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Por que vagas na escala 6×1 demoram mais para preencher?

Entenda os motivos que levam a demora no preenchimento das vagas na escala 6x1, desde o desgaste físico e mental e as alternativas melhores.

Eduardo MendesPor Eduardo Mendes6 min de leitura
escala 6x1 PEC

Nos últimos dias, a discussão sobre a escala de trabalho 6×1, especialmente nas redes sociais e em portais de notícias, tomou proporções consideráveis. A polêmica envolve tanto o impacto dessa jornada de trabalho na vida dos profissionais quanto a política que envolve os direitos trabalhistas no Brasil.

Muitas críticas surgiram, com um debate acalorado sobre as condições que ela impõe aos trabalhadores e como isso afeta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e a saúde mental dos colaboradores. O cenário envolveu desde críticas dos próprios trabalhadores até posicionamentos de especialistas e políticos sobre a legalidade e os impactos da escala.

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A polêmica da escala 6×1

Escala 6x1
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A escala 6×1 consiste em seis dias de trabalho seguidos e apenas um dia de descanso, o que, para muitos, é um modelo de jornada extremamente desgastante. O debate ganhou força nas últimas semanas devido a um aumento significativo no número de vagas oferecidas com essa escala em setores como varejo, alimentação, telemarketing, e outros serviços essenciais.

A principal preocupação dos críticos é que a jornada de trabalho exaustiva, combinada com a falta de tempo para o descanso adequado, pode gerar estresse, esgotamento e até problemas de saúde para os trabalhadores.

Além disso, a situação se agrava em um contexto em que muitos profissionais já enfrentam uma carga horária excessiva ou jornadas que não são compensadas adequadamente com benefícios como folgas prolongadas ou remuneração extra.

Política trabalhista e os riscos da escalada

Além da questão prática, a escala 6×1 também está sendo discutida do ponto de vista da política trabalhista.

Em meio a um cenário de crescente valorização dos direitos dos trabalhadores e aumento da fiscalização, essa jornada de trabalho voltou a ser um tema de controvérsia nas casas legislativas, com alguns parlamentares defendendo a revisão ou até a eliminação de modelos de jornada tão desgastantes.

Para outros, no entanto, a escala é uma forma de otimizar os custos operacionais das empresas, especialmente em áreas de serviços que exigem disponibilidade constante.

Fatores que explicam a demora em preencher vagas na escala 6×1

Com base no cenário atual, podemos observar que, embora a escala 6×1 seja frequentemente utilizada em setores como o varejo e o atendimento ao cliente, ela tem se mostrado menos atraente para os trabalhadores.

A seguir, explicamos os principais fatores que levam as empresas a enfrentarem dificuldades em preencher essas vagas.

1. Carga Horária Exaustiva e Desgaste Físico

A jornada de trabalho 6×1 exige que os colaboradores trabalhem 6 dias seguidos, com apenas um dia de descanso. Para muitos, isso é um grande desafio, pois essa carga horária intensa pode ser bastante desgastante tanto física quanto mentalmente.

O fato de não haver um descanso prolongado, como nos modelos 5×2 ou 12×36, gera uma sensação de sobrecarga para o trabalhador, que não tem tempo suficiente para recuperação, lazer ou para lidar com questões pessoais.

2. Falta de Tempo Livre e Qualidade de Vida

Embora a escala 6×1 permita ao trabalhador ter um dia de descanso, esse intervalo pode não ser suficiente para compensar os seis dias consecutivos de trabalho. A falta de tempo para atividades pessoais e familiares, lazer e descanso adequado afeta diretamente a qualidade de vida.

Muitas pessoas que buscam equilíbrio entre a vida pessoal e profissional se afastam de vagas com essa jornada, preferindo ofertas que permitam mais tempo livre.

3. Preocupações com a Saúde Mental e Bem-Estar

Estudos têm mostrado que jornadas de trabalho mais longas e com menos tempo de descanso podem levar ao esgotamento mental. A escalabilidade de uma jornada 6×1 tem gerado preocupações com o impacto psicológico nos colaboradores, que podem enfrentar níveis elevados de estresse, ansiedade e até depressão. Isso se reflete no aumento da rotatividade de funcionários, já que as pessoas podem desistir das vagas após experimentarem o peso dessa carga.

4. Alternativas Mais Atrativas

Em comparação com a 6×1, outras escalas de trabalho, como a 5×2, são vistas como mais equilibradas e atraentes, principalmente porque oferecem dois dias consecutivos de descanso. Isso garante ao trabalhador mais tempo para a recuperação, atividades pessoais e lazer.

As empresas que oferecem essas alternativas geralmente têm uma taxa de retenção de funcionários mais alta, o que as torna mais competitivas no mercado de trabalho.

5. Baixa Remuneração em Algumas Áreas

Embora a escala 6×1 seja comum em setores como o varejo e call centers, muitas vezes esses cargos não oferecem salários elevados ou benefícios extras que compensem a carga de trabalho intensa.

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A falta de atratividade financeira faz com que candidatos qualificados ou com experiência se afastem dessas vagas, buscando empregos com melhores condições salariais e mais equilibradas, em termos de jornada de trabalho.

6. Dificuldades de Atração em Setores Específicos

Algumas áreas que operam com a escala 6×1, como o comércio, enfrentam dificuldades adicionais para atrair novos talentos devido à alta rotatividade de funcionários.

As vagas são rapidamente preenchidas, mas também são frequentemente desocupadas quando os trabalhadores percebem o impacto da jornada pesada em suas vidas. A consequência disso é uma constante necessidade de reposição de pessoal, o que contribui para a demora no preenchimento das vagas.

Como a falta de interesse afeta as empresas?

A demora em preencher vagas na escala 6×1 pode gerar custos adicionais para as empresas, que enfrentam dificuldades em manter a equipe completa e produtiva.

Além disso, a alta rotatividade resulta em perda de experiência e conhecimento, o que impacta diretamente na qualidade do serviço prestado. As empresas precisam investir mais em recrutamento e treinamento, além de possivelmente pagar horas extras ou contratar temporários para cobrir as ausências.

O que o futuro reserva para a escala 6×1?

Com as constantes discussões sobre o futuro das jornadas de trabalho no Brasil, é possível que o modelo 6×1 seja reavaliado, especialmente à medida que o mercado de trabalho se adapta a novas formas de trabalho remoto e flexível.

Alguns especialistas preveem que a tendência será a de cada vez mais empresas adotarem jornadas mais equilibradas, com o objetivo de atrair e reter talentos de forma mais eficaz.

Considerações finais

A escala 6×1 pode ser vista como uma solução conveniente para alguns setores, mas apresenta uma série de desvantagens para os trabalhadores.

A alta demanda por mais tempo livre, a preocupação com a saúde mental e o desejo de um equilíbrio maior entre vida pessoal e profissional são fatores que dificultam o preenchimento dessas vagas.

As empresas precisam considerar essas questões ao adotar esse modelo de jornada de trabalho e, caso desejem atrair e reter bons profissionais, talvez seja hora de repensar a estrutura de suas escalas.

Eduardo Mendes

Autor

Eduardo Mendes

Eduardo Mendes é cofundador do Seu Crédito Digital, especialista em SEO, jornalista e bacharel em Administração de Empresas pela UFRGS. Apaixonado por finanças e empreendedorismo, escreve em blogs desde 2014 e atua criando conteúdos, vídeos e análises para ajudar o público a tomar decisões financeiras mais inteligentes.

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