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Taxa das blusinhas impacta importações de pequeno valor, afirma Banco Central

Com nova taxa das blusinhas, compras internacionais caem 13,6% e e-commerce local avança, aponta Banco Central. Entenda.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Fraude

A recente taxação federal sobre compras internacionais de pequeno valor já apresenta efeitos expressivos no comportamento do consumidor brasileiro. Segundo dados divulgados nesta semana pelo Banco Central (BC), o volume de importações intermediadas por plataformas de pagamento atingiu o menor patamar desde 2021, revelando o impacto direto da chamada “taxa das blusinhas” nas compras abaixo de US$ 50.

A medida, que passou a vigorar neste ano, inclui a cobrança de impostos federais e do ICMS estadual sobre produtos importados de baixo valor, especialmente vindos de plataformas asiáticas como Shopee, Shein e Temu — as principais responsáveis pela popularização do consumo de moda rápida e eletrônicos baratos no Brasil.

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Queda nas importações e mudança no perfil do consumo

Taxa das blusinhas
Imagem: Maxx-Studio / Shutterstock.com

De acordo com o levantamento do Banco Central, as importações por plataformas de pagamento somaram US$ 4,6 bilhões no primeiro semestre do ano. O montante representa uma queda de 13,6% em comparação ao mesmo período de 2024.

A redução é atribuída, em grande parte, à imposição de impostos sobre compras internacionais de baixo valor, que antes eram isentas. Isso afetou diretamente consumidores que viam nesses canais uma forma de economizar, especialmente nas classes C, D e E.

Segundo os dados, o volume de compras internacionais realizadas por esse público despencou 35%. Isso evidencia que os consumidores mais sensíveis ao preço estão, agora, optando por alternativas nacionais ou abandonando parte do consumo.

Reação do e-commerce brasileiro: crescimento e adaptação

Enquanto as importações caíram, o e-commerce nacional teve crescimento de 10% no faturamento no mesmo período, demonstrando um redirecionamento do consumo para o mercado interno.

Com o novo cenário, muitos consumidores passaram a comprar de vendedores locais, atraídos não apenas pela ausência da nova taxação, mas também pela entrega mais rápida e maior previsibilidade no recebimento das mercadorias.

O dado reforça que a medida do governo, embora polêmica, teve o efeito imediato de fomentar o comércio eletrônico nacional, que viu a oportunidade de atender uma demanda deixada por produtos importados.

Estratégia chinesa: foco nos vendedores brasileiros

A mudança na legislação brasileira também obrigou grandes plataformas asiáticas a adaptarem sua atuação no país. Para evitar perda de mercado, empresas como Shopee, Shein e Temu passaram a investir na estruturação de redes de vendedores locais.

Segundo Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail, essa estratégia já mostra resultados relevantes. “Mais de 90% da venda do Shopee já é feita localmente, e a Shein e a Temu, por exemplo, começaram a recrutar vendedores locais para incrementar gradualmente o percentual de vendas locais e não depender somente do cross border”, afirmou o especialista em entrevista à Folha de S.Paulo.

Essa transformação nas operações visa contornar a taxação sobre produtos importados e tornar as plataformas mais competitivas frente ao varejo nacional.

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Taxação e seus impactos sociais

E-commerce
Imagem: Marcello Casal Júnior / Agência Brasil

A medida, embora voltada ao equilíbrio concorrencial, tem sido alvo de críticas por consumidores e especialistas, especialmente pelo impacto nas camadas mais pobres da população, que viam nas plataformas estrangeiras uma alternativa de consumo mais acessível.

Apesar disso, a visão do governo federal é de que a iniciativa ajuda a proteger o comércio nacional e combate práticas de sonegação e subfaturamento em massa, que vinham sendo denunciadas por entidades do varejo e da indústria.

Ao aplicar o mesmo modelo tributário para compras internacionais de pequeno valor, o governo também pretende garantir isonomia tributária, impedindo que produtos estrangeiros cheguem ao país com vantagens fiscais desproporcionais.

Expectativas para o futuro

A longo prazo, espera-se que a mudança impulsione o fortalecimento da base produtiva e comercial brasileira, ao mesmo tempo em que pressiona empresas estrangeiras a se nacionalizarem parcialmente para manterem competitividade.

Entretanto, especialistas apontam que será necessário um acompanhamento constante para que o benefício da medida não se limite ao aumento de arrecadação, mas também resulte em melhorias para o consumidor final, como preços mais justos, prazos menores e maior diversidade de produtos no comércio nacional.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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