A decisão do governo norte-americano de impor uma tarifa de US$ 100 mil para a concessão do visto H-1B promete alterar profundamente a dinâmica da imigração qualificada nos Estados Unidos.
Por que Trump quer cobrar US$ 100 mil pelo visto H-1B e o que isso significa para brasileiros
Nova taxa de US$ 100 mil para o visto H-1B nos EUA pode afetar brasileiros e big techs. Entenda impactos da medida de Trump.
A medida, anunciada por Donald Trump em seu novo mandato, afeta não apenas empresas que contratam mão de obra estrangeira, mas também milhares de profissionais que enxergam no país uma oportunidade de carreira. Para os brasileiros, a mudança significa custos mais altos e maior dificuldade para competir no mercado norte-americano.
Leia Mais:
Veja as profissões deixarão de existir no MEI em 2026
O que é o visto H-1B e como funciona

O visto H-1B é destinado a trabalhadores estrangeiros de alta qualificação. Ele permite que empresas norte-americanas contratem profissionais em áreas como tecnologia, saúde, engenharia e educação.
- Validade: até 3 anos, renováveis por igual período.
- Beneficiários: cônjuge e filhos solteiros menores de 21 anos podem acompanhar o titular.
- Limite anual: 85 mil vistos, sendo 20 mil destinados a quem concluiu mestrado ou doutorado nos EUA.
A solicitação é feita exclusivamente pela empresa contratante, que precisa comprovar ao Departamento do Trabalho que o estrangeiro receberá remuneração equivalente à de norte-americanos em funções semelhantes e que não há profissionais locais disponíveis para o cargo.
Quando o número de pedidos excede o limite anual, entra em cena a chamada H-1B Lottery, um sorteio eletrônico que decide quais candidatos poderão seguir com o processo. Após aprovação, o profissional deve solicitar o visto em um consulado norte-americano e aguardar autorização para iniciar suas atividades, geralmente a partir de 1º de outubro.
Trump endurece regras e anuncia taxa milionária
Até agora, o custo para o H-1B era de US$ 215, valor pago pelo solicitante no consulado. A nova determinação de Trump eleva essa quantia para US$ 100 mil (cerca de R$ 533 mil). A cobrança será anual, aplicada a cada visto solicitado por empresas, e já tem data prevista para entrar em vigor: 21 de setembro de 2025.
Segundo o secretário de Comércio, Howard Lutnick, a proposta tem como objetivo priorizar trabalhadores norte-americanos recém-formados. “Se você for treinar alguém, treine um dos nossos jovens. Pare de trazer pessoas de fora para ocupar nossos empregos”, declarou.
A medida faz parte de uma política migratória mais rígida, que não se limita a conter a imigração ilegal, mas também impacta modalidades legais. Críticos afirmam que a tarifa inviabiliza a contratação de estrangeiros e pode desestimular talentos de contribuir com a economia norte-americana.
Impacto para brasileiros
Os profissionais brasileiros que buscam oportunidades nos Estados Unidos tendem a ser diretamente afetados. Embora representem um percentual menor de beneficiários em comparação com indianos e chineses, os brasileiros têm presença relevante em áreas como tecnologia, engenharia e saúde.
Com a tarifa de US$ 100 mil, o custo de contratação para empresas se torna proibitivo, reduzindo a competitividade de profissionais estrangeiros em relação aos locais. Além disso, a medida pode levar empregadores a optar por abrir escritórios em outros países para atrair mão de obra qualificada, em vez de arcar com a nova taxa nos EUA.
Setores mais atingidos
- Tecnologia da informação: programadores, cientistas de dados e engenheiros de software.
- Saúde: médicos e profissionais de enfermagem, em especial em regiões carentes de especialistas.
- Educação: professores universitários em áreas de alta demanda.
Reação das big techs

O anúncio repercutiu de imediato entre gigantes do setor tecnológico. Meta, Amazon e Microsoft enviaram comunicados internos recomendando que funcionários estrangeiros permaneçam nos EUA até a data de vigência da nova cobrança.
As companhias temem que o aumento de custos reduza sua capacidade de atrair e manter profissionais qualificados, principalmente em áreas de inovação. Apesar da proximidade inicial entre líderes das big techs e Trump, a decisão cria atrito entre o governo e o setor que mais depende do H-1B.
Um porta-voz da Casa Branca tentou amenizar as críticas, afirmando que a medida se aplicará apenas a novos vistos, e não a renovações ou entradas e saídas de quem já possui a autorização. Ainda assim, a incerteza gera insegurança entre empresas e trabalhadores.
Índia e Amazon lideram o uso do H-1B
Dados oficiais mostram que a Índia responde por cerca de 71% dos vistos H-1B concedidos, seguida pela China, com 11,7%. O Brasil aparece em números menores, mas em áreas estratégicas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Entre as empresas, a Amazon lidera o ranking de solicitações. Apenas no primeiro semestre de 2025, a companhia e sua divisão AWS obtiveram mais de 12 mil aprovações. Microsoft e Meta aparecem logo atrás, com cerca de 5 mil pedidos cada.
Essa concentração revela a importância do programa para o setor de tecnologia, que depende de especialistas estrangeiros para preencher lacunas de mão de obra e manter sua competitividade no cenário global.
Consequências econômicas e políticas
Especialistas apontam que a tarifa milionária pode gerar efeitos contrários ao pretendido pelo governo. Ao encarecer a contratação de estrangeiros, os EUA correm o risco de perder talentos para países concorrentes, como Canadá e Reino Unido, que mantêm políticas mais abertas à imigração qualificada.
Além disso, há dúvidas sobre a legalidade da medida e sobre como ela será implementada na prática. O Congresso e cortes federais podem ser acionados para avaliar se o aumento de custo é compatível com a legislação vigente.
Brasil em alerta
Para o Brasil, a decisão representa não apenas um entrave para profissionais que almejam carreira internacional, mas também uma oportunidade de repensar políticas de retenção de talentos. Universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras podem se beneficiar de profissionais que, diante das barreiras nos EUA, optem por permanecer no país.
Conclusão
A imposição de uma taxa de US$ 100 mil para o visto H-1B marca um novo capítulo na política migratória norte-americana. Embora defendida como forma de proteger empregos locais, a medida ameaça a competitividade das empresas e dificulta o acesso de estrangeiros qualificados ao mercado dos EUA. Para brasileiros, o impacto pode ser duplo: perda de oportunidades internacionais e maior valorização do talento em território nacional.
O futuro do H-1B, agora em disputa política e judicial, será decisivo para definir o rumo da imigração qualificada e para mostrar até onde Trump está disposto a ir em sua cruzada contra a entrada de estrangeiros, inclusive pela via legal.
Imagem: ArtWell / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

