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5 tecnologias brasileiras, como Pix e gov.br, que estão surpreendendo os EUA

Pix, gov.br e outras inovações brasileiras despertam atenção e causam tensão nos EUA por impacto global. Entenda.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Pix

O Brasil tem chamado a atenção internacional não apenas por seus recursos naturais ou cultura, mas por inovações tecnológicas desenvolvidas dentro de casa. Entre as mais notórias está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que se tornou alvo de uma investigação norte-americana após o governo dos EUA anunciar novas tarifas contra produtos brasileiros.

A crescente influência de tecnologias criadas no Brasil tem causado desconforto nos Estados Unidos, especialmente quando essas inovações passam a impactar diretamente setores estratégicos como o financeiro. No podcast Deu Tilt, do UOL, os jornalistas Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz discutiram cinco dessas tecnologias que têm surpreendido – e, por vezes, assustado – o mercado norte-americano.

Leia mais: Nova funcionalidade do Pix promete competir com Visa e Mastercard

Pix: um sistema de pagamentos que desafia os cartões de crédito

Pix
Imagem: rafapress/shutterstock.com

Lançado em 2020, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central do Brasil e hoje é amplamente utilizado no país. Sua principal característica é permitir transferências e pagamentos instantâneos, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A praticidade e o custo zero para pessoas físicas fizeram com que muitos brasileiros deixassem de usar o cartão de crédito.

“Mexeu com o Pix, mexeu com a gente”, afirmou Helton Simões Gomes.

Segundo os EUA, o sistema estaria prejudicando empresas americanas, especialmente as do setor de cartões. O modelo, que opera com infraestrutura 100% nacional, também levanta questões sobre competitividade internacional, o que motivou uma investigação sobre possíveis práticas desleais.

Bancos digitais e fintechs: revolução financeira brasileira

A transformação digital do setor bancário no Brasil também é destaque. O país lidera em oferta e uso de bancos digitais e fintechs. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 80% das transações hoje são feitas no ambiente digital. Em contraste, apenas 5% ocorrem fisicamente, em agências bancárias.

“Antigamente, tinha que pegar a fila do banco e ficar lá. Esse processo de digitalização mudou tudo isso”, ressaltou Helton.

Essas startups oferecem soluções mais simples, acessíveis e baratas, desafiando o sistema financeiro tradicional, inclusive o americano, onde a digitalização bancária ainda é mais lenta e segmentada.

Gov.br: um dos maiores serviços digitais do planeta

O domínio gov.br, criado para integrar serviços públicos digitais, também figura como exemplo de inovação. São mais de 4.200 serviços disponíveis, entre eles a autenticação de documentos e assinatura digital.

“É muito legal porque dá acesso a diversos serviços do governo. Um dos mais fascinantes é a assinatura digital”, comentou Diogo Cortiz.

Hoje, a plataforma conta com 163 milhões de usuários ativos, ficando atrás apenas do WhatsApp em volume de acessos no Brasil. É uma das iniciativas públicas mais abrangentes em termos de digitalização de serviços no mundo.

DataSUS: inteligência aplicada à saúde pública

Pouco conhecido fora do Brasil, o DataSUS é um sistema robusto de informações que monitora os dados gerados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Essa tecnologia permite análises em larga escala e auxilia gestores na formulação de políticas públicas com base em evidências.

Essa abordagem centralizada e gratuita é praticamente inexistente nos Estados Unidos, onde o sistema de saúde é descentralizado, complexo e voltado ao setor privado. O DataSUS também tem chamado atenção internacional por sua capacidade de gerar estatísticas detalhadas e apoiar estudos epidemiológicos em tempo real.

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Urna eletrônica: democracia com tecnologia acessível e segura

A urna eletrônica brasileira, utilizada desde 1996, é uma das tecnologias que mais impressiona pela agilidade e segurança. O sistema já foi exportado para outros países e ainda hoje é considerado referência em processos eleitorais.

“Ela facilita o processo democrático. É uma tecnologia em que até agora não foram encontradas evidências de fraudes”, destacou Helton Simões Gomes.

“Tem também a questão da acessibilidade. Pessoas com deficiência conseguem votar, [a urna eletrônica] traz celeridade para o processo”, completou Diogo Cortiz.

Nos Estados Unidos, o processo eleitoral é mais lento, com contagens que podem durar dias. A comparação com a rapidez brasileira gera incômodo em setores que ainda resistem à informatização total do voto.

O incômodo dos EUA com a inovação brasileira

bandeira dos Estados Unidos com barras desenhadas na vertical
Imagem: Pixels Hunter / shutterstock.com

A reação dos Estados Unidos, especialmente diante do avanço do Pix, mostra que a tecnologia brasileira está ultrapassando fronteiras e ganhando relevância global. A investigação aberta pelo governo Trump não apenas mira possíveis prejuízos econômicos, mas também representa uma forma de tentar frear o avanço de soluções tecnológicas que desafiam modelos tradicionais dominados por empresas norte-americanas.

A autonomia tecnológica e a capacidade de inovar em áreas sensíveis, como finanças, saúde e democracia, colocam o Brasil em uma posição estratégica – e cada vez mais observada com atenção (e cautela) por outras nações.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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