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Projeto altera regra do vale-transporte usada desde 1985

Projeto em análise pode acabar com desconto do vale-transporte no salário. Veja o que muda para trabalhadores e empresas.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
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Uma proposta que começou a tramitar na Câmara dos Deputados pode mudar diretamente o bolso de milhões de trabalhadores brasileiros. O Projeto de Lei 4177/2025 prevê o fim do desconto do vale-transporte atualmente aplicado sobre os salários dos funcionários contratados pelo regime CLT.

Na prática, caso o texto seja aprovado, empresas deixariam de descontar até 6% do salário básico para ajudar no custeio do benefício. O trabalhador passaria a receber o valor integral do salário, enquanto o custo do deslocamento seria assumido totalmente pelas empresas e pelo poder público.

O tema ganhou força nos últimos dias porque mexe com uma despesa recorrente de quem depende diariamente do transporte coletivo para trabalhar. Em grandes cidades, o impacto pode representar uma diferença importante no orçamento mensal.

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Como funciona o desconto do vale-transporte hoje

Atualmente, as regras do vale-transporte são definidas pela Lei nº 7.418/1985. Pela legislação em vigor, o empregador é obrigado a fornecer o benefício ao trabalhador que utiliza transporte público para o deslocamento entre casa e trabalho.

Porém, a lei também permite que a empresa desconte até 6% do salário básico do funcionário para ajudar a custear o benefício.

Na prática, funciona assim:

Quando o desconto é aplicado

O desconto é limitado ao menor valor entre:

  • 6% do salário básico do trabalhador;
  • o valor real gasto nas passagens.

Isso significa que trabalhadores que gastam menos do que os 6% autorizados acabam pagando apenas o valor efetivo das passagens.

Exemplo prático

Um trabalhador com salário de R$ 2.500 teria desconto máximo de R$ 150 referentes ao vale-transporte.

Porém, se o gasto mensal com ônibus, metrô ou trem for de R$ 120, a empresa só poderá descontar esse valor menor.

O restante do custo é bancado pela empresa.

O que muda com o novo projeto

O Projeto de Lei 4177/2025 altera justamente essa lógica de compartilhamento de despesas.

O texto apresentado pelo deputado Jilmar Tatto propõe que o trabalhador deixe de contribuir financeiramente para o vale-transporte. Dessa forma, o benefício seria custeado integralmente pelas empresas e pelo sistema público de mobilidade.

Segundo a justificativa da proposta, o deslocamento diário do trabalhador deveria ser entendido como parte do custo da atividade econômica e não como uma despesa dividida com o empregado.

Salário sem desconto

Se aprovado, o projeto faria com que trabalhadores recebessem o salário integral, sem abatimentos relacionados ao transporte coletivo.

Na prática, isso poderia gerar aumento imediato na renda líquida mensal de quem utiliza ônibus, metrô, VLT ou trem diariamente.

O impacto seria mais sentido entre trabalhadores de baixa renda, especialmente nas capitais e regiões metropolitanas, onde o custo do transporte costuma ser elevado.

Projeto ainda não foi aprovado

Apesar da repercussão nas redes sociais e entre trabalhadores, a mudança ainda não entrou em vigor.

O projeto segue em tramitação na Câmara dos Deputados e ainda precisa passar por diferentes etapas antes de virar lei.

Quais são os próximos passos

Para começar a valer, a proposta precisa:

Passar pelas comissões da Câmara

O texto ainda será analisado pelas comissões responsáveis dentro da Câmara dos Deputados.

Dependendo da tramitação, pode haver alterações no conteúdo original.

Ser aprovado no Congresso

Após a análise das comissões, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado Federal.

Receber sanção presidencial

Mesmo após aprovação no Congresso, a medida só entra em vigor caso seja sancionada pelo presidente da República.

Até lá, as regras atuais seguem válidas normalmente.

Debate cresce junto com a Tarifa Zero

A discussão sobre o fim do desconto do vale-transporte acontece em um momento em que o transporte público voltou ao centro dos debates nacionais.

Nos últimos anos, diversas cidades brasileiras começaram a adotar modelos de Tarifa Zero, oferecendo transporte coletivo gratuito para a população.

Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), mais de 170 municípios brasileiros já possuem algum sistema de gratuidade total ou parcial no transporte público.

O que é a Tarifa Zero

A Tarifa Zero é um modelo em que o usuário deixa de pagar passagem diretamente ao utilizar ônibus ou outros meios de transporte público.

Os custos passam a ser bancados pelo poder público, fundos municipais ou outras formas de arrecadação.

Como isso se conecta ao vale-transporte

Parlamentares e especialistas avaliam que o fim do desconto do vale-transporte pode funcionar como uma etapa intermediária dentro desse novo modelo de mobilidade urbana.

Na prática, o trabalhador deixaria de arcar com os custos do deslocamento diário.

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Como o governo e empresas poderiam compensar os custos

Uma das principais discussões envolvendo o projeto é justamente o financiamento da medida.

Entre as alternativas debatidas estão:

  • criação de fundos específicos para mobilidade urbana;
  • aumento de subsídios públicos;
  • cobrança de taxas sobre aplicativos de transporte;
  • participação maior das empresas no custeio do sistema.

O desafio está em equilibrar o impacto financeiro sem gerar aumento excessivo de custos para empregadores ou para os cofres públicos.

Empresas acompanham proposta com cautela

O setor empresarial observa a proposta com preocupação, principalmente empresas com grande número de funcionários presenciais.

Especialistas apontam que o custo adicional pode afetar:

  • políticas de contratação;
  • reajustes salariais;
  • benefícios corporativos;
  • custos operacionais.

Segmentos como comércio, indústria, telemarketing, logística e serviços seriam alguns dos mais impactados caso a mudança avance.

Transporte ainda pesa no bolso do brasileiro

O debate sobre o vale-transporte também chama atenção para um problema antigo: o peso do deslocamento no orçamento das famílias brasileiras.

Levantamentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostram que trabalhadores de baixa renda comprometem parcela importante dos ganhos mensais apenas com transporte.

Em cidades maiores, muitos brasileiros dependem de múltiplas conduções diariamente, o que eleva ainda mais os gastos mensais.

Além do impacto financeiro, o tempo de deslocamento também virou um dos principais fatores de desgaste para trabalhadores nas grandes capitais.

Trabalhadores podem deixar de pedir vale-transporte?

Mesmo com a possibilidade de mudanças futuras, as regras atuais continuam válidas.

Hoje, o trabalhador ainda precisa informar à empresa que deseja receber o benefício. O vale-transporte não é automático em todas as situações.

Além disso, o uso indevido pode gerar punições, já que o benefício deve ser utilizado exclusivamente para deslocamentos relacionados ao trabalho.

O que pode acontecer nos próximos meses

A expectativa é que o projeto gere debates intensos entre representantes dos trabalhadores, empresários e especialistas em mobilidade urbana.

O tema deve ganhar ainda mais repercussão diante do aumento das discussões sobre custo de vida, mobilidade e renda do trabalhador brasileiro.

Enquanto isso, trabalhadores devem acompanhar apenas informações oficiais sobre a tramitação da proposta, já que nenhuma mudança entrou em vigor até o momento.

Caso o projeto avance no Congresso, o fim do desconto do vale-transporte poderá representar uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas ligadas ao transporte coletivo nos últimos anos.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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