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Como fazer a união estável ser reconhecida pelo INSS? Confira

Descubra como comprovar união estável no INSS para garantir pensão por morte, mesmo sem registro em cartório.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
aposentadoria

A união estável, reconhecida como entidade familiar pelo ordenamento jurídico brasileiro, garante direitos previdenciários ao companheiro ou à companheira em caso de falecimento do segurado. Mesmo sem formalização em cartório, essa modalidade de relacionamento pode dar acesso à pensão por morte junto ao INSS, desde que se consiga comprovar a convivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de constituição familiar.

Neste artigo, você entenderá como funciona o reconhecimento de união estável pelo INSS, quais documentos são aceitos, como funciona o pagamento da pensão por morte, as regras atuais, e o que fazer em caso de negativa.

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Mãos de um casal se entrelaçando, em alusão ao conceito de união estável.
Imagem: fizkes / shutterstock.com

O que é união estável para o INSS?

Reconhecimento legal da relação sem casamento formal

A união estável é uma forma de constituição de família reconhecida pelo artigo 1.723 do Código Civil, independentemente de casamento civil. Não é necessário morar junto, ter filhos ou dividir todos os bens. O fundamental é a existência de uma convivência afetiva, pública e duradoura, com intuito de construir uma vida em comum.

Mesmo sem registro em cartório, o companheiro ou companheira tem direito a benefícios previdenciários, como pensão por morte e auxílio-reclusão, desde que comprove a existência da relação.

Documentos aceitos pelo INSS para comprovar união estável

Mínimo de três documentos é exigido

Para ter direito à pensão por morte, o INSS exige a apresentação de pelo menos três provas documentais que demonstrem a união. Entre os principais documentos aceitos estão:

Principais documentos aceitos:

  • Certidão de nascimento de filhos em comum
  • Certidão de casamento religioso (mesmo sem registro civil)
  • Declaração de Imposto de Renda em que um conste como dependente do outro
  • Escritura de imóvel em nome de ambos
  • Conta bancária conjunta
  • Apólice de seguro ou plano de saúde com o outro como dependente
  • Contas de consumo com ambos como titulares
  • Fotos e vídeos do casal, especialmente em redes sociais
  • Mensagens públicas, declarações e convites com menção à relação

Provas testemunhais

Quando os documentos são insuficientes, o INSS pode aceitar depoimentos de testemunhas. Neste caso, amigos, colegas de trabalho, vizinhos ou parentes maiores de 18 anos podem confirmar a existência da união. Contudo, o uso exclusivo de testemunhas torna a análise mais subjetiva, e o resultado pode variar.

Escritura pública ou contrato particular: devo registrar?

Formalizar ajuda a evitar disputas e indeferimentos

Embora a formalização da união estável não seja obrigatória para fins previdenciários, ela pode facilitar o processo. Existem duas formas principais de registrar a união:

Escritura pública de união estável

  • Feita em Cartório de Notas
  • Dispensa testemunhas
  • Define o início da união e o regime de bens
  • Tem valor legal e força probatória maior

Contrato particular

  • Elaborado pelas partes, geralmente com testemunhas
  • Recomendável que seja registrado em Cartório de Títulos e Documentos
  • Tem validade, mas menor peso que a escritura pública

Segundo o advogado Alfredo Moreira Jr., também é possível fazer reconhecimento retroativo da união estável, com efeitos legais anteriores, embora alguns cartórios resistam por receio de fraudes.

Pensão por morte: como funciona na união estável

Imagem: David Gyung / Shutterstock.com

Regras variam conforme tempo de união e de contribuição

O direito à pensão por morte no INSS não depende de casamento civil, desde que a união estável seja comprovada. Contudo, o tempo de convivência e as contribuições do segurado falecido influenciam diretamente na duração do benefício.

Situação 1: menos de 18 contribuições ou união inferior a dois anos

  • A pensão será paga por apenas 4 meses
  • Exceção: acidente ou doença relacionada ao trabalho permite pensão por mais tempo

Situação 2: mais de 18 contribuições e união com mais de dois anos

A duração do benefício segue uma tabela progressiva, de acordo com a idade do companheiro ou companheira:

Idade na data do óbitoDuração da pensão
Menos de 22 anos3 anos
22 a 27 anos6 anos
28 a 30 anos10 anos
31 a 41 anos15 anos
42 a 44 anos20 anos
45 anos ou maisVitalícia

Valor da pensão por morte: quanto posso receber?

Cálculo com base na aposentadoria do segurado

A Reforma da Previdência de 2019 alterou o cálculo da pensão por morte. Hoje, o valor é definido da seguinte forma:

  • 50% da aposentadoria que o segurado recebia (ou teria direito)
  • + 10% para cada dependente, até o limite de 100%

Exemplo prático:

Um segurado falecido deixa apenas a companheira como dependente, sem filhos menores de 21 anos:

  • 50% (cota familiar)
    • 10% (cota da companheira)
  • Total: 60% da aposentadoria a que ele teria direito

É possível acumular pensão por morte com aposentadoria?

Sim, é permitido. O companheiro ou companheira que já recebe aposentadoria própria pode acumular com a pensão por morte, desde que observe os limites da reforma de 2019.

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Como funciona a acumulação?

  • Recebe integralmente o benefício de maior valor
  • O outro benefício será proporcionalmente reduzido segundo uma escala decrescente

Essa regra visa evitar a duplicação integral de rendimentos e busca equilibrar os gastos da Previdência.

União estável mesmo sem morar junto: é possível?

A coabitação não é condição obrigatória

O artigo 1.723 do Código Civil não exige que o casal more na mesma casa. O essencial é comprovar:

  • Convivência pública
  • Estabilidade da relação
  • Objetivo de constituir família

Se os companheiros vivem em endereços separados por questões profissionais ou pessoais, é possível obter o reconhecimento da união, desde que a documentação e as testemunhas sustentem a realidade da vida em comum.

E se o pedido de pensão for negado?

Caminhos administrativos e judiciais

Se o INSS negar o pedido de pensão por morte, o companheiro ou companheira pode:

1. Entrar com recurso administrativo

  • Através do portal Meu INSS ou telefone 135
  • Prazo de 30 dias após o indeferimento
  • Pode anexar novos documentos e provas

2. Ingressar na Justiça Federal

  • Recomendável contar com a orientação de um advogado ou defensor público
  • A Justiça pode determinar o pagamento retroativo, caso a união seja reconhecida judicialmente

Auxílio-reclusão e união estável

Imagem: michaeljung / shutterstock.com

Outro benefício previsto

Companheiros ou companheiras em união estável também podem ter direito ao auxílio-reclusão, pago aos dependentes de segurado de baixa renda preso em regime fechado. O valor é de um salário mínimo, desde que o segurado tenha mantido contribuições recentes e não possua renda formal.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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