O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (25) uma ordem executiva histórica que determina uma transformação radical na operação do TikTok no país. O decreto exige que a rede social, acusada de representar riscos à segurança nacional por conta de sua ligação com a China, funcione a partir de agora como uma empresa americana, com sede nos EUA, controle de dados local e participação estrangeira limitada a 20%.
TikTok nos EUA: Trump assina ordem que altera controle de dados e algoritmos
Trump assina ordem que exige transformação do TikTok em empresa americana. Entenda as regras, impactos, disputa bilionária e mais!
A decisão é a culminação de anos de tensões políticas e diplomáticas entre Washington e Pequim, e ocorre após diversas tentativas frustradas de banimento e legislações restritivas. Agora, a rede social — que conta com mais de 170 milhões de usuários americanos — poderá continuar operando, mas sob regras rígidas de segurança, governança e capital estrangeiro.
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O que determina a ordem executiva de Trump
A nova diretriz assinada por Trump estabelece mudanças estruturais obrigatórias para que o TikTok continue funcionando nos EUA. Entre os pontos principais estão:
Nova estrutura societária e tecnológica
- Sede obrigatória nos Estados Unidos;
- Participação máxima de 20% de capital estrangeiro;
- Propriedade americana dos algoritmos e do código-fonte;
- Armazenamento de dados apenas em servidores localizados nos EUA;
- Monitoramento de segurança por empresas classificadas como “confiáveis”.
Prazos definidos
- A transição deve ser concluída até 16 de dezembro de 2025;
- A reconfiguração tecnológica — incluindo o “retreinamento” dos algoritmos — precisa acontecer dentro do mesmo prazo;
- Caso não seja cumprido, o aplicativo poderá ser banido do território americano.
Segurança nacional e privacidade: os pilares do decreto
A medida foi justificada com base em riscos à segurança nacional. O governo americano alega que a ByteDance, controladora do TikTok e sediada em Pequim, tem vínculos com o Partido Comunista Chinês e poderia ser usada para:
- Coletar dados sensíveis de usuários americanos;
- Realizar espionagem digital;
- Influenciar opinião pública e eleições por meio da manipulação de algoritmos.
Apesar das negações da ByteDance, o governo dos EUA decidiu blindar o território nacional com a criação de uma estrutura sob total controle americano.
Como será a nova empresa do TikTok nos Estados Unidos
A futura empresa americana do TikTok ainda não tem nome divulgado, mas deverá:
- Ter capital majoritário de empresas dos EUA;
- Manter os dados dos usuários americanos isolados do restante da operação global;
- Controlar os algoritmos localmente, sem qualquer interferência da sede global;
- Estabelecer um Conselho de Segurança Independente, responsável por fiscalizar as operações tecnológicas e o compliance com as novas normas.
O que muda para os usuários do TikTok nos EUA

Segundo o governo americano, os usuários não precisarão sair da plataforma. O acesso e funcionamento do aplicativo continuarão normalmente, mas com mudanças internas significativas:
Para criadores de conteúdo
- Continuidade das ferramentas de produção e monetização;
- Garantias de que dados de geolocalização, preferências e hábitos de consumo não serão repassados ao exterior;
- Nova relação com a plataforma, agora sob jurisdição americana.
Para empresas e anunciantes
- Ambiente regulatório mais estável para negócios e publicidade;
- Processos de auditoria mais rígidos sobre segmentação e análise de dados;
- Garantia de armazenamento e processamento de dados apenas nos EUA.
Disputa bilionária pelo controle do TikTok
Estima-se que o TikTok, apenas nos EUA, tenha um valor de mercado entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões, enquanto a ByteDance, sua controladora, é avaliada em cerca de US$ 330 bilhões. A nova empresa, segundo projeções oficiais, terá valor inicial de US$ 14 bilhões, considerado artificialmente baixo.
Quem está interessado na aquisição?
Os principais candidatos a assumir o controle do TikTok nos EUA são:
- Oracle — já parceira de infraestrutura da plataforma;
- Silver Lake — fundo de private equity com histórico em tecnologia;
- KKR e General Atlantic — já são investidores da ByteDance e podem integrar a nova composição.
Há também especulações sobre participação de grandes empresas de tecnologia, como Amazon e Microsoft, mas sem confirmação oficial.
O posicionamento da China sobre o acordo
O presidente Trump afirmou que discutiu o assunto diretamente com Xi Jinping e que houve sinal verde diplomático para o andamento do plano. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores da China se pronunciou com cautela, exigindo que os EUA ofereçam um ambiente justo, aberto e não discriminatório para empresas chinesas.
“Esperamos que os Estados Unidos abandonem práticas de coerção econômica e tratem empresas estrangeiras com base em regras internacionais”, disse o porta-voz chinês.
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Histórico de tensão: Trump, Biden e o TikTok
Essa não é a primeira investida contra o TikTok nos Estados Unidos:
2020 – Trump tenta banir
Durante seu primeiro mandato, Donald Trump tentou banir o TikTok por ordem executiva, mas foi impedido por uma série de decisões judiciais que consideraram a medida inconstitucional.
2024 – Lei de Biden
Já em 2024, Joe Biden sancionou uma lei que obriga a venda do TikTok por empresas estrangeiras, sob pena de banimento. A legislação abriu caminho para a ordem executiva agora ajustada e aplicada por Trump, após retornar à presidência.
Reações no setor de tecnologia e política
Especialistas classificam a medida como um divisor de águas nas relações entre tecnologia, política e segurança digital.
Avaliação de especialistas:
- Edward Fox (analista em cibersegurança): “É o maior experimento de nacionalização tecnológica desde a era Microsoft nos anos 2000”;
- Laura Weinstein (jurista digital): “A medida pode virar precedente para ações semelhantes contra outras plataformas internacionais”;
- Senador J.D. Vance: “A decisão protege o povo americano do uso indevido de seus dados”.
Impactos geopolíticos e o cenário futuro

A medida de Trump intensifica o cenário de rivalidade tecnológica entre EUA e China, que já envolve empresas como Huawei, Alibaba e agora TikTok.
O que está em jogo:
- Controle sobre dados globais;
- Domínio das plataformas de influência digital;
- Estabelecimento de normas internacionais sobre soberania de dados.
Para muitos analistas, os EUA enviam um recado claro: dados de cidadãos americanos devem estar sob controle americano.
Imagem: Freepik/edição: Seu Crédito Digital
