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Trump muda foco e diz que agora quer ‘resolver a Rússia’ após cessar-fogo em Gaza

Após cessar-fogo entre Israel e Hamas, Trump muda foco para encerrar guerra entre Rússia e Ucrânia e cogita vender mísseis à Ucrânia.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
trump

Com o cessar-fogo temporário entre Israel e o Hamas e a libertação de reféns em andamento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, volta suas atenções para outro palco de guerra: a invasão russa à Ucrânia.

Em declarações recentes, o líder americano afirmou que “agora é hora de resolver a questão da Rússia”, sinalizando uma mudança de prioridade em sua política externa e uma nova fase de pressão sobre Vladimir Putin.

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Mudança de foco após cessar-fogo em Gaza

mapa mostrando Israel e a Faixa de Gaza
Imagem: Below the Sky / Shutterstock.com

A promessa de encerrar os conflitos internacionais foi um dos principais pilares da campanha de reeleição de Trump em 2024. Ao longo de sua gestão, o republicano tem reforçado o discurso de que herdou crises externas mal administradas e que seu governo busca restabelecer a estabilidade global.

Após o acordo de trégua em Gaza, mediado com participação ativa dos Estados Unidos, Trump afirmou em jantar com aliados que o avanço no Oriente Médio cria um ambiente favorável para concentrar esforços no leste europeu.

“Curiosamente, fizemos progressos hoje por causa do que aconteceu no Oriente Médio”, disse Trump, em referência às negociações entre Israel e Hamas.

O presidente afirmou ainda que vê uma oportunidade diplomática para “restaurar a paz na Europa”, mas deixou claro que não hesitará em adotar medidas mais duras caso o Kremlin continue a resistir às tratativas de paz.


Reunião com Zelensky e possível venda de mísseis

Trump se prepara para receber Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, em uma nova rodada de conversas em Washington. Segundo fontes da Casa Branca, será a quarta reunião entre ambos em 2025, e deve se concentrar no fornecimento de armamentos e em possíveis novas sanções econômicas contra Moscou.

Um dos pontos mais sensíveis é a possibilidade de venda de mísseis de cruzeiro Tomahawk à Ucrânia — tecnologia com alcance de até 1.600 milhas, capaz de atingir profundamente o território russo.

“Zelensky gostaria de ter Tomahawks, e nós temos muitos Tomahawks”, declarou Trump, em tom desafiador.

A proposta é vista por analistas como uma mudança significativa na postura militar americana, uma vez que o envio desse tipo de armamento ultrapassaria linhas vermelhas já estabelecidas por Putin. O Kremlin, em resposta, advertiu que tal movimento “prejudicaria de forma irreversível as relações bilaterais”.

Tomahawks ou ATACMS: debate entre especialistas

O analista Mark Montgomery, da Fundação para a Defesa das Democracias, destacou que, embora o fornecimento de Tomahawks tenha impacto político expressivo, a entrega e o treinamento poderiam levar anos. Ele sugere que os EUA priorizem sistemas já em uso, como o ATACMS e o ERAM, de alcance mais limitado, mas de resposta rápida.

“O ERAM, mesmo com alcance menor, pode ser decisivo para atingir a infraestrutura russa próxima à linha de frente”, explicou Montgomery.

Atualmente, Washington já aprovou a venda de mais de 3 mil mísseis ERAM a Kiev, o que reforça o comprometimento dos EUA em manter o apoio logístico ao exército ucraniano.


Casa Branca avalia novas sanções contra Moscou

trump
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Zelensky deve insistir para que os EUA intensifiquem as sanções econômicas contra a Rússia, algo que Trump vinha evitando até recentemente. No entanto, diante do prolongamento da guerra e da pressão interna de congressistas, o governo americano reconsidera uma postura mais firme.

O Congresso estuda um projeto de lei que aplicaria tarifas elevadas a países que continuem comprando petróleo, gás e urânio russos — uma tentativa de cortar o principal fluxo de receita de Moscou.

Entre os autores da proposta estão os senadores Lindsey Graham (republicano) e Richard Blumenthal (democrata), refletindo uma rara aliança bipartidária. Nos bastidores, assessores da Casa Branca indicam que Trump passou a demonstrar maior interesse em apoiar a medida.

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Um funcionário de alto escalão, sob anonimato, afirmou que “qualquer pacote de sanções precisa oferecer ao presidente flexibilidade total”, sinalizando que as negociações estão avançando, mas ainda dependem de ajustes técnicos e políticos.


Pressão internacional e postura americana

Além da pressão interna, Trump busca envolver parceiros europeus e até mesmo a Índia, hoje uma das maiores compradoras de petróleo russo. Segundo o presidente, Nova Délhi precisa “reavaliar suas alianças energéticas” caso queira preservar o alinhamento com Washington.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou essa visão ao declarar que os Estados Unidos esperam maior comprometimento da Europa na contenção de Putin.

“Tudo que ouço dos europeus é que Putin está indo para Varsóvia. Tenho certeza de que ele não está indo para Boston”, ironizou Bessent, destacando o risco real de expansão militar russa no continente.

A fala reflete o desejo americano de que a OTAN e os países europeus intensifiquem seu papel na defesa do território ucraniano e na imposição de restrições econômicas.


A estratégia política de Trump

Politicamente, o novo foco em “resolver a Rússia” também serve para reforçar a imagem de liderança global que Trump busca consolidar. Durante sua campanha e nos primeiros meses de governo, ele prometeu encerrar “as guerras sem fim” e restaurar o poder diplomático dos EUA.

Ao assumir papel central nas negociações entre Israel e Hamas e, agora, na tentativa de conter Moscou, Trump tenta projetar-se como um mediador capaz de restabelecer a paz mundial, sem abandonar o discurso nacionalista que marcou sua trajetória.

Analistas avaliam, porém, que o desafio será equilibrar a retórica firme contra Putin com a prudência diplomática necessária para evitar uma escalada que envolva diretamente os Estados Unidos em um conflito maior.

Imagem: Evan El-Amin/Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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