Nesta quarta-feira (2), um intenso episódio no mercado de criptomoedas chamou atenção: um trader da Hyperliquid, apelidado por plataformas de análise como Lookonchain de “apostador”, perdeu cerca de R$ 1,1 bilhão — aproximadamente US$ 200 milhões — em uma série de 14 liquidações, enquanto apostava na queda de Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH).
Bilhões no ralo: trader desafia o Bitcoin e é esmagado por 37 liquidações
Trader na Hyperliquid perde R$ 1,1 bilhão em 14 liquidações após alta de Bitcoin e Ethereum. Saiba como alavancagem extrema pode levar a perdas catastróficas.
A volatilidade intensa do mercado, acompanhada da notícia de um possível cessar‑fogo geopolítico e dados econômicos favoráveis aos ativos de risco, deflagrou uma onda de liquidações que afetou mais de 100 mil traders em 24 horas.
O episódio serve de aviso contundente sobre os riscos da alavancagem extrema nas operações de futuros, especialmente quando combinada com movimentações macroeconômicas e tectônicas geopolíticas.
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Como tudo aconteceu — o perfil do trader “apostador”
Operações com alavancagem absurda
De acordo com análise da Lookonchain e relato no BeInCrypto, o trader identificado como @qwatio na Hyperliquid entrou com posições vendidas altamente alavancadas: até 40× em BTC e 25× em ETH. Quando o mercado se virou e iniciou rali, essas posições foram liquidadas diversas vezes.
Em apenas alguns dias, “Qwatio” foi liquidado 14 vezes, acumulando perdas líquidas de US$ 8,6 milhões (≈ R$ 46,6 milhões) nas últimas 24 horas e cerca de US$ 15 milhões (≈ R$ 81,3 milhões) em 10 dias.
Padrão recorrente de risco
Lookonchain detalhou o padrão do investidor:
“Ele sempre faz short com a maior alavancagem possível quando o preço cai, e depois é liquidado quando o preço dispara”.
Além das 14 liquidações registradas hoje, o trader já acumulava ao todo 37 liquidações ao longo de sua atividade — 15 em BTC e 8 em ETH.
O que impulsionou o rali que castigou os shorts

Geopolítica e macro sensível
A valorização de 3,3% no BTC (próximo de US$ 110.000) e 6,7% no ETH (encaixando-se em US$ 2.600) seguiu dois grandes vetores:
- Progresso nas negociações de cessar‑fogo entre Israel e Irã;
- Dados econômicos dos EUA que pressionam por cortes de juros — um contexto que favorece ativos de risco.
Reação em cadeia no mercado de futuros
Conforme o preço disparou, as posições mais apertadas foram liquidadas primeiro — um efeito cascata típico em ambientes de alta volatilidade. Dados da Coinglass indicam que mais de 106.224 traders foram liquidados entre terça e quarta, com perdas somando US$ 344,78 milhões.
Onde doeu mais
- Bitcoin: US$ 123 milhões em liquidações;
- Ethereum: US$ 97,3 milhões;
- A maior liquidação individual ocorreu na Binance, no par ETH/USDT, valendo US$ 8,87 milhões.
Cerca de 1/3 das liquidações foram de longs, pois o BTC havia caído para US$ 105.130 na noite anterior, antes de iniciar a recuperação.
As lições do caso “Qwatio” e o perigo da alavancagem
Alavancagem elevada = risco extremo
O caso deixa claro: operar com alavancagem de 40× ou 50×, embora amplifique lucros, aumenta dramaticamente o risco de falência. Ao usar margens apertadas, qualquer movimento adverso pode resultar em liquidação imediata.
Padrões de mercado punem arriscar demais
Ativos como BTC e ETH muitas vezes se recuperam rapidamente através de short squeezes — movimentos provocados pela pressão de liquidação de traders vendidos. Posições muito alavancadas se tornam alvos fáceis.
Psicologia e gerenciamento falharam
Apesar dos sucessos eventuais, o trader parece ignorar os sinais do mercado, repetindo táticas arriscadas que o levaram à ruína. Disciplina, stop-loss e dimensionamento são essenciais, mas foram claramente negligenciados.
Contexto mais amplo: volatilidade e consolidação no mercado

O movimento raro que abalou o mercado
O volume de liquidações no dia foi parte de uma reação maior nos mercados cripto. Conforme apontado pela CoinGlass, saltos acentuados no preço desencadeiam eventos massivos: realizações abruptas, fechamento de posições e pressão regulatória interna .
Crise parecida em outros períodos
No passado, quando o mercado atingiu picos ou retomou força, ocorreram grandes liquidações. Um episódio de dezembro de 2023, com US$ 193 milhões liquidados após alta de BTC, é um exemplo precedente .
O que traders devem observar daqui para frente
Monitorar pontos de liquidação e heatmaps
Ferramentas como Coinglass Heatmap permitem identificar zonas propensas à liquidação, oferecendo caminho para decisões mais informadas.
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Evitar alavancagem excessiva
A prudência recomenda evitar níveis superiores a 5–10×, especialmente em momentos de alta volatilidade. A prioridade deve ser proteção de capital, não retorno imediato.
Valorização dos marcos técnicos
Observadores devem ficar de olho nos principais níveis:
- Suportes: US$ 105 mil e US$ 100 mil;
- Resistências: US$ 110–112 mil (próximos tetos psicológicos).
Estratégias alternativas
- Short com moderação;
- Hedging parcial;
- Uso de opções para proteção (puts);
- Stop-loss bem definido.
Implicações para o mercado e futuras tendências
Pressão vendedora reduzida em mega pullbacks
Esse tipo de liquidação tende a reduzir a pressão vendedora, abrindo espaço para sustentação de preços ou reversões.
Rali pós-liquidação é possível
Após uma liquidação dispendiosa, o caminho fica livre para uma retomada rápida, já que os alvos dos shorts já foram exterminados.
Mais consiliação antes da próxima alta
O mercado deverá estabilizar-se entre US$ 105 mil e US$ 110 mil, à espera de novos gatilhos macroeconômicos — próximos dados de emprego, decisões do Fed, ou notícias geopolíticas.
Conclusão: um alerta à comunidade

O caso “Qwatio” reforça que o mercado de futuros não é para iniciantes: alavancagem extrema é uma faca de dois gumes que pode destruir patrimônio num piscar de olhos. A volatilidade elevada, típica de ativos como BTC e ETH, amplifica essa ameaça.
Para quem deseja operar com levier, a palavra de ordem é: disciplina, gestão rígida de risco, e respeito às condições de mercado. Em contraste, investidores conservadores às vezes preferem mercado spot ou posições hedged.
Em última análise, a história serve como lembrete: o que pode gerar grandes lucros também pode apagar contas inteiras — e as luzes se apagam ainda mais rápido num piscar do mercado.
