O governo dos Estados Unidos, sob a administração do ex-presidente Donald Trump, reativou uma série de tarifas sobre produtos importados, incluindo 3,8 mil itens vindos do Brasil, com sobretaxas de até 50%. Essa decisão, anunciada em 2024 e vigente em 2025, pode impactar diretamente o bolso dos consumidores americanos, encarecendo produtos essenciais e bastante consumidos no país.
Tarifa de Trump ao Brasil pode encarecer 7 produtos para consumidores americanos
Tarifas de 50% sobre produtos brasileiros devem elevar preços de itens como café, carne e açúcar nos EUA em 2025.
Segundo análise do The Budget Lab, centro de pesquisa da Universidade de Yale, a aplicação dessas tarifas pode provocar um aumento inflacionário de 1,8% no curto prazo para os EUA, o que equivale a uma perda de poder de compra de cerca de US$ 2.400 (R$ 13,4 mil) por domicílio em 2025.
Entre os produtos brasileiros mais afetados estão sete que representam cerca de 43,4% das exportações do país para os EUA. São itens amplamente consumidos na América, cuja alta de preços pode ser sentida em supermercados e mercados locais nos próximos meses.
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7 produtos brasileiros que podem ficar mais caros para os americanos

1. Café
O café brasileiro domina as importações americanas, correspondendo a aproximadamente um terço do consumo externo dos EUA, que é o maior consumidor mundial da bebida. Com a sobretaxa de 50%, os americanos enfrentam a perspectiva de preços mais altos, já que a produção doméstica do café é quase inexistente fora de pequenas plantações no Havaí e em Porto Rico.
Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, afirma que “pela importância do café brasileiro na pauta de importação dos EUA, acreditava que o país teria dificuldade para encontrar um substituto”. A Colômbia, segundo maior fornecedor, tem uma tarifa menor de 10% e limitações de produção (8% do total mundial), o que dificulta suprir a demanda americana.
2. Manga e goiaba
O Brasil é o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas para os EUA, com exportações de cerca de US$ 56 milhões em 2024. O México lidera o mercado, seguido por Peru e Equador. Embora os EUA cultivem esses frutos em estados como Flórida e Califórnia, a maior parte do consumo depende das importações.
A tarifa de 50% sobre esses produtos pode inviabilizar muitas exportações brasileiras, o que já tem provocado cancelamentos de pedidos. Caso os EUA não encontrem fornecedores alternativos, a oferta interna pode cair, elevando os preços em supermercados.
3. Carne bovina
O Brasil é o maior exportador mundial de carne e responde por 23% das importações americanas, que também são o segundo maior mercado para a proteína brasileira, atrás apenas da China. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) alerta que a sobretaxa de 50% pode inviabilizar as vendas ao mercado dos EUA.
Apesar da produção americana ser alta, a oferta interna já enfrenta limitações para suprir a crescente demanda. O The Budget Lab estima que os preços da carne bovina devem subir cerca de 1,1% logo após a implementação da tarifa, agravando uma alta que já vinha batendo recordes.
4. Açúcar orgânico
Os EUA dependem quase totalmente das importações para atender o consumo de açúcar orgânico, com o Brasil respondendo por 49% das entradas entre 2023 e 2024, seguido por Paraguai e Colômbia. A Organic Trade Association, representante do setor de orgânicos nos EUA, alerta que as tarifas podem prejudicar várias cadeias produtivas.
Para obter o selo orgânico do USDA, muitos produtos, como iogurtes e sorvetes, precisam utilizar açúcar orgânico certificado. Assim, a alta de preços do açúcar pode refletir no aumento dos custos desses alimentos.
5. Cacau e manteiga de cacau
Embora os EUA produzam cacau em pequena escala no Havaí e Porto Rico, dependem muito da importação de manteiga de cacau, usada na fabricação de chocolates e outros produtos. O Brasil foi o quinto maior exportador do produto para os EUA em 2024, com US$ 61,4 milhões em exportações.
A alta no preço do chocolate já é uma tendência global devido a fatores climáticos e pragas em áreas produtoras tradicionais, como a África Ocidental. As tarifas americanas podem agravar essa alta, pressionando ainda mais os preços no mercado.
6. Metais (aço e nióbio)
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA e o maior exportador mundial de nióbio, um metal essencial para ligas de aço usadas na indústria automotiva e outras áreas. A tarifa global de 50% sobre aço e alumínio, implementada desde junho, encarece as importações e visa revitalizar a indústria siderúrgica americana.
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Porém, essa medida traz custos adicionais para setores que utilizam esses metais, como fabricantes de automóveis e latas, que alertam para possíveis aumentos no preço final ao consumidor.
7. Outros produtos agrícolas e industriais
Além dos itens acima, outras mercadorias agrícolas e industriais brasileiras enfrentam tarifas elevadas que podem influenciar os preços nos EUA, afetando cadeias produtivas diversas e o consumo final.
Impacto para consumidores e economia dos EUA

As tarifas impostas pelo governo Trump podem gerar um efeito cascata: a redução das importações brasileiras, dificuldades para suprir a demanda interna americana e, consequentemente, aumento dos preços para o consumidor final.
Segundo o estudo do The Budget Lab, o impacto inflacionário pode ser expressivo, com alta estimada de 6,9% para frutas e legumes no curto prazo, pressionando o orçamento das famílias americanas. Já o aço e outros metais podem sofrer aumentos ainda maiores, afetando indústrias e setores correlatos.
Alternativas para os EUA
Diante das tarifas, os EUA podem buscar aumentar a produção interna, procurar outros mercados fornecedores ou aceitar preços mais altos, repassando o custo aos consumidores.
O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, mencionou que produtos não cultivados no território norte-americano poderiam ser incluídos numa lista global de isenções, mas não há clareza sobre a inclusão do Brasil nessa lista.
Com informações: g1
