O uso de celulares nas escolas tem sido um tema de debate constante nas últimas décadas, especialmente com o avanço das tecnologias digitais e o impacto delas na vida cotidiana dos estudantes. Recentemente, o Senado brasileiro aprovou um projeto de lei (PL 4.932/2024) que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis, como os celulares, dentro das instituições de ensino.
Uso de celulares nas escolas: tudo o que muda com a aprovação da restrição
Aprovado no Senado, o projeto que restringe o uso de celulares nas escolas promete mudanças no cotidiano escolar
A medida visa estabelecer novas regras sobre o uso desses dispositivos, tanto em salas de aula quanto em momentos como recreios e intervalos. A proposta ainda aguarda a sanção presidencial, mas já levanta questões importantes sobre o impacto nas escolas e a educação no Brasil.
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O Projeto de Lei 4.932/2024: Restrição ao Uso de Celulares nas Escolas
O que prevê a nova lei?
A principal proposta do PL 4.932/2024 é proibir o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos portáteis durante o horário escolar. Isso inclui não apenas as aulas, mas também os períodos de recreio e os intervalos entre as aulas. A medida se aplica tanto a escolas públicas quanto particulares, abrangendo alunos da educação infantil, ensino fundamental e médio.
Embora a restrição seja ampla, o projeto também prevê algumas exceções. Os alunos poderão utilizar seus dispositivos em situações específicas, como para fins pedagógicos, em casos de acessibilidade, para atender a condições de saúde ou quando estiverem em situações de perigo.
Nessas situações, o uso dos aparelhos será autorizado, mas sempre sob orientação dos profissionais de educação, a fim de garantir que seja realmente benéfico ao aprendizado.

Razões por trás da proposta
O projeto foi elaborado a partir de uma análise de estudos internacionais e brasileiros que mostram uma relação negativa entre o uso excessivo de dispositivos digitais e o desempenho escolar dos estudantes.
Um dos principais argumentos apresentados foi um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que revelou que alunos que utilizam dispositivos eletrônicos por mais de cinco horas ao dia apresentam desempenho inferior em provas, principalmente nas áreas de matemática.
Desempenho melhor
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do projeto no Senado, destacou que a pesquisa da OCDE indicou que estudantes que passam menos tempo com dispositivos digitais têm um desempenho significativamente melhor.
Segundo os dados, alunos que utilizam dispositivos por uma hora ou menos obtiveram, em média, 49 pontos a mais em matemática do que aqueles que passavam mais de cinco horas conectados.
O Impacto do Uso Excessivo de Celulares na Educação
Desempenho acadêmico e distrações
Um dos maiores impactos do uso de celulares nas escolas está relacionado à distração dos alunos. Com o aumento da conectividade, os estudantes têm acesso irrestrito a redes sociais, jogos e outros aplicativos, que podem prejudicar sua concentração e comprometem o foco nas atividades escolares.
Durante as aulas, muitos alunos acabam utilizando os dispositivos para fins pessoais, desviando sua atenção das explicações e atividades pedagógicas.
O estudo da OCDE aponta que o uso excessivo de celulares afeta diretamente a qualidade do aprendizado. A distração causada pelo uso desses dispositivos pode prejudicar a assimilação de conteúdos, principalmente em momentos de grande necessidade de concentração, como as aulas de matemática, línguas e ciências.
Impactos na saúde mental dos estudantes
Outro ponto abordado pelo PL 4.932/2024 é a necessidade de as escolas implementarem estratégias para prevenir e tratar os danos psíquicos causados pelo uso excessivo de telas.
Com o aumento do tempo de exposição a dispositivos digitais, surgem consequências relacionadas à saúde mental dos jovens, como o aumento de quadros de ansiedade, depressão e o isolamento social.
A proposta também inclui medidas para combater os riscos relacionados ao acesso a conteúdos impróprios, como pornografia, discursos de ódio e cyberbullying. Em muitos casos, esses fatores podem contribuir para o sofrimento psíquico e afetar a qualidade de vida dos estudantes.
A Opinião Pública sobre a Restrição ao Uso de Celulares
Apoio popular à restrição
Uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, revelou que 86% dos brasileiros consideram necessário algum tipo de restrição ao uso de celulares dentro das escolas.
A pesquisa aponta que 54% dos entrevistados defendem a proibição total do uso de aparelhos, enquanto 32% são favoráveis à liberação apenas para atividades pedagógicas, com autorização prévia dos professores.
Prejudicial ao ambiente escolar
Os resultados mostram que a medida tem o apoio da grande maioria da população, o que sugere que muitos acreditam que a presença constante dos celulares pode ser prejudicial ao ambiente escolar.
A faixa etária de 16 a 24 anos, que geralmente é mais ligada à tecnologia, também demonstrou apoio às restrições, com 46% favoráveis à proibição total e 43% concordando com a utilização apenas em circunstâncias específicas.
Contrários à proibição
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Por outro lado, 14% da população brasileira é contra a restrição do uso de celulares nas escolas. Entre esses, a principal argumentação é de que os celulares podem ser ferramentas úteis para o aprendizado, especialmente quando utilizados de maneira controlada e para fins educativos.
Além disso, há quem defenda que os aparelhos podem ser instrumentos de comunicação e segurança para os alunos em determinadas situações.
Exceções e Usos Permitidos: Quando o Celular Pode Ser Utilizado?
Para fins pedagógicos
O PL 4.932/2024 permite que o uso de dispositivos eletrônicos seja autorizado em situações específicas, como atividades pedagógicas. Neste caso, os professores poderão liberar o uso do celular para o desenvolvimento de conteúdos educacionais ou o uso de aplicativos e plataformas digitais que complementem o aprendizado em sala de aula.
Por exemplo, o celular pode ser utilizado para realizar pesquisas rápidas, acessar vídeos educativos ou até mesmo participar de atividades interativas em plataformas digitais. O uso controlado e orientado dos dispositivos pode, de fato, ser um aliado no processo de ensino-aprendizagem.
Para situações de emergência e acessibilidade
O projeto também prevê a possibilidade de o celular ser utilizado em casos de emergência ou para atender a necessidades de acessibilidade. Isso inclui situações de saúde, como o uso de aparelhos para monitoramento de condições médicas, ou a necessidade de comunicação com os responsáveis.
Além disso, a medida visa garantir a inclusão de alunos com deficiência, permitindo o uso de dispositivos tecnológicos para o auxílio em suas atividades escolares, como o uso de leitores de tela, softwares adaptativos e outros recursos que favoreçam a aprendizagem desses estudantes.

O Futuro do Uso de Celulares nas Escolas: O Que Esperar?
A conscientização sobre o uso saudável da tecnologia
Com a implementação do projeto, é fundamental que as escolas desenvolvam programas de conscientização para os alunos sobre o uso saudável e responsável da tecnologia. O objetivo não é simplesmente proibir o uso de celulares, mas educar os estudantes sobre as vantagens e os riscos do uso excessivo das tecnologias digitais.
Desafios para as escolas e educadores
A medida traz também desafios para os educadores, que precisarão equilibrar o uso dos dispositivos como ferramentas pedagógicas com o controle da distração e dos danos à saúde mental dos alunos. As escolas terão de adaptar suas práticas, criando estratégias para aproveitar os recursos tecnológicos de forma produtiva, sem comprometer o aprendizado.
Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
