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Mudança na taxa das blusinhas ganha força e pode valer antes de setembro

Congresso deve votar medida que pode zerar a taxa das blusinhas em compras de até US$ 50. Veja o que ainda precisa acontecer.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana··10 min de leitura
Mudança na taxa das blusinhas ganha força e pode valer antes de setembro

O fim da chamada taxa das blusinhas ganhou novo impulso no Congresso Nacional. Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, afirmaram que a medida que trata da cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50 deve ser analisada na próxima semana.

O encontro ocorreu na quarta-feira, 26 de agosto, no Palácio da Alvorada, e serviu para definir uma lista de propostas consideradas prioritárias pelo governo e pelos comandos das duas Casas.

Entre elas está a Medida Provisória nº 1.357/2026, que permite reduzir a zero o Imposto de Importação incidente sobre remessas internacionais de pequeno valor.

Apesar do avanço político, o consumidor deve ter atenção: o fim definitivo da cobrança ainda depende da tramitação e da aprovação da MP pelo Congresso.

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Fim da taxa das blusinhas deve ser votado na próxima semana

taxa das blusinhas
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Depois da reunião com Lula, Hugo Motta afirmou que o Congresso pretende votar a MP que trata da taxa das blusinhas na próxima semana.

Segundo o presidente da Câmara, ainda será instalada a comissão mista responsável pela análise da medida.

A presidência da comissão deverá ficar com um deputado, enquanto a relatoria será entregue a um senador.

Davi Alcolumbre também confirmou que a proposta será incluída entre as prioridades do próximo esforço concentrado do Congresso.

O presidente do Senado disse que assumiu o compromisso de deliberar a matéria, destacando o impacto da cobrança sobre milhões de consumidores brasileiros.

O que é a taxa das blusinhas?

A expressão “taxa das blusinhas” passou a ser usada para se referir ao Imposto de Importação federal cobrado sobre compras internacionais de pequeno valor.

Pela legislação atual, as remessas de até US$ 50 estão sujeitas a uma alíquota de 20% de Imposto de Importação.

Para compras acima de US$ 50 e de até US$ 3 mil, a tabela prevê alíquota de 60%, com uma parcela de US$ 20 a ser deduzida do imposto calculado.

Essas regras foram incorporadas ao regime de tributação simplificada das remessas internacionais.

O que a MP 1.357/2026 faz?

A Medida Provisória nº 1.357, publicada em 12 de maio de 2026, alterou o Decreto-Lei nº 1.804/1980.

O texto concede ao ministro da Fazenda poder para alterar as alíquotas aplicadas às remessas internacionais.

Entre as possibilidades previstas está justamente a redução da alíquota a zero para compras de até US$ 50.

A MP também permite reduzir a alíquota para até 30% na faixa de remessas de até US$ 3 mil, dependendo das condições estabelecidas pelo governo.

Ou seja, a medida provisória criou a base legal para que o Executivo elimine ou reduza o imposto nessas faixas de valor.

A taxa das blusinhas já acabou?

Essa é uma das principais dúvidas dos consumidores.

A MP entrou em vigor assim que foi publicada, mas seu texto, por si só, não significa simplesmente que todas as compras internacionais de até US$ 50 ficaram automaticamente livres de tributação.

A norma autoriza o Ministério da Fazenda a alterar as alíquotas, inclusive reduzi-las a zero.

Além disso, por ser uma medida provisória, precisa passar pelo Congresso para se transformar definitivamente em lei.

Por isso, o debate desta semana é importante: deputados e senadores precisam analisar a proposta antes do fim de sua vigência.

Por que o governo quer acabar com a cobrança?

Ao editar a MP, o governo argumentou que a flexibilização da tributação poderia simplificar as regras aplicáveis às remessas internacionais de pequeno valor.

A exposição de motivos enviada ao Congresso também menciona maior previsibilidade para consumidores e operadores econômicos e redução de incentivos à informalidade e à evasão tributária.

O documento destaca que o objetivo é permitir maior flexibilidade na definição das alíquotas conforme o perfil e o valor das importações.

