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Nova plataforma da reforma tributária promete processar volume muito maior que o Pix

Entenda o que é o split payment, como funcionará a cobrança automática de impostos e por que o sistema será maior que o Pix.

Julia FernandesPor Julia Fernandes6 min de leitura
Nova plataforma da reforma tributária promete processar volume muito maior que o Pix

A reforma tributária sobre o consumo começa a ganhar forma no Brasil com a implementação de um novo modelo de arrecadação conhecido como split payment. Embora o nome ainda seja pouco familiar para a maioria da população, a tecnologia é considerada uma das principais apostas do governo para reduzir a sonegação fiscal, simplificar o recolhimento de tributos e aumentar a eficiência da arrecadação.

O tema ganhou destaque após especialistas apontarem que a infraestrutura necessária para operar o sistema será muito maior do que a utilizada atualmente pelo Pix. Segundo estimativas do governo, a plataforma deverá processar cerca de 70 bilhões de documentos fiscais por ano, movimentando um volume de dados aproximadamente 170 vezes superior ao sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.

Apesar da comparação com o Pix, é importante esclarecer que o split payment não substitui o sistema de pagamentos instantâneos. Na prática, trata-se de uma tecnologia que fará a divisão automática do valor pago pelo consumidor, separando a parcela correspondente aos impostos do restante destinado ao vendedor.

O que é o split payment?

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O split payment, expressão em inglês que significa “pagamento dividido”, é um mecanismo que permitirá a retenção automática dos tributos incidentes sobre uma operação comercial.

Hoje, quando um consumidor realiza uma compra, o valor integral é recebido pela empresa, que posteriormente recolhe os impostos dentro dos prazos estabelecidos pela legislação.

Com o novo modelo previsto na reforma tributária, esse processo muda.

No momento do pagamento, o sistema fará automaticamente a separação dos valores. A parcela referente aos tributos será direcionada aos entes públicos responsáveis pela arrecadação, enquanto o restante seguirá para a conta da empresa.

O objetivo é reduzir erros, aumentar a transparência e diminuir o risco de inadimplência tributária.

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Como o sistema funcionará na prática?

Imagine uma compra de R$ 500 em uma loja.

Atualmente, todo esse valor entra na conta da empresa. Depois, ela calcula quanto deve recolher em impostos.

Com o split payment, o processo será automatizado.

Exemplo prático

Supondo que parte do valor da operação corresponda aos novos tributos sobre o consumo:

  • o consumidor continua pagando os mesmos R$ 500;
  • o sistema identifica automaticamente quanto corresponde aos impostos;
  • essa parcela é enviada diretamente ao governo;
  • o restante é creditado na conta do estabelecimento comercial.

Todo esse procedimento ocorrerá em poucos segundos e de forma integrada aos meios eletrônicos de pagamento.

Quais impostos serão recolhidos automaticamente?

O split payment foi desenvolvido para atender às mudanças promovidas pela reforma tributária.

O sistema será utilizado principalmente na arrecadação dos novos tributos sobre o consumo:

CBS

A Contribuição sobre Bens e Serviços substituirá tributos federais como PIS e Cofins.

IBS

O Imposto sobre Bens e Serviços substituirá gradualmente ICMS e ISS, unificando parte da tributação estadual e municipal.

A expectativa é que a cobrança desses tributos seja mais simples e transparente para empresas e consumidores.

O Pix vai acabar?

Não.

Uma das dúvidas mais comuns surgiu justamente após a comparação entre os dois sistemas.

O Pix continuará funcionando normalmente para transferências, pagamentos e recebimentos.

O split payment utilizará a infraestrutura dos meios eletrônicos de pagamento, podendo inclusive operar em conjunto com o Pix, cartões e outras modalidades utilizadas no mercado.

Ou seja, o consumidor dificilmente perceberá mudanças na forma de realizar suas compras.

Por que dizem que o sistema será 170 vezes maior que o Pix?

A comparação está relacionada à quantidade de informações processadas.

Enquanto o Pix registra bilhões de transações financeiras por ano, o split payment precisará analisar simultaneamente pagamentos, documentos fiscais, alíquotas tributárias, créditos fiscais e distribuição de recursos entre União, estados e municípios.

Isso exigirá uma infraestrutura tecnológica de grande porte para garantir rapidez, segurança e disponibilidade permanente.

Quais serão os benefícios?

Especialistas apontam diversas vantagens para o novo modelo.

Redução da sonegação

Como parte dos tributos será recolhida automaticamente, diminui o risco de inadimplência e fraudes fiscais.

Simplificação tributária

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Empresas poderão contar com processos mais automatizados para recolhimento dos impostos.

Maior segurança jurídica

O modelo reduz divergências entre valores recolhidos e documentos fiscais emitidos.

Mais transparência

A arrecadação tende a se tornar mais eficiente, permitindo maior rastreabilidade das operações.

Empresas precisarão se adaptar

Apesar das vantagens, a implementação exigirá investimentos em tecnologia.

Bancos, adquirentes de cartões, fintechs, plataformas de pagamento, emissores de documentos fiscais e empresas de software precisarão adaptar seus sistemas para atender às novas exigências previstas pela reforma tributária.

Pequenos e médios empresários também deverão acompanhar essas mudanças, principalmente em relação aos sistemas de gestão, emissão de notas fiscais e integração com plataformas de pagamento.

Quando o split payment começa a valer?

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A implementação ocorrerá de forma gradual, acompanhando o cronograma da reforma tributária.

Os novos tributos CBS e IBS terão período de transição antes da substituição completa dos impostos atuais.

Durante essa fase, governo, empresas e instituições financeiras trabalharão conjuntamente para adaptar seus sistemas e garantir que a nova tecnologia funcione de maneira segura e eficiente.

O consumidor perceberá alguma diferença?

Para a maioria das pessoas, a experiência de compra deve permanecer praticamente a mesma.

O consumidor continuará utilizando Pix, cartão de crédito, cartão de débito ou outros meios eletrônicos normalmente.

A principal mudança acontecerá nos bastidores, com a separação automática dos tributos durante o processamento da operação.

Essa característica faz com que especialistas considerem o split payment uma das maiores transformações tecnológicas já realizadas na administração tributária brasileira.

Conclusão

O split payment representa uma das principais inovações da reforma tributária brasileira e promete transformar a forma como os impostos sobre o consumo são arrecadados. Ao automatizar a divisão dos valores pagos em cada compra, o sistema busca reduzir a sonegação, simplificar obrigações fiscais e aumentar a eficiência da arrecadação.

Embora sua estrutura tecnológica seja muito maior do que a do Pix, os dois sistemas possuem funções diferentes e poderão operar de forma integrada. Para o consumidor, a mudança tende a ser quase imperceptível. Já para empresas, bancos e governos, o novo modelo exigirá adaptações importantes, mas poderá trazer ganhos significativos de transparência e segurança para o sistema tributário brasileiro.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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