Em um cenário de juros reais elevados, o Tesouro RendA+ voltou a chamar a atenção de quem busca construir uma renda complementar para a aposentadoria. O título combina a variação do IPCA com uma taxa de juros definida no momento da compra e, depois do período de acumulação, transforma o patrimônio em pagamentos mensais durante 20 anos.
As taxas disponíveis mudam diariamente, por isso o investidor deve consultar a tabela oficial antes de comprar. Em 26 de agosto de 2026, o Tesouro Direto mantinha o mercado aberto e informava atualização dos preços e taxas às 12h.
A principal vantagem do produto está na possibilidade de travar uma rentabilidade real elevada para um objetivo de longo prazo. Mas há diferenças importantes em relação ao Tesouro IPCA+ e riscos que precisam ser considerados antes da aplicação.
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Como funciona o Tesouro RendA+

O Tesouro RendA+ foi criado especificamente para quem deseja formar uma renda complementar no futuro. Diferentemente de um título que devolve o patrimônio inteiro em uma única data, ele prevê 240 pagamentos mensais, equivalentes a 20 anos de renda, após a data de conversão escolhida pelo investidor.
O funcionamento pode ser dividido em duas fases. Na primeira, o investidor acumula títulos com uma determinada data de conversão. Na segunda, começa a receber a renda mensal, que é corrigida pela inflação.
Atualmente, o produto possui datas de conversão que permitem planejar diferentes momentos para o início da renda, como 2030, 2035, 2040, 2045, 2050, 2055, 2060 e 2065.
Por exemplo, alguém que pretende começar a receber uma renda complementar aos 65 anos pode escolher o título cuja data de conversão esteja mais próxima desse objetivo.
Por que juros reais acima de 7% chamam atenção?
A rentabilidade do RendA+ é formada por uma taxa contratada mais a variação do IPCA. Isso significa que uma taxa real de 7% ao ano, por exemplo, representa uma remuneração acima da inflação, e não simplesmente um rendimento nominal de 7%.
Essa característica é relevante para objetivos que se estendem por décadas. Se o investidor mantiver o título de acordo com sua estratégia, a correção pelo IPCA ajuda a preservar o poder de compra da renda futura.
O próprio Tesouro Direto destaca o RendA+ como um título voltado à aposentadoria e informa que os pagamentos mensais são corrigidos pela inflação durante o período de recebimento.
Quanto tempo faz diferença na aposentadoria?
O prazo é um dos fatores mais importantes nessa estratégia. Quem começa a investir aos 35 anos e pretende receber uma renda complementar aos 65 terá três décadas para acumular patrimônio. Já uma pessoa de 55 anos com o mesmo objetivo terá aproximadamente dez anos.
Isso significa que o investidor mais jovem pode distribuir o esforço financeiro por um período muito maior. Em vez de depender de uma grande aplicação inicial, pode realizar compras periódicas e aproveitar o efeito dos juros compostos.
As simulações do Tesouro Direto são úteis para estimar esse esforço, mas não devem ser interpretadas como promessa de rentabilidade. O próprio programa alerta que as projeções são baseadas em condições de mercado e não garantem resultados futuros.
Por isso, uma pessoa que pretende construir R$ 8 mil de renda mensal daqui a 30 anos não deve simplesmente reproduzir uma simulação feita hoje. As taxas disponíveis para os novos aportes poderão ser diferentes no futuro.
Tesouro RendA+ ou Tesouro IPCA+: qual escolher?

A escolha depende principalmente do objetivo.
O Tesouro IPCA+ é mais flexível para quem pretende acumular patrimônio e receber o dinheiro em uma data específica. Em sua modalidade sem juros semestrais, o pagamento ocorre no vencimento. Já o RendA+ foi estruturado para transformar o patrimônio em uma sequência de pagamentos mensais durante duas décadas.
Assim, quem deseja criar uma espécie de salário complementar na aposentadoria pode encontrar no RendA+ uma estrutura mais alinhada à finalidade.
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Já quem pretende utilizar o dinheiro integralmente para comprar um imóvel, por exemplo, pode ter maior interesse em um título cujo fluxo de pagamento esteja concentrado no vencimento.
O principal risco está na venda antecipada
Apesar de ser um título público, o RendA+ não deve ser tratado como investimento sem risco de oscilação.
Caso o investidor venda antes da data planejada, o preço do título pode ser diferente daquele observado na compra. Isso ocorre porque os títulos públicos são negociados de acordo com as condições de mercado.
Se os juros futuros subirem, por exemplo, o preço de um título adquirido anteriormente pode cair. Se as taxas recuarem, o movimento pode ser favorável ao preço do papel.
Por isso, quem pretende utilizar o RendA+ para aposentadoria precisa ter capacidade de manter a estratégia durante o período planejado. O Tesouro Direto informa que os preços dos títulos podem ser alterados conforme as condições de mercado e que o resgate antecipado utiliza o preço de venda vigente.
Imposto de renda e taxas também entram na conta
O RendA+ está sujeito ao Imposto de Renda conforme a tabela regressiva da renda fixa. Em investimentos com prazo superior a 721 dias, a alíquota chega a 15% sobre os rendimentos.
Há ainda uma regra específica para a taxa de custódia da B3. No RendA+, o Tesouro Direto informa que a cobrança ocorre nos resgates antecipados ou durante os recebimentos mensais. Para quem mantém o título até o vencimento, existe isenção para rendas mensais de até seis salários mínimos; acima desse limite, aplica-se a cobrança prevista no regulamento.
Esses custos precisam ser considerados quando o investidor compara a renda projetada com o valor efetivamente recebido.
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