A última semana de julho promete fortes emoções para o mercado financeiro global. Em meio à chamada “Super Quarta”, tanto o Banco Central do Brasil (Copom) quanto o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, anunciam suas decisões sobre as taxas de juros. Enquanto isso, se encerra o prazo imposto pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para a definição de tarifas comerciais, adicionando incertezas ao ambiente externo.
Calendário econômico: Copom e Fed decidem juros na Super Quarta; prazo do tarifaço termina
Copom e Fed decidem juros na Super Quarta; tarifas e dados econômicos agitam a última semana de julho.
Combinando decisões monetárias, divulgação de indicadores-chave e um cenário político tenso no comércio internacional, a semana será decisiva para os rumos da economia nos próximos meses.
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Copom deve manter Selic em 15% diante do cenário doméstico

No Brasil, os olhos do mercado estão voltados para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta-feira (30). A expectativa majoritária é de manutenção da taxa Selic em 15%, conforme sinalizado na reunião anterior.
Analistas apontam que, embora a inflação esteja controlada, os sinais de desaceleração na atividade econômica ainda não são fortes o suficiente para justificar novos cortes. O Bradesco, por exemplo, considera a decisão como parte de uma estratégia mais conservadora do Banco Central frente a um ambiente global instável.
Indicadores nacionais: desemprego e produção industrial no radar
Além da decisão sobre os juros, o Brasil divulgará dois indicadores importantes nesta semana. Na quinta-feira (31), o IBGE apresenta a taxa de desemprego referente a junho, com projeção de estabilidade em 6,0%, refletindo um mercado de trabalho ainda robusto.
Já na sexta-feira (1º), sairá a produção industrial de junho, o primeiro indicador de atividade econômica do mês. A estimativa dos analistas é de alta de 1% na comparação com maio, o que pode reforçar a visão de recuperação moderada do setor produtivo.
Fed também deve manter juros; mercado atento ao comunicado
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve também se reúne na quarta-feira (30) para decidir sobre sua política monetária. O consenso entre analistas é de que a taxa de juros permanecerá no intervalo atual, entre 4,25% e 4,50% ao ano.
No entanto, a atenção do mercado estará voltada para o tom do comunicado que acompanhará a decisão. Sinais sobre possíveis cortes futuros ou preocupações com a inflação podem movimentar as expectativas em relação à trajetória da economia norte-americana.
Tensão comercial: fim do prazo para negociação de tarifas
Um dos principais pontos de incerteza da semana envolve o comércio internacional. O ex-presidente Donald Trump fixou o dia 1º de agosto como prazo final para definir novas tarifas, após já ter imposto uma taxa de 15% sobre exportações da União Europeia.
As negociações com o Brasil continuam travadas. Enquanto isso, o governo brasileiro avalia medidas de resposta. Entre as possibilidades, estão ações indiretas, como revisão de políticas de propriedade intelectual, ou concessões envolvendo minerais estratégicos — alternativas com viabilidade política questionável.
O Ministério da Fazenda estuda, ainda, um pacote de apoio às empresas afetadas por eventuais tarifas, o que pode incluir incentivos fiscais e linhas de crédito.
Resultados corporativos esquentam o noticiário financeiro
A semana também marca o auge da temporada de balanços trimestrais, com divulgações relevantes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No cenário nacional, os destaques são Ambev, Mercado Livre, Santander, TIM, Vale e Vivo. Já em Wall Street, grandes empresas de tecnologia como Apple, Amazon, Meta e Microsoft devem apresentar seus números do segundo trimestre, o que pode influenciar diretamente os índices acionários globais.
Agenda econômica da semana: eventos-chave dia a dia
Segunda-feira (28/07)
- FGV divulga INCC-M e sondagem da construção.
- Banco Central publica relatório semanal Focus.
- CNI divulga sondagem da indústria da construção.
- Balança comercial semanal (Secex).
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Terça-feira (29/07)
- FGV apresenta sondagem da indústria.
- Nos EUA, saem dados da balança comercial de junho e confiança do consumidor.
Quarta-feira (30/07) – Super Quarta
- Copom anuncia decisão sobre a Selic.
- EUA divulgam PIB do 2º trimestre e Fed define política de juros.
- China, Europa, Alemanha e México também revelam dados de PIB.
Quinta-feira (31/07)
- IBGE divulga taxa de desemprego de junho.
- FGV publica indicador de incerteza econômica.
- EUA apresentam dados de renda, gastos e deflator do PCE.
Sexta-feira (01/08)
- IBGE revela produção industrial de junho.
- EUA divulgam payroll e taxa de desemprego de julho.
- Alemanha e Europa atualizam índices de preços e atividade industrial.
Expectativas do mercado: cautela com possíveis surpresas

Apesar da previsão de manutenção das taxas de juros, o mercado financeiro permanece em compasso de espera quanto aos desdobramentos dos discursos e comunicados. Mudanças no tom do Copom ou do Fed podem influenciar a precificação dos ativos nas bolsas e no câmbio.
No Brasil, o fator político-comercial envolvendo as tarifas impostas pelos EUA também pode ganhar peso nos próximos dias. Caso não haja avanço nas negociações, o impacto sobre exportadores brasileiros pode se intensificar.
