O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou pagamentos indevidos no Benefício de Prestação Continuada (BPC), somando cerca de R$ 5 bilhões por ano. Segundo a Corte de Contas, 6,3% dos beneficiários recebem o benefício mesmo possuindo renda superior ao limite estabelecido pela legislação, que é de até 25% do salário mínimo por pessoa da família.
TCU aponta pagamento irregular de R$ 5 bilhões ao ano em BPC para beneficiários fora do limite de renda
TCU revela pagamentos indevidos no BPC, totalizando R$ 5 bilhões anuais. Beneficiários fora do limite de renda estão recebendo o benefício.
Além disso, 6.701 pessoas acumulam o BPC com outros benefícios sociais, o que é proibido por lei. O problema gera impactos expressivos nas contas públicas e levanta a necessidade de aprimoramento dos mecanismos de controle.
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O que é o BPC?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de qualquer idade, desde que comprovem baixa renda familiar. O benefício é concedido mesmo para quem nunca contribuiu para a Previdência Social.
Diante do aumento no número de beneficiários e das fraudes identificadas, um projeto de lei foi aprovado no ano passado para endurecer as regras de concessão do BPC.
Irregularidades detectadas pelo TCU
O relatório do TCU revelou diversas falhas no controle e fiscalização do BPC, incluindo inconsistências nos cadastros e dificuldades na verificação da renda familiar dos beneficiários. Entre os principais problemas identificados estão:
- Atrasos na correção de irregularidades;
- Dificuldade no controle da composição familiar, como a omissão de membros e a não declaração de rendimentos informais;
- Defasagem e baixa qualidade dos dados cadastrais;
- Problemas no acesso a bancos de dados oficiais.
Essas falhas permitem que pessoas que não atendem aos critérios de elegibilidade continuem recebendo o benefício de forma irregular.
Erros no Cadastro Único
O Cadastro Único (CadÚnico), ferramenta utilizada para registrar e gerenciar informações dos beneficiários de programas sociais, também apresentou diversas inconsistências. O levantamento do TCU apontou que:
- 12,6% dos beneficiários omitiram membros familiares no cadastro;
- 15,9% registraram endereços diferentes do real;
- 2.476 beneficiários possivelmente falecidos ainda recebem o BPC;
- 31.157 cadastros possuem erros nos dados pessoais.
Segundo o ministro Antonio Anastasia, relator do processo no TCU, essas falhas comprometem a transparência e a precisão na concessão do benefício, resultando em pagamentos indevidos e impactos negativos nas contas públicas.
Medidas determinadas pelo TCU
Diante das irregularidades constatadas, o TCU determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adote medidas para corrigir os problemas no pagamento do BPC. Entre as providências exigidas estão:
- Correção imediata dos acúmulos indevidos de benefícios;
- Cancelamento de pagamentos a beneficiários falecidos, com CPF nulo/cancelado ou sem CadÚnico ativo;
- Aprimoramento dos mecanismos de fiscalização e cruzamento de dados.
Além disso, o TCU recomendou que o governo realize estudos para analisar o aumento expressivo no número de concessões e melhorar os critérios de elegibilidade.
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Atrasos e golpes no BPC

Além das fraudes identificadas, o INSS alerta sobre golpes relacionados ao BPC. Fraudadores têm entrado em contato com beneficiários, se passando por funcionários do órgão para obter dados pessoais e aplicar golpes financeiros.
Os beneficiários devem ficar atentos e evitar repassar informações sensíveis, como número de CPF e dados bancários, a terceiros. Em caso de suspeita, o INSS recomenda que os cidadãos entrem em contato diretamente pelos canais oficiais do instituto.
Perspectivas para o futuro do BPC
A crescente pressão sobre as contas públicas devido aos pagamentos irregulares levanta um debate sobre a necessidade de revisão das regras do BPC. Especialistas apontam que é fundamental aprimorar os sistemas de verificação e controle para garantir que o benefício seja concedido apenas a quem realmente precisa.
Com as determinações do TCU, espera-se que o INSS implemente medidas mais rigorosas para evitar fraudes e garantir a correta destinação dos recursos públicos. Entretanto, o desafio de monitorar e atualizar continuamente os dados dos beneficiários ainda persiste e exigirá investimentos em tecnologia e fiscalização.
Outro ponto que preocupa as autoridades é a possibilidade de novas fraudes caso os sistemas de controle não sejam modernizados. Especialistas defendem que a integração de bases de dados e o uso de inteligência artificial podem ser soluções eficazes para identificar inconsistências de forma mais ágil. Além disso, uma fiscalização mais rígida, com a realização periódica de auditorias, poderia reduzir os pagamentos indevidos e garantir maior transparência na concessão do BPC.
Enquanto o governo trabalha para corrigir as falhas, beneficiários que realmente necessitam do BPC temem que as novas medidas dificultem ainda mais o acesso ao benefício. Muitas famílias enfrentam burocracias excessivas e demoras nos processos de concessão, o que pode comprometer a assistência a quem está em situação de vulnerabilidade.
Imagem: Vietnam Stock Images shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital
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