O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu para 2 de setembro o início do julgamento da ação penal que tem como réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, todos acusados de participação em uma tentativa de Golpe de Estado. A informação foi confirmada pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF.
STF define data para julgar Bolsonaro por envolvimento em trama golpista
Supremo define início do julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe, em setembro de 2024.
O julgamento está marcado para começar às 9h e terá oito sessões reservadas, sendo seis delas extraordinárias — realizadas fora do horário regular da Primeira Turma. As demais sessões estão previstas para os dias 3, 9, 10 e 12 de setembro, conforme cronograma divulgado pela secretaria da Primeira Turma.
O julgamento contará com a participação do relator, ministro Alexandre de Moraes, e dos demais integrantes da Primeira Turma: Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Como de costume, todas as sessões serão transmitidas pela TV e Rádio Justiça, além do canal oficial do STF no YouTube, garantindo transparência para o público.
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Contexto da Ação Penal 2668

A ação penal nº 2668 é resultado de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e analisadas pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Segundo a denúncia, Bolsonaro liderou um plano para se manter no poder mesmo após a derrota na eleição de 2022.
De acordo com a narrativa da PGR, a tentativa de golpe começou a ser estruturada em meados de 2021, quando o então presidente teria orientado membros de seu governo a atacar o sistema eletrônico de votação, desacreditando o processo eleitoral e criando um ambiente propício a uma ruptura democrática.
O ápice dessa tentativa de golpe ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Esse episódio ficou marcado como um dos momentos mais graves da história democrática recente do país.
Entre as provas apresentadas estão minutas de decreto golpista encontradas em endereços dos investigados, bem como rascunhos de planos batizados de “Luneta”, “Copa 2022” e “Punhal Verde Amarelo”. Alguns desses planos incluíam ações extremas, como o sequestro e assassinato de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin.
Réus e acusações
O núcleo 1 da trama, ou núcleo “crucial”, é formado por Bolsonaro e sete aliados. Todos os réus foram acusados de cinco crimes:
- Organização criminosa armada
- Golpe de Estado
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Dano qualificado
- Deterioração de patrimônio tombado
Somadas, as penas podem superar 30 anos de prisão.
Defesas dos réus
As defesas apresentaram alegações finais recentemente, encerrando o prazo na quarta-feira (13). A defesa de Bolsonaro classificou a denúncia da PGR como “absurda” e afirmou se tratar de um “golpe imaginado”.
Por sua vez, os demais réus não contestaram a existência de uma trama golpista, mas buscaram desvincular seus clientes de qualquer envolvimento direto, mesmo reconhecendo a tentativa de golpe. Todos os advogados solicitaram a absolvição completa de seus clientes.
Sessões extraordinárias e transmissões públicas
O STF programou seis sessões extraordinárias para acelerar o julgamento, garantindo que o caso seja analisado com profundidade. Além da primeira sessão em 2 de setembro, outras sessões ocorrerão nos dias 3, 9, 10 e 12 de setembro.
As transmissões serão integralmente públicas, seguindo a política de transparência do tribunal. Os cidadãos poderão acompanhar cada etapa pelo YouTube, TV Justiça e Rádio Justiça, permitindo amplo acompanhamento das discussões e votos dos ministros.
Impactos políticos e jurídicos
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O julgamento da ação penal nº 2668 representa um momento histórico na Justiça brasileira, com implicações diretas para o cenário político e institucional do país. Entre os principais impactos, destacam-se:
- Fortalecimento do Estado Democrático de Direito, ao responsabilizar líderes por tentativas de golpe.
- Possível repercussão eleitoral, influenciando a imagem pública de Bolsonaro e aliados.
- Precedente jurídico para casos de crimes contra a ordem democrática.
- Monitoramento de grupos políticos, reforçando a fiscalização de possíveis atos antidemocráticos.
O caso também evidencia a importância da prova documental e investigativa, como minutas de decretos e planos detalhados, para embasar acusações em processos de alta complexidade.
Cronograma completo das sessões

O STF divulgou que o julgamento seguirá o seguinte cronograma:
- 2 de setembro: duas sessões (manhã e tarde)
- 3 de setembro: sessão única
- 9 de setembro: sessão única
- 10 de setembro: sessão única
- 12 de setembro: sessão única
A expectativa é que o julgamento se estenda por todas as sessões agendadas, garantindo análise detalhada das acusações, provas e defesas.
O STF marcar o julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe é um marco para a história democrática brasileira. A ação penal 2668 representa o mais avançado caso judicial sobre a trama golpista, envolvendo o núcleo mais relevante do complô denunciado pela PGR.
Com transmissões públicas, sessões extraordinárias e acompanhamento de toda a sociedade, o julgamento promete definir precedentes jurídicos e políticos de grande relevância, reforçando o papel da Justiça na proteção da democracia.
Com informações de: Agência Brasil