Além da justificativa técnica, o tema possui forte peso político.

Lula tem defendido publicamente a retirada da cobrança sobre compras de pequeno valor, especialmente aquelas realizadas por consumidores de renda mais baixa.

Por que a taxa das blusinhas gera tanta discussão?

A tributação das compras internacionais divide consumidores, varejistas, indústria e plataformas de comércio eletrônico.

Para os consumidores, a retirada do imposto pode significar preços menores em compras feitas em sites estrangeiros.

Já representantes do comércio e da indústria brasileira argumentam que produtos importados concorrem com mercadorias produzidas ou comercializadas no país sob estruturas tributárias e custos diferentes.

O debate, portanto, envolve duas preocupações distintas.

De um lado está a tentativa de baratear pequenas compras internacionais.

Do outro, há o argumento de que uma tributação muito menor das importações pode prejudicar empresas instaladas no Brasil.

Quanto a taxa representa em uma compra de US$ 50?

A alíquota federal atualmente prevista para uma compra internacional de até US$ 50 é de 20%.

Em uma compra de exatamente US$ 50, o Imposto de Importação corresponderia, em uma conta simplificada, a US$ 10.

Se a alíquota federal for efetivamente reduzida a zero, essa parcela deixaria de compor o custo.

Isso não significa, porém, que o valor final da compra ficará igual ao preço exibido pelo vendedor.

Outros componentes ainda podem influenciar o total.

Fim da taxa não significa compra internacional sem imposto

Esse é um ponto essencial para evitar confusão.

A discussão atual envolve o Imposto de Importação federal.

Compras internacionais também podem estar sujeitas ao ICMS, tributo estadual.

Assim, mesmo que a alíquota federal sobre remessas de até US$ 50 seja zerada, isso não significa necessariamente que todo imposto desaparecerá.

Frete, variação cambial e eventuais cobranças relacionadas à operação também continuam influenciando o preço final.

Por isso, expressões como “compras internacionais ficarão totalmente isentas” podem induzir o consumidor ao erro.

Quanto custaria uma compra sem o imposto federal?

Considere uma mercadoria de US$ 40.

Pela alíquota federal de 20%, o Imposto de Importação representaria US$ 8 antes da incidência de outros componentes da operação.

Se a alíquota fosse zerada, essa cobrança federal deixaria de existir.

A economia real em reais dependeria da cotação do dólar e do tratamento tributário aplicado à compra.

Para produtos de valor baixo, a diferença pode ser percebida com mais facilidade no preço final.

Shein, Shopee e AliExpress podem ficar mais baratos?

Plataformas internacionais que concentram vendas de produtos de pequeno valor tendem a ser diretamente impactadas por alterações na tributação.

Se o Imposto de Importação de 20% for zerado para compras de até US$ 50, mercadorias enquadradas nessa faixa podem ficar mais baratas, tudo o mais constante.

Isso pode beneficiar consumidores que compram roupas, acessórios, eletrônicos de baixo valor, itens para casa e outros produtos em sites estrangeiros.

Contudo, não é possível afirmar que todos os preços cairão exatamente 20%.

A formação do valor final envolve preço do produto, frete, dólar, impostos estaduais e política comercial da própria plataforma.

E as compras acima de US$ 50?

A MP também mexe na estrutura legal para compras de valor maior.

O texto permite ao ministro da Fazenda reduzir para até 30% determinadas alíquotas na faixa de importações de até US$ 3 mil.

Atualmente, a tabela legal prevê 60% para valores acima de US$ 50, com uma dedução de US$ 20 sobre o imposto calculado.

Portanto, mudanças futuras poderão ir além da chamada taxa das blusinhas, dependendo das decisões tomadas pelo governo dentro das autorizações concedidas pela MP.

O que acontece se o Congresso não aprovar a MP?

Medidas provisórias entram em vigor imediatamente, mas possuem prazo determinado.

Para que suas alterações permaneçam de maneira definitiva, elas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional.

Se a MP perder a validade sem aprovação, as mudanças feitas por ela deixam de produzir efeitos futuros, observadas as regras constitucionais aplicáveis ao período em que esteve vigente.

