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Motoboy tem vínculo empregatício confirmado pelo STF com empresa de logística

Mesmo com suspensão nacional de processos sobre pejotização, STF manteve o vínculo empregatício entre motoboy e empresa de logística.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
INSS STF

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, manter o vínculo empregatício reconhecido pela Justiça do Trabalho entre um motoboy e a empresa de logística Tex Courier. A decisão foi proferida nesta terça-feira (25/6), em julgamento de uma reclamação constitucional (Rcl 73.042), mesmo diante da suspensão nacional de processos sobre pejotização determinada pelo ministro Gilmar Mendes no Tema 1389 da repercussão geral.

A Corte entendeu que a suspensão de Mendes não se aplica aos casos que tramitam no próprio STF e que apresentam elementos claros de relação empregatícia, como subordinação, habitualidade e exclusividade.

Entenda o caso: o vínculo entre o motoboy e a Tex Courier

99Food STF
Imagem: Tricky_Shark / shuttestock.com

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Decisão trabalhista questionada pela empresa

A Tex Courier levou ao Supremo Tribunal Federal uma contestação contra a decisão da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro, que determinou a existência de vínculo laboral com um motofretista. A empresa alegou que o profissional exercia suas atividades de maneira autônoma, sem subordinação ou contrato empregatício.

Julgamento no STF: destaque e voto do relator

Zanin identifica vulnerabilidade e ausência de registro

O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, votou pela improcedência da reclamação da Tex Courier, destacando dois pontos principais: a condição de vulnerabilidade do motoboy — que recebia apenas R$ 3 por entrega — e a ausência de inscrição no cadastro específico previsto na Lei nº 11.442/2007.

Zanin observou que o trabalhador não se enquadrava como transportador autônomo de carga segundo os requisitos legais, e por isso a competência da Justiça do Trabalho se manteria. Ainda destacou que, nesses casos, a análise da situação concreta é essencial para definir a existência ou não de vínculo empregatício.

Suspensão de processos e divergência interna no STF

Tema 1389 e repercussão geral

Durante o julgamento, o ministro Luiz Fux levantou questão de ordem, apontando que, com a instauração do Tema 1389, o ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão nacional de todos os processos que discutem pejotização. A dúvida era se a 1ª Turma poderia continuar apreciando a matéria.

No entanto, Zanin esclareceu que a própria 1ª Turma já havia decidido anteriormente — no julgamento da Rcl 77.104, de 12 de junho — que essa suspensão não se aplicaria aos casos em tramitação dentro do próprio Supremo. O entendimento foi reforçado pelo ministro Alexandre de Moraes, que sustentou que o processo em questão apresentava características claras de vínculo de emprego.

A visão dos ministros: subordinação e relação exclusiva

Alexandre de Moraes: caso não é semelhante ao dos aplicativos

O ministro Alexandre de Moraes destacou que o caso não se confunde com o de motoristas de aplicativos, que operam com liberdade de horário e múltiplas plataformas. Segundo Moraes, o motoboy em questão prestava serviços exclusivamente para a Tex Courier, com subordinação direta e jornada controlada — o que, em sua avaliação, caracteriza a relação empregatícia.

A ministra Cármen Lúcia alertou para os prejuízos causados pela demora no julgamento de temas com repercussão geral, especialmente para trabalhadores mais vulneráveis, e defendeu cautela do STF ao tratar desses casos.

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Unanimidade e manutenção da decisão trabalhista

STF - Imposto sobre Herança
Imagem: Fellip Agner / Shutterstock.com

Ao final da sessão, a 1ª Turma do STF decidiu, por unanimidade, não conhecer o agravo da Tex Courier, mantendo a decisão do TRT-1 que reconheceu o vínculo empregatício. Para os ministros, o caso analisado possuía particularidades que justificavam o julgamento imediato, mesmo com a suspensão nacional imposta no Tema 1389.

FAQ – Perguntas frequentes

O que foi decidido pelo STF no caso da Tex Courier?
A 1ª Turma do STF manteve o vínculo empregatício entre um motoboy e a empresa Tex Courier, reconhecido pela Justiça do Trabalho.

Por que a decisão foi tomada mesmo com a suspensão dos processos sobre pejotização?
Os ministros entenderam que a suspensão imposta pelo ministro Gilmar Mendes não se aplica aos casos em tramitação no próprio STF, especialmente aqueles com elementos claros de vínculo trabalhista.

Qual a importância da Lei nº 11.442/2007 nesse julgamento?
A lei trata do transporte autônomo de cargas. O motoboy não estava registrado conforme essa norma, o que enfraqueceu o argumento de que se tratava de um prestador de serviço autônomo.

Considerações finais

A decisão da 1ª Turma do STF de manter o vínculo empregatício entre um motoboy e a empresa Tex Courier reforça a necessidade de análise individualizada das relações de trabalho, especialmente em um cenário cada vez mais marcado por vínculos atípicos, como a pejotização e o trabalho sob demanda.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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