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Streaming pode ficar mais caro: PL com taxa para YouTube e Netflix será votado na Câmara

Câmara dos Deputados vota nesta semana o projeto de lei que cria a Condecine-streaming, taxa que pode chegar a 4%.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
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A Câmara dos Deputados deve votar ainda nesta semana o projeto de lei que cria a Condecine-streaming, uma nova contribuição voltada para o desenvolvimento do setor audiovisual no Brasil. O texto final, relatado pelo deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), propõe a cobrança de uma taxa sobre o faturamento das principais plataformas de streaming que operam no país, como Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, Globoplay, YouTube, TikTok e Meta.

Segundo o relator, a proposta busca equiparar a cobrança de tributos entre as empresas tradicionais de comunicação, que já pagam a Condecine, e os serviços digitais que se expandiram rapidamente no mercado nacional

O que é a Condecine-streaming?

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Imagem: Regiane_Ferraz / shutterstock.com

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A Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) já é aplicada sobre salas de cinema, emissoras de TV e serviços de televisão por assinatura. O novo projeto amplia o alcance da contribuição para as plataformas digitais que oferecem conteúdo audiovisual sob demanda.

A proposta define que empresas de streaming com faturamento anual superior a R$ 96 milhões pagarão até 4% sobre a receita obtida no mercado brasileiro. Já aquelas que arrecadam menos de R$ 4,8 milhões ficarão isentas da cobrança.

Plataformas de vídeo e redes sociais terão taxa reduzida

O texto distingue as plataformas de streaming tradicionais das redes sociais e serviços em que o conteúdo é criado pelos próprios usuários. Para YouTube, TikTok e Meta, a alíquota máxima será de 2%, reconhecendo o modelo de negócio diferente e o papel dos criadores independentes.

Além disso, o projeto permite que parte da taxa seja deduzida em remunerações pagas a influenciadores digitais e criadores de conteúdo. Essa medida busca incentivar o repasse direto de recursos para o ecossistema de produção nacional.

Alíquota menor que a proposta inicial

O Ministério da Cultura defendia originalmente uma alíquota de 6%, mas o relator optou por reduzir o valor máximo para 4%, argumentando a necessidade de equilibrar o incentivo à produção nacional com a sustentabilidade financeira das plataformas.

De acordo com a proposta, as empresas poderão destinar parte da contribuição ao financiamento de obras brasileiras, à contratação de direitos autorais e ao licenciamento de produções independentes. A intenção é garantir que o valor recolhido seja reinvestido no próprio setor audiovisual.

Investimento direto em produções nacionais

O texto estabelece que até 3% do valor devido poderá ser aplicado na capacitação de profissionais e no desenvolvimento de mão de obra técnica ligada ao audiovisual. Essa medida visa fortalecer a produção nacional e descentralizar oportunidades, ampliando a inclusão de profissionais de diversas regiões do país.

Empresas que optarem por esse investimento direto poderão destinar recursos a produtoras independentes, iniciativas de formação, programas de inclusão e estímulo à diversidade cultural no cinema e nas plataformas digitais.

Cota obrigatória de conteúdo nacional

Além da nova taxa, o projeto também cria uma cota mínima de 10% de obras nacionais nos catálogos de todas as plataformas que operam no Brasil. Dentro dessa porcentagem, metade deve vir de produtoras independentes.

A distribuição dessas cotas segue critérios regionais:

  • 30% das obras devem ser produzidas por empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste;
  • 20% devem vir das regiões Sudeste e Sul.

Definição de obra brasileira

Para evitar distorções, o texto define critérios claros para o que pode ser considerado uma obra brasileira. O projeto determina que:

  • O diretor deve ser brasileiro ou estrangeiro residente no país há pelo menos três anos;
  • Pelo menos dois terços da equipe técnica e artística devem ser compostos por profissionais brasileiros ou residentes há mais de cinco anos;
  • Em casos de coprodução, 40% dos direitos patrimoniais devem pertencer à produtora nacional.

Impactos esperados no setor

A aprovação da Condecine-streaming promete mudar a dinâmica tributária e de produção do audiovisual nacional. As plataformas poderão ser obrigadas a ajustar seus preços, repassando parte do custo ao consumidor final, o que pode resultar em assinaturas mais caras.

Por outro lado, o projeto é visto como uma forma de corrigir desigualdades no financiamento da cultura nacional, garantindo que empresas estrangeiras que lucram no país também contribuam para o desenvolvimento da indústria local.

Disputa tributária e contexto internacional

mão segurando controle remoto em frente à televisão aberta em plataforma de streaming
Imagem: Said Fx/ shutterstock.com

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A discussão sobre tributação de plataformas digitais não é exclusiva do Brasil. Diversos países já implementaram taxas específicas para serviços de streaming, com o objetivo de fomentar suas próprias indústrias audiovisuais.

Recentemente, a Netflix enfrentou uma disputa tributária bilionária com o governo brasileiro, relacionada ao recolhimento de impostos sobre serviços digitais. Esse conflito evidenciou a ausência de uma regulação específica, lacuna que o novo PL tenta preencher.

Nos Estados Unidos, por outro lado, alguns estados têm discutido restrições sobre publicidade digital e regras de transparência em plataformas como YouTube e Netflix, refletindo uma tendência global de maior controle e responsabilidade das big techs.

FAQ

1. O que é a Condecine-streaming?
É uma contribuição que visa financiar o desenvolvimento do setor audiovisual brasileiro, agora aplicada também aos serviços de streaming.

2. Quais empresas serão afetadas?
Netflix, Prime Video, Disney+, Globoplay, YouTube, TikTok e Meta estão entre as plataformas que deverão contribuir.

3. Quanto será cobrado?
Até 4% sobre o faturamento anual para empresas que arrecadam mais de R$ 96 milhões no Brasil.

4. Há isenção para empresas menores?
Sim. Companhias com faturamento inferior a R$ 4,8 milhões estarão isentas da taxa.

5. A taxa pode deixar o streaming mais caro?
Possivelmente. As plataformas podem repassar parte do custo para o valor da assinatura.

6. Parte da taxa pode ser usada em produções nacionais?
Sim. As empresas poderão investir diretamente em obras brasileiras e capacitação de profissionais, abatendo parte do valor devido.

Considerações finais

A criação da Condecine-streaming marca um novo capítulo na relação entre tecnologia, cultura e economia. A medida pode representar um avanço para o fortalecimento do audiovisual brasileiro, mas também levanta questionamentos sobre o impacto no bolso do consumidor. Enquanto a votação se aproxima, o setor aguarda os desdobramentos de uma decisão que promete redefinir o futuro do entretenimento digital no país.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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