O debate sobre o perdão a Bolsonaro ganhou novo capítulo após a intervenção do ex-presidente Michel Temer (MDB). Em entrevista, Temer declarou-se contrário a uma anistia ampla e irrestrita ao ex-chefe do Executivo, defendendo uma alternativa que envolva a revisão da dosimetria das penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Temer veta perdão a Bolsonaro e prega pacto republicano por pacificação
Michel Temer defende pacto republicano e rejeita perdão amplo a Bolsonaro, propondo revisão de penas como caminho de pacificação. Leia mais.
Segundo ele, a punição imposta pelo Judiciário é indiscutível, mas a intensidade das condenações pode e deve ser reavaliada. A proposta foi apelidada por Temer de “PL da Dosimetria” e surge como contraponto ao projeto de anistia em tramitação na Câmara dos Deputados.
Continue a leitura e entenda os bastidores da proposta.
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PL da dosimetria: uma alternativa à anistia

O perdão a Bolsonaro, nos moldes defendidos por sua base política, enfrenta resistência no STF, que já declarou inconstitucional a anistia para crimes contra a democracia.
Temer sugere uma solução intermediária:
- Revisão da dosimetria das penas aplicadas;
- Negociação institucional entre Congresso, Executivo e Supremo;
- Evitar um embate jurídico sobre a constitucionalidade da anistia.
“O título [do projeto] é ‘dosimetria’, mas o objetivo central é a pacificação do país. Seria uma espécie de pacto republicano para tranquilizar o Brasil”, afirmou o ex-presidente.
A proposta de um pacto republicano
Mais do que discutir o perdão a Bolsonaro, Temer defende que o Brasil precisa de um acordo amplo para reduzir tensões políticas. Esse pacto, em suas palavras, envolveria os três Poderes da República e representantes da sociedade civil, além da oposição.
A ideia busca:
- Reduzir a polarização política;
- Restabelecer a confiança institucional;
- Abrir espaço para pautas sociais e econômicas.
Para Temer, sem pacificação, o país continuará refém de disputas que travam o avanço em outras áreas.
Urgência aprovada na Câmara
Nesta semana, a Câmara dos Deputados aprovou a urgência do chamado “PL da Anistia”, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos). Embora o texto não cite explicitamente o nome de Jair Bolsonaro, a oposição pressiona para incluir o ex-presidente no pacote.
- Base governista: contrária ao perdão a Bolsonaro;
- Oposição: defende “anistia ampla, geral e irrestrita”;
- STF: jurisprudência impede perdão para crimes contra a democracia.
Essa divisão intensifica a disputa entre grupos políticos e aumenta a expectativa em torno do julgamento no Supremo.
Relator articula no STF
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade), relator do projeto, confirmou que mantém diálogo direto com ministros do Supremo. O objetivo é encontrar uma solução jurídica que permita amenizar as penas, sem incorrer em inconstitucionalidade.
Ele destacou que a proposta de Temer fortalece esse movimento:
“A anistia já está declarada inconstitucional pelo Supremo. Vamos tratar disso agora. Com isso, tentar tirar o país dessa situação e pacificar o Brasil”, disse Paulinho.
Punição a Bolsonaro: ponto central do debate
O perdão a Bolsonaro se tornou um dos temas mais polarizadores do momento. Condenado a 27 anos de prisão por sua participação na trama golpista que levou aos ataques de 8 de janeiro, o ex-presidente segue como figura central da oposição.
Para seus aliados, a anistia seria uma forma de corrigir o que chamam de “exageros” do Judiciário. Para críticos, conceder o perdão seria um grave retrocesso democrático.
STF: jurisprudência contrária à anistia
O Supremo Tribunal Federal já possui jurisprudência firme: crimes contra a democracia não podem ser anistiados. Essa posição é um dos principais obstáculos à proposta da oposição.
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Caso o Congresso aprove uma anistia irrestrita, ministros indicam que o STF pode barrar o benefício. Por isso, a sugestão de Temer busca um ponto de equilíbrio — a revisão da dosimetria sem eliminar a punição.
Reações políticas ao veto de Temer

O posicionamento de Temer repercutiu fortemente em Brasília:
- Aliados de Bolsonaro criticaram a ideia, alegando que o ex-presidente merece o perdão integral.
- Governistas elogiaram a moderação da proposta, vista como mais próxima da posição do STF.
- Analistas políticos avaliaram que Temer busca reforçar sua imagem como articulador e mediador em momentos de crise.
O tema deve permanecer no centro da agenda política nos próximos meses.
Impactos do debate para o Brasil
A discussão sobre o perdão a Bolsonaro tem reflexos que vão além da figura do ex-presidente:
- Polarização: mantém a sociedade dividida em torno de um tema delicado.
- Institucionalidade: testa os limites da relação entre Congresso e STF.
- Agenda nacional: atrasa discussões sobre economia, saúde e educação.
Para muitos, a proposta de um pacto republicano, nos moldes sugeridos por Temer, pode ser a única forma de reduzir a temperatura da política brasileira.
Recapitulando
O ex-presidente Michel Temer rejeitou o perdão a Bolsonaro em formato de anistia irrestrita e defendeu a revisão da dosimetria das penas como saída viável. Sua proposta inclui a formação de um pacto republicano que envolva os três Poderes, a sociedade civil e a oposição, com o objetivo de pacificar o Brasil.
O tema segue em discussão no Congresso e no STF, e promete ser um dos principais pontos de tensão política no país ao longo de 2025.
Com informações de: Band
