Um novo levantamento revela que a maioria dos trabalhadores do Brasil não conta com acesso a programas governamentais de proteção social em caso de perda do emprego ou da principal fonte de renda.
Quase 60% dos trabalhadores brasileiros não têm acesso a benefícios em caso de desemprego
Pesquisa da FGV Ibre revela que 58,2% dos trabalhadores brasileiros não têm acesso a benefícios sociais em caso de desemprego.
Segundo a Sondagem de Mercado de Trabalho realizada pelo FGV Ibre, 58,2% dos participantes afirmaram não possuir qualquer benefício, enquanto apenas 41,8% declararam ter acesso a alguma forma de proteção social.
Este dado evidencia um problema estrutural no mercado de trabalho nacional, marcado por alta informalidade e vulnerabilidade social, que impacta diretamente a segurança econômica de milhões de brasileiros.
Informalidade e ausência de proteção social: um panorama preocupante

A elevada taxa de informalidade no Brasil é apontada como um dos principais motivos para a ausência de acesso a benefícios sociais para uma parcela expressiva da força de trabalho.
Trabalhadores informais, como ambulantes, autônomos e freelancers, frequentemente não têm vínculo formal com a Previdência Social, o que dificulta ou impossibilita o acesso a programas como seguro-desemprego, auxílio emergencial e outros benefícios assistenciais.
Principais fatores que contribuem para a falta de proteção:
- Trabalho informal e autônomo sem registro formal
- Baixa escolaridade e acesso limitado a informações sobre direitos trabalhistas
- Mercado de trabalho instável e sazonal, especialmente em setores como comércio e serviços
- Barreiras burocráticas para acessar programas governamentais
Esse cenário representa um desafio para a formulação de políticas públicas efetivas voltadas para a proteção social ampla e inclusiva.
O que revelou a segunda edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da FGV Ibre?
A pesquisa abordou dois aspectos principais relacionados à proteção social:
- A percepção do trabalhador sobre seu acesso a programas de proteção social caso perca sua principal fonte de renda.
- O sentimento pessoal de proteção ou vulnerabilidade em relação à perda do emprego ou da principal atividade remunerada.
Resultados do levantamento
- 58,2% dos entrevistados afirmam não ter acesso a programas governamentais ou benefícios sociais em caso de desemprego ou perda da renda.
- 41,8% declararam possuir algum tipo de benefício ou proteção social.
Quando questionados sobre como se sentem em relação à proteção social, as respostas foram:
- 39,7% se sentem parcialmente desprotegidos
- 32,4% se sentem totalmente desprotegidos
- 27,9% se sentem protegidos
Esses números indicam que mais de 70% dos trabalhadores têm alguma sensação de insegurança ou fragilidade em relação ao sistema de proteção social.
Impacto da informalidade na proteção social

O economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, destaca a relação direta entre a elevada informalidade e a ausência de benefícios:
“Apesar da evolução positiva dos últimos anos, ainda existem questões estruturais no mercado de trabalho brasileiro. A maioria das pessoas afirma não ter acesso a programas do governo em caso de perda do trabalho, algo que parece ter relação com a elevada taxa de informalidade observada no país.”
Segundo Tobler, o problema se agrava especialmente entre trabalhadores de menor renda, que são os mais vulneráveis e têm menor capacidade de enfrentar situações de desemprego sem suporte governamental.
Perfil dos trabalhadores vulneráveis e a vulnerabilidade econômica
A pesquisa indica que a falta de proteção social é mais presente entre:
- Trabalhadores informais e autônomos sem carteira assinada
- Pessoas com menor nível educacional
- Trabalhadores em setores informais da economia, como comércio ambulante, construção civil e serviços domésticos
- Mulheres e jovens, que historicamente enfrentam maiores dificuldades de inserção formal no mercado de trabalho
Consequências da ausência de benefícios sociais:
- Instabilidade financeira e dificuldade em manter necessidades básicas, como alimentação, saúde e moradia
- Aumento do endividamento familiar
- Maior exposição a condições precárias de trabalho e exploração
- Redução do poder de compra e retração econômica em comunidades vulneráveis
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A importância de políticas públicas eficazes para a proteção social
O cenário de alta informalidade e insegurança reforça a urgência de:
- Ampliação do acesso aos programas sociais, inclusive para trabalhadores informais
- Criação de novas modalidades de benefícios que contemplem a diversidade do mercado de trabalho atual
- Investimento em qualificação profissional para facilitar a formalização e melhor inserção no mercado
- Simplificação dos processos burocráticos para o acesso a benefícios
Além disso, o fortalecimento do sistema previdenciário e assistencial é fundamental para reduzir desigualdades e proporcionar uma rede de segurança para toda a população trabalhadora.
Perspectivas e desafios futuros

Com o mercado de trabalho brasileiro passando por transformações profundas, como a expansão do trabalho remoto e o aumento da gig economy, os modelos tradicionais de proteção social enfrentam desafios para se adaptar. A rápida evolução da tecnologia e a mudança nos formatos de emprego exigem políticas flexíveis e inovadoras.
Algumas propostas discutidas por especialistas incluem:
- Inclusão automática no sistema previdenciário para trabalhadores informais mediante contribuições facilitadas
- Programas de seguro-desemprego ajustados para trabalhadores por conta própria
- Incentivos à formalização e à criação de empregos com carteira assinada
- Programas de transferência de renda vinculados à capacitação e inserção no mercado formal
O papel do governo e da sociedade
O governo federal e os órgãos responsáveis devem atuar de forma integrada para ampliar a proteção social, garantindo que os benefícios alcancem os grupos mais vulneráveis. A sociedade civil, sindicatos e organizações não governamentais também têm papel importante na defesa dos direitos dos trabalhadores e na promoção de campanhas de informação.
Para quem quer se aprofundar:
- Informações sobre direitos trabalhistas no Ministério do Trabalho e Emprego
- Programas sociais do governo federal no Portal Gov.br
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