A partir de 2026, consumidores que utilizam cartões de crédito em grandes redes de varejo dos Estados Unidos, como Walmart e Target, podem enfrentar uma experiência diferente no caixa. O pagamento que hoje costuma ser “automático” pode passar a envolver cobranças adicionais, taxas específicas por tipo de cartão e até a recusa de determinadas modalidades, especialmente aquelas associadas a programas de recompensas.
Compras no cartão podem ficar mais caras: concorrente do Carrefour quer cobrar taxa extra
A partir de 2026, varejistas como Walmart e Target podem cobrar taxas extras e recusar cartões. Veja o que muda, impactos e como se preparar.
O motivo está em um acordo recente envolvendo Visa, Mastercard e comerciantes, alcançado em novembro de 2025 e ainda aguardando aprovação judicial. Na prática, o texto abre espaço para que lojas tenham mais liberdade para impor custos extras em compras no crédito e definir com mais precisão quais cartões aceitar, alterando um modelo antigo no setor de pagamentos.
A mudança, caso seja confirmada pela Justiça, tende a afetar principalmente cartões com benefícios mais agressivos, como cashback e milhas, que possuem taxas maiores para os varejistas. Ao mesmo tempo, a medida reacende o debate sobre o custo real dos programas de recompensa e quem paga a conta no fim da cadeia.
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Entenda o acordo entre Visa, Mastercard e comerciantes
Um acerto que ainda depende da Justiça
O acordo foi alcançado em novembro de 2025 como forma de encaminhar disputas históricas envolvendo taxas cobradas nas transações com cartões, conhecidas no mercado como “swipe fees” (taxas de processamento/intercâmbio). Segundo informações divulgadas na imprensa internacional, o acordo depende de aprovação judicial para entrar em vigor e pode enfrentar questionamentos de grupos do varejo.
Na essência, o objetivo foi criar um meio-termo: redução parcial das taxas por um período e maior flexibilidade para comerciantes decidirem como aceitar cartões no dia a dia.
O que muda na prática
Caso aprovado, o acordo permite que as lojas:
- estabeleçam taxas adicionais (surcharges) para pagamentos no crédito;
- escolham aceitar apenas certas categorias de cartão (não necessariamente todos da mesma bandeira);
- recusem determinadas classes de cartões, principalmente os mais caros para processar;
- reorganizem a aceitação em “níveis” (como recompensas, sem recompensas e comerciais).
Isso representaria uma mudança relevante porque, até então, muitos varejistas operam sob regras que os incentivam a aceitar qualquer cartão Visa ou Mastercard, mesmo quando alguns são muito mais caros.
Por que Walmart e Target entram no centro da discussão
Grandes redes devem adotar a prática com cuidado
Como Walmart e Target estão entre os maiores varejistas dos Estados Unidos, qualquer alteração nos meios de pagamento tem impacto imediato e amplo. Essas redes têm milhões de compras diárias e operam com margens apertadas, o que torna o custo das taxas um ponto sensível.
Apesar disso, analistas avaliam que essas empresas também precisam evitar um efeito colateral: a frustração do consumidor. Se o cliente tiver o cartão recusado no caixa ou enxergar taxas extras inesperadas, a decisão pode gerar perda de vendas e deteriorar a imagem da marca.
O cenário mais provável para 2026
Mesmo com a possibilidade aberta pelo acordo, o mercado não espera um bloqueio total de cartões populares. O movimento mais provável é:
- taxas pequenas e graduais para alguns tipos de cartão;
- recusa pontual de cartões mais caros, especialmente em compras de baixo valor;
- priorização de cartões “básicos” (sem recompensas ou com benefícios reduzidos).
Ou seja: a tendência é que o consumidor não deixe de usar crédito, mas passe a pensar mais antes de passar o cartão.
Quais cartões podem ser os mais afetados
Cartões com recompensas entram na mira
Cartões com milhas, cashback elevado e benefícios premium costumam ter custos maiores para os comerciantes, pois as taxas de intercâmbio ajudam a financiar esses programas de recompensa.
Se um varejista puder escolher, o incentivo natural é reduzir o custo aceitando categorias mais baratas.
Exemplos do que pode ser impactado
- cartões “premium” com salas VIP e altas recompensas;
- cartões com cashback agressivo (3% a 5%);
- cartões co-branded (parcerias com companhias aéreas e redes específicas);
- cartões comerciais (para empresas), que frequentemente têm taxas diferentes.
Cartões básicos tendem a ser preservados
Cartões tradicionais, sem programa robusto de recompensas, têm maior chance de continuar sendo aceitos sem taxas extras (ou com menos impacto), pois o custo para o varejista é menor.
O que são as taxas de intercâmbio e por que viraram alvo
Entenda o custo embutido no pagamento no crédito
A taxa de intercâmbio é um percentual cobrado na transação com cartão. Ela não aparece claramente para o consumidor no momento da compra, mas impacta o varejista, que paga para processar aquele pagamento.
Em termos simples:
- consumidor compra;
- loja recebe, mas paga uma taxa;
- essa taxa ajuda a manter o ecossistema de cartões (bandeiras, bancos emissores, adquirentes).
Por que isso incomoda os varejistas
Em compras grandes ou com margens menores, essa taxa pode representar uma parcela relevante do lucro. É por isso que os varejistas defendem há anos mais autonomia para:
- incentivar métodos mais baratos (débito, dinheiro, PIX, carteiras);
- evitar cartões com custo elevado;
- limitar taxas para cartões premium.
