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Receita Federal prepara sistema da reforma tributária 100 vezes maior que o Pix

A entrada em vigor do novo modelo de impostos sobre o consumo criará um dos maiores sistemas de processamento de dados já operados pelo governo brasileiro. Resultante da reforma tributária, a plataforma será responsável por organizar e registrar todas as transações de compra e venda realizadas no país, substituindo uma estrutura fragmentada e baseada em […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 4 min de leitura
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A entrada em vigor do novo modelo de impostos sobre o consumo criará um dos maiores sistemas de processamento de dados já operados pelo governo brasileiro. Resultante da reforma tributária, a plataforma será responsável por organizar e registrar todas as transações de compra e venda realizadas no país, substituindo uma estrutura fragmentada e baseada em milhares de normas municipais, estaduais e federais.

Com previsão de lançamento oficial na terça-feira (13), durante cerimônia que também marcará a sanção do PLP 108/2024, o sistema está sendo desenvolvido pelo Serpro, em parceria com a Receita Federal. A complexidade tecnológica supera até o volume atualmente direcionado ao Pix, segundo revelaram executivos da estatal.

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O que muda com a reforma tributária

A reforma tributária aprovada extingue cinco tributos que incidem sobre o consumo no Brasil: PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Sua substituição se dará por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que busca simplificar a cobrança e padronizar a incidência fiscal.

Estrutura dos novos impostos

O IVA brasileiro será composto por dois tributos distintos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): arrecadação federal
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): compartilhado entre estados e municípios

A CBS será administrada pela Receita Federal, enquanto o IBS terá gestão compartilhada, respeitando mecanismos de compensação entre regiões.

Motivo para digitalização em larga escala

Hoje, empresas precisam lidar com centenas de legislações e sistemas diferentes em cada território. Isso inclui regras municipais para ISS, legislações estaduais de ICMS e plataformas federais para PIS, Cofins e IPI.

Com o IVA, toda essa estrutura será centralizada, unificada e digital. Cada nota fiscal gerará informações sobre origem, destino, valor, alíquota e crédito tributário, que serão transmitidas a um único sistema nacional.

O tamanho do projeto digital

A dimensão tecnológica da mudança chama atenção de especialistas. Segundo o presidente do Serpro, Wilton Mota, “o sistema da reforma tributária é gigantesco, porque a reforma muda completamente não só o modelo de tributação do país, mas também o modelo de como as empresas fazem o pagamento de seus impostos hoje”.

Comparação com o Pix

O Pix processou cerca de 65 bilhões de transações em 2024. Com o novo sistema, o Serpro afirma que o volume anual será ainda maior, chegando a aproximadamente 70 bilhões de transações por ano.

No entanto, o ponto mais relevante é o tamanho dos dados por transação. Uma operação via Pix possui em média 400 bytes. Já uma transação tributária poderá carregar em média 40.000 bytes — ou seja, 100 vezes mais dados por operação.

Essa diferença se explica porque o Pix registra apenas pagador, recebedor e valor, enquanto o IVA envolve uma série de informações fiscais.

Dados que serão processados por transação

Cada transação tributária deve incluir:

  • Dados da empresa vendedora
  • Dados da empresa ou consumidor comprador
  • Tipo de produto ou serviço
  • Valor da operação
  • Alíquota aplicável
  • Créditos tributários gerados
  • Destinação dos recursos
  • Registro para compensação futura

Isso transforma cada compra em um pacote complexo de informações.

Volume total de armazenamento anual

De acordo com o Serpro, o sistema poderá adicionar entre 5 e 7 petabytes de dados por ano ao ambiente tecnológico público. Hoje, o Serpro administra cerca de 50 petabytes em toda sua infraestrutura. Ou seja, apenas a reforma tributária elevará a carga em mais de 10%.

Lançamento oficial e regulamentação final

O anúncio da plataforma ocorre junto à sanção do PLP 108/2024, considerado a “segunda etapa” da regulamentação. A primeira etapa havia sido aprovada em 2023, com a inclusão do modelo constitucional do IVA.

Cronograma de transição gradual

A transição será feita em fases:

  • 2026: início dos testes sem cobrança
  • 2027 a 2032: sistema híbrido com cobrança parcial
  • 2033: substituição definitiva do modelo antigo

Essa janela de transição busca evitar paralisações e permitir que empresas adaptem seus sistemas.

Benefícios esperados para o setor público e privado

Além da simplificação tributária, os órgãos envolvidos destacam ganhos de eficiência administrativa e modernização digital.

Para o governo

Entre os benefícios previstos:

  • Redução da sonegação e da informalidade
  • Aumento de rastreabilidade das operações
  • Agilidade no compartilhamento de dados entre entes federativos
  • Controle centralizado de créditos e compensações

Para empresas

Para o setor privado, a expectativa é reduzir custos com:

  • Cumprimento fiscal
  • Sistemas múltiplos e redundantes
  • Obrigações acessórias fragmentadas

O modelo aproxima o Brasil de padrões adotados na Europa e na OCDE.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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