Por maioria de votos, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quarta-feira, 18 de junho de 2025, a concessão de segurança vitalícia para ex-ministros da Corte. A decisão foi tomada durante uma sessão administrativa realizada de forma virtual e marca uma mudança significativa nas normas internas de proteção aos magistrados que já deixaram o cargo.
STF decide conceder segurança vitalícia a ministros aposentados
STF aprova segurança vitalícia para ex-ministros. Medida amplia proteção após aposentadoria, citando aumento de ameaças e exposição pública.
Leia mais:
STF vai decidir se empregados de estatais podem ser forçados a se aposentar aos 75, entenda

Entenda a decisão do Supremo Tribunal Federal
Até então, o serviço de segurança pessoal destinado a ex-ministros do STF era limitado a 36 meses após a aposentadoria, com possibilidade de uma prorrogação por mais 36 meses. Agora, com a nova medida aprovada, a proteção será estendida por tempo indeterminado.
O objetivo, segundo os ministros, é garantir a integridade física daqueles que ocuparam uma das funções públicas mais expostas do país, especialmente em um cenário de crescente polarização política e aumento das ameaças direcionadas a autoridades do Judiciário.
Origem da proposta: a manifestação de Marco Aurélio Mello
A mudança no regime de segurança teve origem em uma manifestação encaminhada ao Supremo pelo ministro aposentado Marco Aurélio Mello. Em seu pedido, Mello argumentou que os ex-ministros permanecem expostos a riscos e ameaças mesmo após o fim de seus mandatos.
Segundo o ministro aposentado, o benefício de segurança institucional vitalícia é uma necessidade para preservar a integridade dos ex-integrantes da Corte, considerando a relevância e a visibilidade que eles mantêm mesmo depois da aposentadoria.
A justificativa do presidente do STF, Luís Roberto Barroso
Ao levar o tema para votação, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, reforçou os argumentos de Marco Aurélio Mello. Em sua exposição, Barroso destacou o aumento da exposição pública dos ministros nos últimos anos e o consequente crescimento no número de ameaças recebidas.
“Dado o grau de visibilidade do tribunal, mesmo após a aposentadoria, esses magistrados permanecem expostos a perigos que decorrem diretamente do exercício da função pública. Por isso, entendo que se justifica a extensão da oferta de serviços de segurança institucional por período mais prolongado”, afirmou o presidente da Corte.
Barroso também lembrou que os ministros do STF, ao longo de sua carreira, tomam decisões que afetam os interesses de diferentes grupos políticos, econômicos e sociais, o que os torna alvos potenciais de retaliações.
Como era a segurança para ex-ministros antes da decisão

Antes da aprovação da segurança vitalícia, os ex-ministros contavam com o serviço de proteção institucional por até três anos após a aposentadoria. Caso comprovada a necessidade, o prazo poderia ser estendido por mais três anos, totalizando no máximo seis anos de cobertura.
A decisão de concessão ou prorrogação da segurança era avaliada caso a caso, considerando fatores como nível de exposição, histórico de ameaças e a situação de segurança pessoal de cada ex-magistrado.
O que muda com a nova medida
Com a aprovação da segurança vitalícia, todos os ex-ministros do STF passam a ter direito ao serviço de proteção por tempo indeterminado, sem necessidade de novas solicitações ou avaliações periódicas. A medida terá efeito imediato, contemplando inclusive os atuais ministros aposentados.
Entre os serviços previstos estão escolta pessoal, monitoramento de segurança em residências e acompanhamento em deslocamentos oficiais ou privados, sempre sob a responsabilidade da Secretaria de Segurança do Supremo.
Impacto orçamentário e custo para o contribuinte
A estimativa de gastos com a nova política de segurança vitalícia ainda não foi divulgada oficialmente pelo STF. Especialistas apontam que o custo pode ser significativo, considerando o número de ex-ministros atualmente vivos e o padrão de segurança exigido para proteção de autoridades de alto escalão.
Fontes internas indicam que os valores ainda estão sendo calculados e que a Corte deve apresentar um detalhamento futuro sobre o impacto financeiro da medida.
Segundo analistas, o aumento de despesas com segurança institucional pode gerar debates dentro e fora do Poder Judiciário, especialmente em um cenário de restrições orçamentárias e discussão sobre os gastos públicos.
Argumentos favoráveis à decisão
Os defensores da medida ressaltam que os ministros do STF, ao exercerem suas funções constitucionais, muitas vezes tomam decisões polêmicas que afetam interesses poderosos. Isso os torna alvos de ameaças, mesmo anos após a aposentadoria.
Além disso, a visibilidade pública adquirida pelos magistrados ao longo dos anos de atuação na Suprema Corte os expõe a riscos superiores aos de outras autoridades públicas.
Outro argumento apresentado é que a manutenção da segurança é uma forma de garantir a independência do Judiciário, protegendo os ex-ministros de pressões e intimidações.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Críticas e controvérsias sobre a segurança vitalícia
Por outro lado, a decisão também gerou críticas de especialistas em gestão pública e de setores da sociedade civil. Alguns argumentam que o custo da medida pode ser elevado e que a extensão da segurança deveria ser analisada caso a caso, com base em relatórios concretos de risco.
Há também questionamentos sobre o momento da decisão, já que o Brasil enfrenta restrições fiscais e busca reduzir gastos com a máquina pública.
Outra crítica recorrente é que a medida beneficia um grupo restrito de pessoas, ampliando privilégios em um país onde a maioria da população não tem acesso a segurança pública eficiente.
Quantos ex-ministros serão beneficiados?
Atualmente, há pelo menos dez ex-ministros do STF ainda vivos que poderão ser contemplados pela nova política de segurança vitalícia. Entre eles estão nomes como Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Ricardo Lewandowski e outros que se aposentaram recentemente.
Com o tempo, esse número tende a crescer, aumentando o impacto da medida sobre o orçamento destinado à segurança institucional do Supremo.
Tendência internacional: como outros países tratam a segurança de ex-autoridades
A decisão do STF segue uma tendência observada em algumas democracias ao redor do mundo. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, ex-presidentes têm direito a segurança vitalícia garantida pelo Serviço Secreto.
No entanto, é menos comum que juízes aposentados de Cortes Supremas recebam esse tipo de proteção permanente. Na maioria dos casos, a segurança é concedida por tempo limitado ou mediante comprovação de ameaça real.
Próximos passos: regulamentação e execução da medida

Após a aprovação na sessão administrativa, o STF deverá regulamentar os detalhes operacionais da nova política de segurança vitalícia. Isso inclui a definição de critérios logísticos, o número de agentes designados por ex-ministro, os equipamentos necessários e os protocolos de atuação.
A Secretaria de Segurança da Corte ficará responsável pela implementação da medida, além de definir o treinamento e a alocação de recursos humanos para atender à nova demanda.
Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
