Investidores do Tesouro Direto enfrentaram um período difícil nos últimos meses. Com a alta das taxas de juros, os preços dos títulos caíram de forma expressiva, penalizando quem já tinha papéis comprados antes do movimento de valorização das taxas.
Investidores do Tesouro Direto perdem mais de 30% em 12 meses, mas cenário pode mudar
Tesouro Direto acumula perdas de até 37% em 12 meses; entenda aqui os riscos, impactos das taxas e se ainda vale investir em títulos públicos!!
Mesmo com perdas acentuadas, há quem defenda que o cenário pode mudar. O mercado projeta uma possível reversão na trajetória das taxas, o que pode representar uma nova oportunidade de ganho para quem manter os papéis até o vencimento.

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Entendendo a relação entre juros e preços dos títulos públicos
Como funciona o Tesouro Direto
O Tesouro Direto é um programa do governo federal que permite a compra de títulos públicos por pessoas físicas. Esses papéis são usados para financiar a dívida pública e oferecem diferentes tipos de rentabilidade: prefixada, pós-fixada (indexada à inflação) ou atrelada à taxa Selic.
Marcação a mercado e o impacto nos preços
O ponto crítico que muitos investidores desconhecem é a chamada marcação a mercado. Trata-se de uma atualização diária no valor dos títulos baseada nas condições do mercado naquele momento. Se as taxas de juros sobem, os preços dos títulos caem. Essa lógica afeta diretamente quem deseja resgatar o investimento antes do vencimento.
As perdas acumuladas nos últimos 12 meses
Investimentos afetados
Nos últimos 12 meses, alguns papéis do Tesouro Direto registraram perdas superiores a 30%. O caso mais expressivo é o do Tesouro RendA+ com conversão a partir de 2065, que caiu 37%. Apesar de ser uma alternativa de aposentadoria complementar, o título sofreu com a alta volatilidade do mercado.
Já o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 recuou 12,88%, afetado por fortes oscilações nas taxas reais de juros. Investidores que compraram papéis antes dessas altas viram o valor de seus ativos despencar.
Volatilidade internacional influenciando o cenário
Um dos momentos mais críticos ocorreu em abril de 2025, em meio a tensões comerciais entre China e Estados Unidos. O aumento da aversão ao risco global provocou movimentos de venda nos mercados emergentes, pressionando ainda mais os títulos brasileiros.
O que está por trás da alta das taxas?
Risco fiscal e inflação elevada
O aumento das taxas de juros nos títulos públicos tem como pano de fundo a preocupação com as contas públicas. O risco fiscal, associado ao receio de que o governo não consiga equilibrar receitas e despesas, levou o mercado a exigir juros maiores para continuar financiando o Estado.
Outro fator é a inflação persistente, que dificulta a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. Essa resistência na inflação gera incertezas e acaba influenciando negativamente o comportamento dos títulos indexados ao IPCA.
Reações exageradas do mercado?
Apesar do pessimismo, alguns analistas apontam que o mercado pode ter exagerado nas projeções. As taxas de juros reais (descontada a inflação) ultrapassaram 8% ao ano nos títulos IPCA+ e chegaram a 15% nos prefixados. Níveis considerados historicamente elevados e que podem não se sustentar por muito tempo.
Tesouro Direto ainda vale a pena?
O que fazer com os títulos em queda?
Para os investidores que compraram títulos em momentos de taxas mais baixas, a principal recomendação é não vender antes do vencimento. Ao resgatar o papel antecipadamente, há grandes chances de realizar uma perda.
Manter o título até o prazo final garante a rentabilidade contratada, desde que o emissor (o governo) honre com o pagamento. Portanto, o tempo se torna um aliado fundamental na recuperação desses investimentos.
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Com as taxas elevadas, alguns especialistas recomendam que novas compras de títulos sejam consideradas. O momento pode ser vantajoso para adquirir papéis com retornos atrativos, principalmente os indexados à inflação com prazos entre 2 e 5 anos.
Já os títulos prefixados exigem cautela, pois são mais sensíveis às variações futuras da Selic e da inflação. A escolha ideal dependerá do perfil do investidor, do horizonte de tempo e da tolerância ao risco.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
Expectativa de queda nos juros
A expectativa do mercado é de que os juros comecem a cair ao longo do segundo semestre. Com isso, o valor dos títulos tende a subir, favorecendo quem comprou agora e manteve o papel em carteira.
Esse movimento de recuperação já começou a ser observado em maio, quando alguns papéis do Tesouro IPCA+ acumularam ganhos de mais de 6% em poucas semanas. O Tesouro Prefixado 2028 também voltou a exibir valorização após perdas iniciais.
Riscos seguem no radar
Apesar das possíveis melhorias, o cenário ainda exige atenção. O governo precisa demonstrar compromisso com o controle fiscal. Caso contrário, o mercado pode continuar pressionando as taxas para cima, prolongando o momento negativo para os títulos públicos.
A manutenção da taxa Selic em níveis elevados também pode adiar a recuperação dos preços. Por isso, decisões devem ser baseadas em análises criteriosas e sempre com foco no longo prazo.

Paciência é a chave para o investidor do Tesouro Direto
Os últimos 12 meses foram desafiadores para quem investe no Tesouro Direto. A combinação de juros altos, inflação resistente e instabilidade global fez os preços despencarem e prejudicou os investidores que compraram papéis em momentos menos favoráveis.
Apesar disso, o cenário pode mudar. Com expectativas de queda nas taxas e eventual melhora nas contas públicas, há espaço para recuperação nos preços dos títulos. Para isso, o investidor precisa manter a calma, segurar o investimento e resistir à tentação de vender com prejuízo.
A estratégia ideal envolve diversificação, paciência e visão de longo prazo. Quem conseguir atravessar essa tempestade pode, no futuro, colher os frutos de uma aplicação sólida e rentável.
