A imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gerou alerta no Comitê de Política Monetária (Copom). Em ata divulgada nesta terça-feira (5), o Banco Central afirmou que os impactos da medida sobre o Brasil ainda são incertos, embora já se possa observar riscos relevantes para determinados setores da economia.
Tarifa dos EUA tem efeito incerto e pode afetar setores no Brasil, indica Ata do Copom
Ata do Copom aponta incertezas sobre impactos da tarifa dos EUA ao Brasil, alertando para efeitos setoriais e riscos à inflação.
A nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo norte-americano, entra em vigor nesta quarta-feira (6). Segundo a autoridade monetária brasileira, as consequências para a inflação e a atividade econômica vão depender da condução das negociações entre os dois países nas próximas semanas.
“Se, de um lado, a aprovação de alguns acordos comerciais, assim como os dados recentes de inflação e atividade da economia norte-americana poderiam sugerir uma situação de redução da incerteza global, de outro, a política fiscal e, em particular para o Brasil, a política comercial norte-americanas tornam o cenário mais incerto e mais adverso.”, diz o texto da ata.
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Selic mantida, mas cenário exige cautela prolongada

Na reunião da semana passada, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, interrompendo o ciclo de altas dos juros. O comitê justificou a decisão com base nas incertezas do cenário externo, que incluem o novo tensionamento entre Brasil e EUA, além de dados ainda elevados de inflação e resiliência do mercado de trabalho brasileiro.
“Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, afirmaram os diretores do BC.
Além disso, o documento reforça a necessidade de manter uma postura vigilante frente a eventos que possam pressionar os preços, como oscilações cambiais decorrentes de tensões comerciais internacionais.
Tarifas e riscos externos agravam incerteza global
A ata também aborda o contraste entre sinais positivos da economia dos EUA — como a inflação mais controlada e o avanço em acordos comerciais com outros países — e a adoção de medidas protecionistas em relação ao Brasil, que, segundo o BC, aumentam a instabilidade do ambiente global.
A combinação de fatores torna a atuação da política monetária mais desafiadora, principalmente por conta da sensibilidade da economia brasileira a choques externos. O Copom se comprometeu a acompanhar de perto os canais de transmissão desses riscos para os preços internos.
Negociações em meio a tensões políticas
O governo brasileiro, por sua vez, tenta contornar a crise. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que os Estados Unidos demonstraram interesse em iniciar uma conversa bilateral ainda nesta semana. Segundo ele, as tratativas podem envolver uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Contudo, o cenário político interno pode atrapalhar. A prisão domiciliar decretada para o ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciada na noite de segunda-feira (4), adiciona um elemento inesperado às tensões diplomáticas. A medida judicial foi interpretada por analistas como um dos estopins para a reação tarifária norte-americana, embora o governo brasileiro ainda busque manter o diálogo aberto.
Setores brasileiros podem ser duramente atingidos
A elevação de 50% na tarifa atinge produtos que representam parte significativa das exportações brasileiras para os EUA, embora a lista exata dos itens afetados ainda não tenha sido divulgada na íntegra.
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Especialistas apontam que setores como o de manufaturados, siderurgia, agronegócio e tecnologia podem ser os mais impactados, com perda de competitividade e queda nas receitas de exportação. A médio prazo, isso pode gerar efeitos sobre o mercado de trabalho e sobre a arrecadação do país.
O temor do Copom é que tais efeitos setoriais, embora pontuais no início, acabem influenciando os preços internos, especialmente se houver impactos no câmbio ou no custo de importação de insumos.
Inflação segue pressionada no Brasil

Mesmo antes da nova tensão tarifária, o cenário inflacionário no Brasil já vinha sendo acompanhado com atenção pelo Banco Central. As projeções mais recentes seguem acima da meta oficial, e os índices de preços ao consumidor mostram resistência em cair.
O mercado de trabalho aquecido e a atividade econômica mais forte do que o esperado contribuem para essa pressão inflacionária. A introdução de novos choques externos, como o das tarifas, exige ainda mais prudência da autoridade monetária.
Por isso, o Copom sinalizou que a manutenção da taxa Selic em patamar elevado será mantida por mais tempo do que o inicialmente previsto.
Com informações de: Money Times
