O cenário financeiro brasileiro vive um debate acalorado sobre a tributação de bancos tradicionais e fintechs, com impacto direto na rentabilidade e competitividade do setor.
Bancos tradicionais pagam até 11 pontos percentuais a mais de CSLL que fintechs
Entenda como fintechs e bancos tradicionais pagam impostos diferentes e o impacto na rentabilidade. Confira análise completa e saiba mais!
Um levantamento recente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) revelou que as fintechs pagam alíquotas de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 5 a 11 pontos percentuais menores do que os bancos tradicionais. A análise destaca que essas diferenças afetam a concorrência, a lucratividade e a percepção de isonomia entre instituições financeiras.
O estudo foi divulgado na segunda-feira, 20 de outubro de 2025, e gerou repercussão significativa no setor. A discussão ganhou força após a tentativa do governo de elevar a tributação das fintechs por meio da Medida Provisória do IOF, que acabou retirada da pauta da Câmara dos Deputados em 8 de outubro.
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Diferenças de tributação segundo a Febraban

De acordo com o levantamento, os bancos tradicionais recolhem 45% de CSLL, enquanto as fintechs pagam entre 34% e 40%, dependendo da operação. Essa diferença, segundo a federação, resulta em uma carga tributária desigual para instituições que oferecem os mesmos produtos financeiros.
A Febraban defende que bancos e fintechs devem ter a mesma tributação, destacando que a divergência permite áreas de escape que beneficiam algumas empresas em detrimento de outras.
Posicionamento do Nubank sobre tributação
O Nubank, uma das maiores fintechs do país, contestou os argumentos da Febraban, afirmando que a federação apresenta “argumentos tortuosos” para prejudicar a concorrência.
A empresa destacou que já promoveu inclusão financeira para 58% de seus clientes e mantém taxa efetiva de imposto de 34,1%, superior à de alguns bancos tradicionais.
Rentabilidade de fintechs versus bancos
O estudo comparou a rentabilidade do Nubank com os três maiores bancos privados do Brasil — Itaú, Bradesco e Santander — e revelou dados significativos:
- Margem de lucro do Nubank: 23%
- Margem de lucro dos bancos tradicionais: 9,5% a 15%
- Retorno sobre capital (ROE) do Nubank: 35,8%
- Média de ROE dos bancos: 11,5% a 20%
O levantamento ainda ressalta que os custos operacionais das fintechs são significativamente menores, graças a estruturas enxutas e menos exigências regulatórias. Nos bancos, despesas com pessoal e captação podem consumir até 83% das receitas, reduzindo a margem de lucro.
Impacto sobre a concorrência
A Febraban afirma que a diferença de tributação distorce a concorrência no setor financeiro. Apesar das fintechs cobrarem juros médios mais altos (67% ao ano) em comparação aos bancos tradicionais (26%), conseguem manter alta rentabilidade e valor de mercado superior a algumas instituições tradicionais.
Segundo dados de mercado:
- Itaú: US$ 69,8 bilhões
- Bradesco: US$ 40 bilhões
- Santander: US$ 31,6 bilhões
- Nubank: US$ 71,2 bilhões
Argumento da Febraban: isonomia tributária
Para a federação, é fundamental que instituições que atuam em crédito, cartões e pagamentos sejam tributadas de forma uniforme, garantindo que o setor funcione em condições justas.
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“É muito difícil explicar que a instituição financeira mais rentável do mundo pague alíquota menor que os bancos brasileiros”, alerta o estudo, destacando o caso do Nubank, classificado como o banco mais rentável do mundo em 2024, com retorno sobre capital de 60,7%.
A entidade reforça que a tributação deve incidir sobre a atividade, e não sobre a estrutura ou nome da empresa, evitando distorções no mercado.
Desafios e propostas

A diferença de CSLL entre bancos e fintechs evidencia dois desafios centrais:
- Concorrência justa: sem igualdade tributária, bancos e fintechs competem em condições desiguais, prejudicando o consumidor.
- Arrecadação eficiente: o governo busca aumentar receita sem prejudicar o acesso e a inovação financeira.
A Febraban defende políticas que nivelam o campo competitivo, enquanto fintechs argumentam que sua eficiência e inovação já beneficiam consumidores com menores taxas e inclusão financeira ampliada.
Panorama futuro
O debate sobre tributação de fintechs e bancos deve continuar em 2026, quando o governo pretende revisar alíquotas e regulamentações. Analistas destacam que:
- A uniformidade fiscal pode reduzir conflitos entre instituições e simplificar a arrecadação.
- Fintechs precisam equilibrar crescimento e carga tributária, garantindo sustentabilidade e inovação.
- Consumidores podem se beneficiar de maior concorrência e produtos financeiros mais acessíveis.
Com informações de: Poder360
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