Em nota, a ABFintechs ressaltou que a prioridade agora é mitigar riscos e garantir a confiança dos usuários. A entidade reforçou quatro recomendações principais:
- Monitoramento contínuo de todas as transações financeiras, com atenção a comportamentos suspeitos.
- Reforço nos mecanismos de autenticação, como múltiplos fatores de verificação.
- Comunicação imediata ao Banco Central sobre incidentes relevantes.
- Integração das equipes de segurança e prevenção a fraudes, assegurando avaliação de riscos em tempo real.
As orientações refletem a necessidade de uma atuação coordenada entre fintechs, reguladores e forças policiais para reduzir vulnerabilidades.
Por que fintechs viraram alvo frequente?
O sucesso do Pix, que já supera bilhões de transações mensais, atraiu a atenção de hackers. Fintechs, muitas vezes menores e com estruturas tecnológicas mais recentes, podem ser vistas como elos frágeis da cadeia financeira.
Criminosos exploram brechas nos sistemas e, em alguns casos, contam com informações privilegiadas, como demonstrado na investigação contra a C&M Software. Além disso, ataques de sobrecarga (conhecidos como DDoS) não precisam, necessariamente, buscar roubo de valores, mas podem comprometer a imagem e a credibilidade das empresas.
O papel do Banco Central
O Banco Central é responsável por supervisionar o sistema de pagamentos brasileiro e tem reforçado medidas para elevar a segurança das operações. No entanto, especialistas afirmam que a onda de ataques mostra a necessidade de:
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- Investimentos constantes em tecnologia antifraude;
- Auditorias regulares nas instituições participantes do Pix;
- Cooperação internacional para rastrear redes criminosas;
- Maior transparência na divulgação de falhas, evitando que a população seja pega de surpresa.
Até agora, o BC tem optado por uma postura mais discreta, divulgando informações apenas para entidades do setor, mas a pressão por maior comunicação pública cresce a cada novo episódio.
Impactos para os usuários do Pix

Apesar da gravidade dos ataques, o usuário final do Pix não teve prejuízos diretos nos incidentes mais recentes. Ainda assim, especialistas alertam que a repetição desses episódios pode gerar:
- Desconfiança no sistema de pagamentos instantâneos;
- Instabilidade momentânea na realização de transferências;
- Aumento da pressão para que fintechs pequenas adotem padrões robustos de cibersegurança.
No curto prazo, a recomendação para os usuários é manter práticas seguras, como habilitar verificação em duas etapas, usar senhas fortes e estar atento a comunicações suspeitas em aplicativos financeiros.
Perspectivas e próximos passos
A Sinqia e demais fintechs investigadas pelos ataques trabalham em conjunto com o Banco Central e órgãos de investigação para reforçar a segurança de suas plataformas.
A expectativa é de que, nos próximos meses, novas camadas de autenticação e monitoramento sejam implementadas.
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