O Brasil se tornou o principal mercado da Uber no mundo em volume de viagens, superando inclusive os Estados Unidos. A confirmação foi feita pelo CEO global da empresa, Dara Khosrowshahi, durante visita a São Paulo e Brasília, em entrevista à Folha de S.Paulo.
Uber discute permanência no Brasil após avanço de lei
CEO da Uber confirma permanência no Brasil e alerta que PL 152/2025 pode aumentar preço das corridas e reduzir motoristas ativos no país.
Segundo o executivo, a empresa continuará operando no país mesmo diante das discussões sobre o Projeto de Lei 152/2025, que pretende regulamentar o trabalho por aplicativos com regras de remuneração mínima e contribuição previdenciária.
A declaração reforça a importância estratégica do mercado brasileiro para a companhia, que hoje concentra milhões de usuários e motoristas, além de investimentos em tecnologia e engenharia.
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Volume de viagens coloca Brasil no centro da estratégia da empresa
A operação brasileira da Uber atingiu números expressivos desde sua chegada ao país.
Principais números da Uber no Brasil
- Mais de 2 milhões de motoristas parceiros ativos
- 17 bilhões de viagens realizadas desde o início da operação
- R$ 230 bilhões gerados em renda direta para motoristas
- Taxa média de 20% retida por corrida
- Brasil como maior mercado global da empresa
Esses dados mostram que o modelo de negócios da Uber depende fortemente do volume operacional no país, mesmo com margens menores de lucro em comparação com outros mercados internacionais.
De acordo com Khosrowshahi, o grande número de corridas compensa a rentabilidade reduzida e sustenta o crescimento da empresa globalmente.
PL 152/2025 pode aumentar o preço das corridas
O ponto mais sensível da discussão envolve a regulamentação do trabalho por aplicativos.
O que propõe o projeto de lei
O Projeto de Lei 152/2025 busca estabelecer:
- remuneração mínima para motoristas
- contribuição previdenciária obrigatória
- regras de proteção social
- maior formalização do trabalho
- possível vínculo trabalhista
A proposta tem como objetivo ampliar a segurança econômica dos trabalhadores de aplicativos, garantindo acesso à previdência e proteção social.
No entanto, a Uber afirma que a obrigatoriedade de contratação formal pode gerar efeitos econômicos relevantes.
Impacto direto no preço das corridas
Segundo o CEO da Uber, a formalização obrigatória elevaria os custos operacionais entre 50% e 60%.
Na prática, isso significaria:
- corridas mais caras
- menor número de motoristas
- redução da oferta em horários de baixa demanda
- menor cobertura em áreas periféricas
- aumento do tempo de espera para usuários
O executivo afirma que esse cenário poderia reduzir drasticamente a quantidade de motoristas ativos no Brasil.
Debate entre flexibilidade e direitos trabalhistas
A discussão sobre a regulamentação dos aplicativos envolve um conflito entre dois interesses principais:
Proteção ao trabalhador
Defendida por:
- sindicatos
- especialistas em direito do trabalho
- órgãos de regulação
- parte do Congresso Nacional
O argumento é que motoristas precisam de:
- previdência
- renda mínima
- segurança jurídica
- proteção contra instabilidade econômica
Instituições como o Ministério do Trabalho e a Previdência Social defendem modelos híbridos que garantam direitos sem comprometer a flexibilidade.
Manutenção do modelo atual
Defendida pela Uber e outras plataformas.
O argumento principal é que:
- a maioria dos motoristas prefere flexibilidade
- a formalização pode reduzir oportunidades
- o custo maior afeta o consumidor
- o serviço pode se tornar menos acessível
Segundo pesquisas citadas pela empresa, cerca de 85% dos usuários e motoristas preferem manter o modelo atual com ajustes pontuais.
Brasil como polo tecnológico da Uber
Além do transporte, o Brasil também se tornou um centro importante de tecnologia para a empresa.
Centros de engenharia no país
Atualmente, a Uber mantém:
- centros de engenharia em São Paulo
- centro tecnológico no Rio de Janeiro
- cerca de 500 profissionais de tecnologia
- investimento de R$ 500 milhões anunciado
- 200 novas vagas no Rio
Esses centros desenvolvem infraestrutura digital da plataforma utilizada em diversos países.
O plano da empresa é dobrar esse número de profissionais.
Expansão prevista para os próximos anos
O CEO da Uber afirmou que a meta é alcançar:
- 1.000 engenheiros no Brasil
- expansão da infraestrutura tecnológica
- maior integração com sistemas globais
- desenvolvimento de novas soluções de mobilidade
Isso reforça a estratégia de transformar o país em um hub de inovação tecnológica.
Uber reforça que é empresa de tecnologia, não transportadora
Um dos principais argumentos da Uber no debate regulatório é a definição de sua atividade.
Segundo Dara Khosrowshahi, a empresa é uma plataforma tecnológica que conecta:
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- motoristas
- passageiros
- restaurantes
- entregadores
- empresas
Esse posicionamento busca evitar o enquadramento na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que exigiria vínculo empregatício.
A empresa defende um modelo intermediário, que permita:
- contribuição previdenciária
- proteção social básica
- manutenção da flexibilidade
- liberdade de horários
Esse modelo já é discutido em países da Europa e América Latina.
Impactos para consumidores e motoristas
A regulamentação pode gerar mudanças importantes para quem usa o aplicativo diariamente.
Para os motoristas
Possíveis benefícios:
- contribuição para aposentadoria
- maior segurança jurídica
- renda mínima garantida
- proteção social
Possíveis riscos:
- menor flexibilidade
- redução de vagas
- exigência de jornada mínima
- aumento de burocracia
Para os passageiros
Possíveis mudanças:
- aumento no preço das corridas
- menor disponibilidade de carros
- aumento do tempo de espera
- redução do serviço em bairros periféricos
Especialistas em mobilidade urbana alertam que o equilíbrio entre custo e proteção social será essencial para o sucesso da regulamentação.
Brasil continuará sendo prioridade estratégica
Mesmo com o debate sobre o PL 152/2025, a Uber deixou claro que não pretende deixar o Brasil.
O país reúne fatores que tornam o mercado altamente atrativo:
- grande população urbana
- alta demanda por mobilidade
- forte uso de aplicativos
- expansão do comércio digital
- crescimento da economia de serviços
Além disso, o volume de viagens mantém o Brasil como um dos principais motores de crescimento da empresa no mundo.
Conclusão
A permanência da Uber no Brasil diante do Projeto de Lei 152/2025 mostra que o país ocupa uma posição estratégica no cenário global da mobilidade urbana. O desafio agora será encontrar um modelo de regulamentação que equilibre proteção social para os motoristas, viabilidade econômica para a empresa e preços acessíveis para os consumidores.
O debate sobre a regulamentação dos aplicativos não deve se encerrar rapidamente, mas já sinaliza mudanças importantes no futuro do trabalho digital no Brasil. Com milhões de usuários e motoristas envolvidos, qualquer decisão legislativa terá impacto direto na economia, no mercado de trabalho e na mobilidade das cidades.
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