A 10ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) reformou uma sentença anterior e concedeu provimento parcial à apelação de uma pensionista contra a Caixa Econômica Federal.
TRF-1 decide que Caixa não pode cobrar empréstimo consignado em pensão por morte
TRF-1 reconhece a ilegalidade de descontos sem autorização em pensão por morte e determina indenização.
O colegiado destacou a ilegalidade de descontos nos rendimentos da pensionista sem sua autorização formal, resultando em uma decisão que beneficia diretamente a requerente.
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O caso e os argumentos da pensionista
A cliente buscava na Justiça a extinção de uma dívida relacionada a um empréstimo consignado contratado por um servidor falecido, cujo pagamento vinha sendo descontado diretamente de sua pensão por morte. A pensionista alegou que:
- A pensão por morte não se inclui na herança do falecido;
- Não existia previsão contratual que a tornasse responsável pela dívida;
- Os descontos eram ilegais, pois não contavam com sua autorização formal.
Ademais, a pensionista solicitou:
- A interrupção dos descontos realizados em seus proventos;
- A indenização por danos morais e materiais devido ao impacto financeiro e emocional causado pela cobrança indevida.
A decisão do TRF-1
A desembargadora federal Ana Carolina Roman, relatora do caso, reconheceu pontos fundamentais que sustentaram a decisão favorável à pensionista. Entre os destaques estão:
A legalidade da dívida

Embora o artigo 16 da Lei 1.046/50 previsse a extinção da dívida consignada em caso de falecimento do contratante, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o próprio TRF-1 consideram que essa disposição foi tacitamente revogada. Assim, a dívida poderia continuar a ser cobrada, desde que houvesse previsão contratual ou seguro prestamista.
Contudo, no caso analisado:
- Ausência de Cláusula Contratual: Não havia previsão contratual que estabelecesse a quitação automática do débito após o falecimento do servidor.
- Falta de Seguro Prestamista: A inexistência de seguro prestamista afastou a possibilidade de extinção do débito.
A Ilegalidade dos Descontos
A relatora enfatizou que qualquer desconto realizado em proventos de pensionistas requer autorização formal. Embora o contrato original tivesse anuência do servidor falecido, não havia consentimento da pensionista, o que torna os descontos ilegais.
Impactos da decisão
A decisão do TRF-1 não apenas determinou a interrupção imediata dos descontos, mas também reconheceu os prejuízos causados à pensionista. O Tribunal determinou:
- Suspensão dos Descontos: Cessando a cobrança em folha de pagamento;
- Restituição em Dobro: A devolução dos valores indevidamente descontados, com correção monetária;
- Indenização por Danos Morais: Um montante fixado em R$ 5 mil, considerado adequado pelos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Dano Moral Presumido
O colegiado considerou que os descontos indevidos causaram impacto direto no bem-estar da pensionista, afetando sua fonte de renda e configurando dano moral in re ipsa, ou seja, que independe de comprovação adicional.
A relevância da decisão
Este caso reforça a importância de observar os direitos dos pensionistas e a legalidade das cobranças feitas por instituições financeiras. A decisão estabelece um precedente que pode influenciar futuras disputas judiciais envolvendo dívidas consignadas e pensões por morte.
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O que fazer em situações semelhantes?

Se você ou um conhecido enfrenta situações similares, considere os seguintes passos:
1. Verifique os Contratos
Confirme se existem cláusulas que prevejam a transferência de responsabilidade ou a extinção da dívida.
2. Consulte um Advogado
Procure assessoria jurídica para avaliar a legalidade das cobranças e as medidas cabíveis.
3. Recorra ao Judiciário
Se identificada alguma irregularidade, é possível buscar a Justiça para interromper os descontos, solicitar a devolução de valores e pedir indenização por danos morais.
Considerações finais
A decisão do TRF-1 em favor da pensionista contra a Caixa Econômica Federal é um marco na proteção dos direitos financeiros de beneficiários de pensões por morte. O caso destaca a ilegalidade de descontos sem autorização formal, reafirmando a importância da transparência e do respeito ao consumidor por parte das instituições financeiras.
Se você enfrenta cobranças indevidas, procure orientação jurídica para defender seus direitos e buscar soluções adequadas. A Justiça está ao lado de quem busca garantir a legalidade e a equidade em relação aos seus rendimentos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