É justamente por isso que a votação ganhou urgência no fim de agosto.

A Câmara informa que a medida precisa passar pela comissão mista e posteriormente pelas duas Casas do Congresso.

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Comissão mista ainda precisa analisar a proposta

Antes da votação definitiva, deputados e senadores terão que avançar com a análise da MP.

Segundo Hugo Motta, a comissão mista deverá ser instalada e terá um senador como relator.

O colegiado pode aprovar o texto original ou propor modificações.

Isso significa que as condições discutidas atualmente ainda podem mudar durante a tramitação.

Após a comissão, a matéria precisa passar pelos plenários da Câmara e do Senado.

Lula conseguiu acordo para acabar com a taxa?

A reunião desta semana demonstrou que existe uma articulação política para colocar o assunto em votação.

No entanto, acordo para pautar uma matéria não é exatamente a mesma coisa que ter votos suficientes para aprová-la sem mudanças.

Hugo Motta e Davi Alcolumbre assumiram compromisso público de levar o tema à análise do Congresso.

A votação, entretanto, ainda permitirá que parlamentares apresentem posições contrárias, alterações e outros encaminhamentos.

Por isso, neste momento, o mais correto é afirmar que o fim da taxa avançou, mas ainda não está definitivamente garantido.

Indústria e varejo pressionam pela manutenção da tributação

A possibilidade de reduzir a cobrança sobre importados enfrenta resistência de setores empresariais brasileiros.

O argumento central é o da concorrência.

Empresas que produzem ou comercializam mercadorias no Brasil pagam impostos, mantêm funcionários, arcam com aluguel, logística, energia e outras despesas operacionais.

Na avaliação de representantes desses setores, eliminar o Imposto de Importação de pequenas remessas pode ampliar a vantagem de fornecedores estrangeiros.

Essa preocupação esteve presente desde a criação da cobrança em 2024.

Consumidores defendem preços menores

Do outro lado estão consumidores que utilizam plataformas estrangeiras principalmente para comprar itens mais baratos.

Uma peça de roupa, acessório ou produto doméstico de poucos dólares pode ter o preço significativamente alterado quando impostos e frete são somados ao carrinho.

Por isso, a retirada da cobrança federal tende a ter apelo especialmente entre pessoas que realizam pequenas compras internacionais.

Esse contraste explica por que a chamada taxa das blusinhas se tornou um assunto político de grande repercussão.

Vale a pena esperar para fazer uma compra internacional?

Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Quem pretende comprar um produto agora deve considerar a regra efetivamente aplicada no momento da aquisição.

Não é recomendável fazer cálculos contando apenas com uma mudança que ainda depende de decisões políticas e regulamentares.

A MP está em análise e o Congresso pretende avançar com a votação na próxima semana, mas o texto ainda pode sofrer alterações.

Além disso, mesmo após uma decisão política, é preciso verificar a data em que uma eventual mudança tributária passa a valer.

Como saber se a taxa realmente acabou?

O consumidor deve conferir fontes oficiais antes de considerar que houve mudança definitiva.

Entre elas estão o Ministério da Fazenda, a Receita Federal, o Diário Oficial da União, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Uma eventual redução efetiva da alíquota também deverá estar amparada pela regulamentação correspondente.

O anúncio político, portanto, é apenas uma etapa do processo.

O que acontece agora com a taxa das blusinhas?

O próximo passo é a instalação da comissão mista e a análise da MP 1.357/2026.

Os presidentes da Câmara e do Senado afirmaram após a reunião com Lula que pretendem deliberar a matéria na próxima semana.

Se houver acordo e o texto for aprovado, o governo ganhará respaldo definitivo para manter a possibilidade de zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Até que o processo seja concluído, no entanto, o consumidor deve acompanhar as regras em vigor e evitar interpretar a promessa do fim da taxa como uma mudança já definitivamente consolidada.

O cenário político ficou mais favorável à proposta após o encontro entre Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Agora, a decisão passa para deputados e senadores, que terão a palavra final sobre a continuidade das novas regras para pequenas compras internacionais.

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