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Trump anuncia tarifaço e envia segunda rodada de cartas a chefes de Estado; confira a lista

Donald Trump envia cartas a países impondo tarifas entre 25% e 40% e ameaça o Brics com nova taxa. Medidas reacendem tensões comerciais globais.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Embraer

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma nova ofensiva econômica com a imposição de tarifas de importação a dezenas de países, reacendendo os temores de uma nova guerra comercial global. Nesta semana, o republicano enviou cartas oficiais a líderes estrangeiros, informando a aplicação de tarifas entre 25% e 40% sobre produtos importados. Além disso, Trump ameaçou aplicar uma tarifa de 10% a todos os países integrantes do Brics, grupo que inclui Brasil, China, Rússia, Índia, entre outros.

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Medida tem validade a partir de agosto

Tarifas
Imagem: Joseph Sohm / shutterstock

As tarifas anunciadas por Trump entram em vigor no dia 1º de agosto de 2025. A decisão foi formalizada em decreto presidencial e reforçada pelo próprio presidente em sua conta na rede social Truth Social. “Todo o dinheiro será devido e pagável a partir de 1º de agosto de 2025 – nenhuma prorrogação será concedida”, afirmou Trump.

As cartas enviadas têm como objetivo pressionar os países a negociarem acordos bilaterais favoráveis aos Estados Unidos. Segundo Trump, trata-se de uma forma de corrigir déficits comerciais históricos e reequilibrar o comércio exterior norte-americano.

Países notificados até o momento

Até o momento, os seguintes países foram notificados oficialmente por Trump:

  • África do Sul: 30%
  • Argélia: 30%
  • Bangladesh: 35%
  • Bósnia e Herzegovina: 30%
  • Brunei: 25%
  • Cambodja: 36%
  • Cazaquistão: 25%
  • Coreia do Sul: 25%
  • Filipinas: 20%
  • Indonésia: 32%
  • Iraque: 30%
  • Japão: 25%
  • Laos: 40%
  • Líbia: 30%
  • Malásia: 25%
  • Myanmar: 40%
  • Moldávia: 25%
  • Sérvia: 35%
  • Sri Lanka: 30%
  • Tailândia: 36%
  • Tunísia: 25%

Pressão para acordos bilaterais

Trump reforça, nas cartas, que os EUA estão abertos a renegociar as tarifas caso os países se comprometam a construir ou fabricar produtos em território norte-americano. “Essas tarifas poderão ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do nosso relacionamento com seu país”, escreveu o presidente na carta enviada ao primeiro-ministro do Japão.

As mensagens são padronizadas e destacam o mesmo ponto central: o desejo dos EUA em manter um comércio equilibrado e justo, mas com forte ênfase na reciprocidade. Caso os países taxem produtos norte-americanos em resposta, os EUA prometeram aplicar tarifas adicionais.

Brics na mira: nova ameaça de Trump

Em um novo capítulo da tensão internacional, Trump declarou que todos os países do Brics serão alvo de uma tarifa de 10% “muito em breve”. O grupo, que reúne Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã, estaria, segundo Trump, tentando minar o dólar como moeda de referência global.

“O que eles estão tentando fazer é destruir o dólar para que outro país assuma a posição. Perder o padrão mundial do dólar seria como perder uma guerra, uma grande guerra mundial”, disse Trump em coletiva.

Reações internacionais

Tarifas
Imagem: Oleg Elkov / Shutterstock

As declarações do presidente norte-americano geraram reações imediatas de países integrantes do Brics.

Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os países do Brics são soberanos e que o bloco defende o multilateralismo. “Não aceitamos intromissão de quem quer que seja”, disse Lula, reforçando a autonomia do grupo.

China

O Ministério das Relações Exteriores da China declarou que “o uso de tarifas não serve a ninguém” e criticou o uso de barreiras comerciais como instrumento de coerção.

Rússia

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o Brics é uma plataforma de cooperação baseada em interesses comuns, e que nunca teve como objetivo prejudicar terceiros.

África do Sul

Para o porta-voz sul-africano Chrispin Phiri, o Brics promove uma ordem global mais inclusiva e reformada, e não representa uma ameaça aos EUA.

A carta enviada ao Japão

A correspondência enviada ao primeiro-ministro japonês, Ishiba Shigeru, ilustra o tom das notificações diplomáticas. Nela, Trump escreve:

“A partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Japão uma tarifa de apenas 25% sobre todos os produtos japoneses enviados aos Estados Unidos, separadamente de todas as tarifas setoriais.”

Trump também diz que empresas japonesas podem evitar a tarifa caso passem a fabricar dentro dos EUA, e afirma que qualquer retaliação japonesa será somada aos 25% já anunciados.

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Estratégia eleitoral e política econômica

As medidas são vistas como parte da estratégia eleitoral de Trump para fortalecer sua base com um discurso nacionalista e de proteção da indústria americana. Com o slogan “America First” em alta, o republicano aposta no endurecimento comercial como trunfo político.

Economistas, no entanto, alertam para os riscos de retaliação global, inflação de produtos importados e tensão com aliados estratégicos. A política de tarifas pode prejudicar setores que dependem da cadeia global de suprimentos e causar efeitos colaterais indesejados na economia norte-americana.

Guerra comercial 2.0?

A movimentação de Trump reacende o temor de uma segunda onda da guerra comercial, semelhante àquela travada com a China durante seu primeiro mandato. Na ocasião, tarifas bilionárias foram aplicadas, impactando mercados globais e derrubando bolsas de valores.

Agora, com os olhos voltados ao Brics, Trump parece mirar não só no comércio, mas também na geopolítica. A tentativa dos países emergentes de criar uma nova estrutura econômica internacional baseada em suas próprias moedas — e não mais no dólar — é vista como ameaça à hegemonia norte-americana.

Impacto nas relações comerciais globais

As cartas enviadas por Trump e suas declarações sobre o Brics têm potencial para alterar o cenário do comércio internacional. Com dezenas de países sob novas tarifas e outros ameaçados por medidas semelhantes, cresce a preocupação com uma fragmentação dos mercados globais.

O unilateralismo defendido por Trump pode afastar aliados históricos e fortalecer coalizões como o Brics, que busca ampliar sua influência geoeconômica.

O que esperar dos próximos passos

Tarifas
Imagem: Freepik

Especialistas preveem que novas cartas poderão ser enviadas nos próximos dias. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o objetivo é que “todos os parceiros comerciais estejam cientes das novas regras”.

Por enquanto, os Estados Unidos firmaram apenas três acordos comerciais bilaterais sob os novos termos propostos por Trump. Resta saber quantos países aceitarão negociar sob pressão e quantos escolherão a via do confronto tarifário.

Conclusão

A decisão de Donald Trump de impor tarifas elevadas a diversos países e ameaçar o bloco do Brics com novas taxas intensifica as tensões comerciais globais e revela a aposta dos EUA em uma postura protecionista e assertiva para preservar sua hegemonia econômica. Resta saber como os países afetados reagirão a esse movimento, se optarão pelo diálogo e negociação ou por retaliações que podem agravar o cenário de instabilidade no comércio internacional. A partir de agosto de 2025, o mundo observará os impactos concretos dessas medidas na economia global e nas relações diplomáticas entre as nações.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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