O Supremo Tribunal Federal (STF) dá sequência, nesta quinta-feira (24), a mais uma rodada de interrogatórios no processo que apura a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro. A sessão ocorre por videoconferência e inclui depoimentos de investigados dos núcleos 2 e 4 da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Filipe Martins e Silvinei Vasques são ouvidos pelo STF em caso de golpe
STF ouve nesta quinta (24) novos réus da trama golpista de 2022. Entre os acusados estão Filipe Martins e Silvinei Vasques, do núcleo próximo a Bolsonaro.
Esses grupos são considerados peças-chave na articulação para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, vencidas pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação penal é uma das mais relevantes já conduzidas pelo STF no campo da defesa do Estado Democrático de Direito.
Leia mais:
Oficial da PM PR 2025: passos essenciais para passar no concurso público
Filipe Martins e Silvinei Vasques estão entre os principais réus

Acusação contra Filipe Martins
De acordo com a denúncia da PGR, Filipe Martins teria apresentado um jurista a Jair Bolsonaro com o objetivo de elaborar uma “minuta do golpe”, documento que sugeria decretar estado de sítio ou estado de defesa. A ação visava impedir a posse de Lula, mesmo após a derrota nas urnas.
Acusação contra Silvinei Vasques
Já Silvinei Vasques é acusado de ter comandado operações da PRF no segundo turno das eleições com o objetivo de dificultar o voto de eleitores do Nordeste, região onde Lula tinha ampla vantagem. A PGR afirma que as blitzes foram deliberadas e tiveram caráter político.
Militares e agentes formam o Núcleo 4
Ações atribuídas ao Núcleo 4
Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de maneira coordenada para propagar fake news, desacreditar as urnas eletrônicas e inflamar a opinião pública contra os poderes constituídos. Essas ações teriam alimentado a radicalização que culminou nos atos golpistas investigados.
Réus podem permanecer em silêncio
Como já se tornou praxe nas audiências do caso, os réus têm o direito de permanecer em silêncio durante os interrogatórios. A medida está garantida pela Constituição e não pode ser usada como prova de culpa.
Ainda não há confirmação oficial se o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, conduzirá pessoalmente a audiência ou delegará a tarefa a um juiz auxiliar do gabinete.
Fase final do processo
Interrogatórios encerram a fase de instrução
A realização dos interrogatórios marca uma das últimas etapas da ação penal. Após as oitivas, as defesas devem apresentar suas alegações finais. A expectativa é de que os primeiros julgamentos ocorram ainda no segundo semestre deste ano.
Núcleo 1 já passou por interrogatório
Os depoimentos dos réus do Núcleo 1, que inclui Jair Bolsonaro e outros nomes centrais da trama, foram colhidos no mês passado. Essa etapa do processo já está nas alegações finais e deve ser pautada para julgamento em setembro.
Núcleo 3 será ouvido na próxima semana
Os réus do Núcleo 3, ainda não ouvidos, devem ser interrogados na segunda-feira (28). Esse núcleo é formado por apoiadores civis que participaram da disseminação de atos antidemocráticos e do apoio logístico aos ataques de 8 de janeiro.
Detalhamento dos núcleos e réus convocados
Quem são os réus do Núcleo 2
- Filipe Martins – Ex-assessor especial de assuntos internacionais de Jair Bolsonaro
- Marcelo Câmara – Ex-assessor direto do ex-presidente
- Silvinei Vasques – Ex-diretor-geral da PRF
- Mário Fernandes – General do Exército
- Marília de Alencar – Ex-subsecretária de Segurança Pública do Distrito Federal
- Fernando de Sousa Oliveira – Ex-secretário-adjunto da Segurança Pública do DF
Quem são os réus do Núcleo 4
- Ailton Gonçalves Moraes Barros – Major da reserva do Exército
- Ângelo Martins Denicoli – Major da reserva do Exército
- Giancarlo Gomes Rodrigues – Subtenente do Exército
- Guilherme Marques de Almeida – Tenente-coronel do Exército
- Reginaldo Vieira de Abreu – Coronel
- Marcelo Araújo Bormevet – Policial federal
- Carlos Cesar Moretzsohn Rocha – Presidente do Instituto Voto Legal
Acusações e enquadramentos penais

Os réus respondem a uma série de crimes, que, segundo a PGR, foram praticados de forma coordenada e com o uso de aparato público. Entre os principais tipos penais estão:
- Organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado pela violência e grave ameaça
- Deterioração de patrimônio tombado
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A gravidade das acusações é apontada pelo STF como uma ameaça direta à democracia e à soberania popular expressa pelo resultado eleitoral de 2022.
Contexto político e jurídico do processo
Um julgamento com forte impacto institucional
A série de processos relacionados à tentativa de golpe de Estado se tornou um divisor de águas no Judiciário brasileiro. O STF, especialmente por meio do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, tem adotado uma postura firme na apuração e responsabilização dos envolvidos.
O caso é visto como emblemático por envolver figuras do alto escalão do governo anterior, além de setores das Forças Armadas e da segurança pública. Especialistas apontam que o julgamento terá consequências duradouras na forma como o Brasil trata ameaças à democracia.
Repercussão internacional
Organizações internacionais de direitos humanos, observadores políticos e veículos de imprensa estrangeiros acompanham de perto os desdobramentos do caso. O Brasil tem sido citado como exemplo de resistência institucional diante de tentativas de ruptura democrática.
Expectativas para os próximos meses
Com a conclusão das oitivas, o foco passará para a fase de julgamento. O STF deverá analisar o mérito das ações e decidir pela absolvição ou condenação dos réus. Caso condenados, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão, dada a gravidade dos crimes.
A depender da sentença, o processo também poderá abrir caminho para outras responsabilizações, inclusive no campo eleitoral e administrativo. A inelegibilidade de figuras centrais como Bolsonaro já foi determinada em outras frentes, mas novos desdobramentos podem surgir a partir das decisões do Supremo.
Um momento decisivo para a democracia brasileira

O avanço das investigações e dos julgamentos sobre a tentativa de golpe de 2022 coloca o Brasil diante de um momento histórico. A condução firme do STF é considerada essencial para restaurar a confiança da sociedade nas instituições e assegurar que não haja impunidade para quem atentou contra a vontade popular.
A atuação dos núcleos denunciados mostra como diferentes setores se articularam em uma tentativa coordenada de ruptura democrática. A responsabilização, segundo juristas, é uma exigência constitucional e moral do Estado de Direito.
Conclusão
Em síntese, o processo conduzido pelo STF contra os núcleos investigados evidencia a importância da Justiça na defesa da democracia brasileira. Ao enfrentar uma tentativa coordenada de golpe, envolvendo figuras de alto escalão e setores militares, o Judiciário reafirma seu papel fundamental para garantir a soberania popular e a estabilidade institucional. O desfecho desse julgamento será crucial para fortalecer as instituições e enviar uma mensagem clara contra ameaças à ordem democrática no país.