Quais novas cobranças podem aparecer no caixa
Surcharge: a taxa extra visível ao consumidor
O grande temor de 2026 é que o consumidor passe a enxergar um novo valor no recibo: uma taxa extra por pagar com determinado cartão de crédito.
Isso pode acontecer de diferentes formas:
Modelos de cobrança possíveis
- taxa percentual fixa para uma categoria específica de cartão;
- taxa maior para cartões com recompensas;
- taxa zero para cartão básico, com taxa para premium;
- taxa aplicada apenas acima de um valor mínimo.
A lógica é simples: se um cartão custa mais para ser aceito, o varejista tenta repassar parte dessa diferença ao cliente.
Recusa seletiva de cartões: o “não aceitamos esse”
Outro ponto relevante é a possibilidade de uma loja aceitar Visa e Mastercard, mas recusar certos produtos dentro dessas bandeiras.
Exemplo: aceitar um Visa “tradicional” e recusar um Visa premium com recompensas elevadas.
Isso obrigaria muitos consumidores a:
- ter mais de um cartão na carteira;
- levar dinheiro ou alternativas digitais;
- decidir com antecedência qual cartão usar em cada compra.
A redução prometida: 0,1% em cinco anos resolve?
O que o acordo prevê
A proposta prevê redução média de 0,1 ponto percentual nas taxas de intercâmbio ao longo de cinco anos. Na prática, é um alívio pequeno se comparado ao tamanho do mercado e às reclamações históricas do varejo.
Por que isso gera críticas
Entidades do setor avaliam que a redução é tímida e que o problema do custo estrutural continua. Por outro lado, Visa e Mastercard sustentam que a medida dá maior flexibilidade aos comerciantes e oferece algum alívio sem comprometer a segurança do sistema.
Na prática, a percepção é que:
- o varejista ganha poder de escolha;
- o consumidor pode pagar mais dependendo do cartão.
Impactos diretos para o consumidor a partir de 2026
Mais atenção no momento do pagamento
O consumidor vai precisar prestar atenção em algo que antes era automático: o “como pagar”.
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Um hábito comum pode mudar: escolher o cartão pelo benefício (milhas/cashback) pode deixar de ser vantajoso se houver taxa extra.
Programas de recompensas podem perder força
Se taxas extras forem aplicadas principalmente a cartões com recompensas, pode haver uma mudança no comportamento do cliente:
- menos uso de cartão premium em compras rotineiras;
- uso concentrado para compras em locais que não cobram taxa;
- aumento do uso de carteiras digitais e outras alternativas.
A sensação de “pagar para usar o próprio cartão”
Mesmo que a taxa seja pequena, psicologicamente o impacto é grande. Consumidores tendem a rejeitar cobranças adicionais no caixa, principalmente quando não foram informados antes.
Como se preparar para evitar prejuízos no bolso
Tenha mais de uma forma de pagamento
Se o cenário em 2026 for de aceitação seletiva, a dica mais prática é simples:
- ter pelo menos 2 cartões (preferencialmente de perfis diferentes);
- manter uma alternativa sem taxas (débito, dinheiro ou wallet);
- acompanhar avisos no caixa e aplicativos.
Leia mensagens na maquininha e no aplicativo do cartão
Caso as taxas apareçam, elas podem ser:
- exibidas antes do pagamento;
- discriminadas no cupom fiscal;
- informadas no app do varejista.
Não ignore as mensagens, especialmente em compras maiores.
Compare o “benefício real” do cashback/milhas
Um erro comum é considerar apenas o benefício. Em 2026, o consumidor pode precisar fazer conta rápida:
- cashback de 2% compensa se a taxa for 3%? Não.
- milhas valem o custo extra? Depende do resgate.
O que as empresas devem fazer para evitar revolta do consumidor
Comunicação clara será obrigatória
Para não gerar reclamações, o varejo terá de investir em transparência. O pior cenário é o cliente descobrir a taxa apenas depois de pagar.
Boas práticas incluem:
- informar taxas antes de finalizar a compra;
- sinalizar quais cartões são aceitos;
- orientar funcionários para evitar constrangimento no caixa.
Recusar cartão pode virar problema de reputação
Grandes varejistas entendem que recusar cartão “na cara do cliente” pode ter impacto negativo nas vendas. Por isso, a tendência é que a recusa seja mais rara e a cobrança seja mais comum (porém moderada), especialmente em cartões premium.
Conclusão
A partir de 2026, o pagamento com cartão de crédito em redes gigantes como Walmart e Target pode se tornar mais complexo, com a introdução de taxas extras e a possibilidade de recusa de algumas categorias de cartões. Tudo isso está ligado a um acordo firmado em novembro de 2025 entre Visa, Mastercard e comerciantes, ainda pendente de aprovação judicial.
O movimento tende a atingir principalmente cartões com recompensas, que custam mais para serem aceitos. Para o consumidor, a consequência pode ser direta: pagar mais no caixa ou ter de mudar o cartão usado em certas compras.
Embora não se espere um bloqueio generalizado de cartões populares, o cenário exige atenção. Ter alternativas de pagamento e avaliar o custo-benefício real de milhas e cashback deve se tornar uma prática indispensável para evitar surpresas.
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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
