O Brasil tem chamado a atenção internacional não apenas por seus recursos naturais ou cultura, mas por inovações tecnológicas desenvolvidas dentro de casa. Entre as mais notórias está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que se tornou alvo de uma investigação norte-americana após o governo dos EUA anunciar novas tarifas contra produtos brasileiros.
5 tecnologias brasileiras, como Pix e gov.br, que estão surpreendendo os EUA
Pix, gov.br e outras inovações brasileiras despertam atenção e causam tensão nos EUA por impacto global. Entenda.
A crescente influência de tecnologias criadas no Brasil tem causado desconforto nos Estados Unidos, especialmente quando essas inovações passam a impactar diretamente setores estratégicos como o financeiro. No podcast Deu Tilt, do UOL, os jornalistas Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz discutiram cinco dessas tecnologias que têm surpreendido – e, por vezes, assustado – o mercado norte-americano.
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Pix: um sistema de pagamentos que desafia os cartões de crédito

Lançado em 2020, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e hoje é amplamente utilizado no país. Sua principal característica é permitir transferências e pagamentos instantâneos, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A praticidade e o custo zero para pessoas físicas fizeram com que muitos brasileiros deixassem de usar o cartão de crédito.
“Mexeu com o Pix, mexeu com a gente”, afirmou Helton Simões Gomes.
Segundo os EUA, o sistema estaria prejudicando empresas americanas, especialmente as do setor de cartões. O modelo, que opera com infraestrutura 100% nacional, também levanta questões sobre competitividade internacional, o que motivou uma investigação sobre possíveis práticas desleais.
Bancos digitais e fintechs: revolução financeira brasileira
A transformação digital do setor bancário no Brasil também é destaque. O país lidera em oferta e uso de bancos digitais e fintechs. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 80% das transações hoje são feitas no ambiente digital. Em contraste, apenas 5% ocorrem fisicamente, em agências bancárias.
“Antigamente, tinha que pegar a fila do banco e ficar lá. Esse processo de digitalização mudou tudo isso”, ressaltou Helton.
Essas startups oferecem soluções mais simples, acessíveis e baratas, desafiando o sistema financeiro tradicional, inclusive o americano, onde a digitalização bancária ainda é mais lenta e segmentada.
Gov.br: um dos maiores serviços digitais do planeta
O domínio gov.br, criado para integrar serviços públicos digitais, também figura como exemplo de inovação. São mais de 4.200 serviços disponíveis, entre eles a autenticação de documentos e assinatura digital.
“É muito legal porque dá acesso a diversos serviços do governo. Um dos mais fascinantes é a assinatura digital”, comentou Diogo Cortiz.
Hoje, a plataforma conta com 163 milhões de usuários ativos, ficando atrás apenas do WhatsApp em volume de acessos no Brasil. É uma das iniciativas públicas mais abrangentes em termos de digitalização de serviços no mundo.
DataSUS: inteligência aplicada à saúde pública
Pouco conhecido fora do Brasil, o DataSUS é um sistema robusto de informações que monitora os dados gerados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Essa tecnologia permite análises em larga escala e auxilia gestores na formulação de políticas públicas com base em evidências.
Essa abordagem centralizada e gratuita é praticamente inexistente nos Estados Unidos, onde o sistema de saúde é descentralizado, complexo e voltado ao setor privado. O DataSUS também tem chamado atenção internacional por sua capacidade de gerar estatísticas detalhadas e apoiar estudos epidemiológicos em tempo real.
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Urna eletrônica: democracia com tecnologia acessível e segura
A urna eletrônica brasileira, utilizada desde 1996, é uma das tecnologias que mais impressiona pela agilidade e segurança. O sistema já foi exportado para outros países e ainda hoje é considerado referência em processos eleitorais.
“Ela facilita o processo democrático. É uma tecnologia em que até agora não foram encontradas evidências de fraudes”, destacou Helton Simões Gomes.
“Tem também a questão da acessibilidade. Pessoas com deficiência conseguem votar, [a urna eletrônica] traz celeridade para o processo”, completou Diogo Cortiz.
Nos Estados Unidos, o processo eleitoral é mais lento, com contagens que podem durar dias. A comparação com a rapidez brasileira gera incômodo em setores que ainda resistem à informatização total do voto.
O incômodo dos EUA com a inovação brasileira

A reação dos Estados Unidos, especialmente diante do avanço do Pix, mostra que a tecnologia brasileira está ultrapassando fronteiras e ganhando relevância global. A investigação aberta pelo governo Trump não apenas mira possíveis prejuízos econômicos, mas também representa uma forma de tentar frear o avanço de soluções tecnológicas que desafiam modelos tradicionais dominados por empresas norte-americanas.
A autonomia tecnológica e a capacidade de inovar em áreas sensíveis, como finanças, saúde e democracia, colocam o Brasil em uma posição estratégica – e cada vez mais observada com atenção (e cautela) por outras nações.
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